Papa defende que igreja se livre da “obsessão” sobre homossexualidade, aborto e contracepção

Em entrevista, Francisco afirma que a Igreja Católica “fechou-se em pequenas coisas, em regras mesquinhas”

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Em entrevista, Francisco afirma que a Igreja Católica “fechou-se em pequenas coisas, em regras mesquinhas”

Por Redação

O Papa Francisco, em entrevista concedida a uma revista jesuíta italiana, La Civiltá Católica, publicada desde 1850, defendeu que a igreja católica se livre da “obsessão” em relação a temas como contracepção, aborto e homossexualidade. “A igreja não pode ficar obcecada com a transmissão de um conjunto desarticulado de doutrinas sendo impostas insistentemente”, afirmou. “Temos de encontrar um novo equilíbrio, ou até mesmo a estrutura moral da igreja pode cair como um castelo de cartas, perdendo o frescor e a fragrância do Evangelho.”

Não podemos reduzir o âmago da igreja a um ninho que proteja nossa mediocridade”, disse o Papa. (Tânia Rêgo/ABr)

Sobre a homossexualidade, o pontífice reiterou declarações feitas em sua viagem ao Brasil, para a Jornada Mundial da Juventude. “Quando estava em Buenos Aires, recebi cartas de pessoas homossexuais que estavam ‘socialmente feridas’ porque me diziam que a Igreja sempre os tinha rejeitado. Mas essa não é a intenção da Igreja. No avião de regresso do Rio de Janeiro, disse: ‘Se um gay procurar Deus, quem sou eu para o julgar.’”, questionou. “Deus deu-nos a liberdade quando nos criou: não é possível a interferência espiritual na vida pessoal de outra pessoa.”

Para Francisco, a Igreja “fechou-se em pequenas coisas, em regras mesquinhas” e não deveria adotar a postura recorrente de condenar. “Não podemos insistir apenas nas questões relacionadas ao aborto, ao casamento gay e ao uso de métodos contraceptivos. Isso não é possível. Os ensinamentos da igreja sobre isso são claros, e eu sou um filho da igreja, mas não é necessário que eu fale disso o tempo todo. (…) Não falei muito a respeito e fui repreendido por isso.”

Ao invés de tentar interferir no âmbito privado, a igreja deveria ir em busca dos excluídos, de acordo com o Papa, servindo como “um hospital de campanha após uma batalha”, para curar as feridas maiores da sociedade. “A igreja em que devemos pensar é a que é a casa de todos, e não uma pequena capela onde cabe apenas um pequeno grupo de pessoas selecionadas. Não podemos reduzir o âmago da igreja a um ninho que proteja nossa mediocridade.”

Com Agências



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