Com críticas ao capitalismo e consumismo, Mujica faz discurso épico na ONU

“O deus mercado organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade”, diz presidente do Uruguai

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“O deus mercado organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade”, diz presidente do Uruguai

Da Redação

As palavras-chave do discurso de Mujica

O discurso do presidente do Uruguai, Pepe Mujica, na 68ª Assembleia Geral da ONU, surpreendeu ao criticar o “inútel” bloqueio a Cuba, o “deus mercado” e a própria Nações Unidas: “Talvez nosso mundo necessite menos de organismos mundiais, desses que organizam fórums e conferências, que servem muito às cadeias hoteleiras e às companhias aéreas e, no melhor dos casos, não reúne ninguém e transforma em decisões…Bloqueiam esta ONU que foi criada com uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade….A ONU, nossa ONU, enlanguece, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e, sobretudo, de democracia para o mundo mais fraco que constitui a maioria esmagadora do planeta.”

Mujica teceu críticas à sociedade atual centrada no consumismo: “Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até autoexclusão”. Segundo o presidente, se todos consumissem igual a um americano médio, seriam necessários três planetas Terras para podermos viver. “Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe da convivência humana…..Há marketing para tudo, para os cemitérios, os serviços fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas secretárias, pelos automóveis e pelas férias. Tudo, tudo é negócio.”

Mujica, que já havia surpreendido em seu discurso na Rio+20, no ano passado, e vem implantando medidas progressistas em seu país, criticou o fato de que “a cada minuto no mundo se gastam US$ 2 milhões em ações militares nesta terra. Dois milhões de dólares por minuto em inteligência militar! Em investigação médica, de todas as enfermidades que avançaram enormemente, cuja cura dá às pessoas uns anos a mais de vida, a investigação cobre apenas a quinta parte da investigação militar”.

Mujica criticou ainda a desigualdade do mundo: “Não podemos ser iguais nesse mundo onde há mais fortes e mais fracos. Portanto, é uma democracia ferida e está cerceando a história de um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e verdadeiramente existente”.

Apesar das críticas, Mujica reforçou sua crença na humanidade: “É possível arrancar tranquilamente toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível para as gerações vindouras, se conseguirem raciocinar como espécie e não só como indivíduos, levar a vida à galáxia e seguir com esse sonho conquistador que carregamos em nossa genética. Mas, para que todos esses sonhos sejam possíveis, precisamos governar a nos mesmos, ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar à altura da civilização em que fomos desenvolvendo.”

Assista ao vídeo abaixo e confira a íntegra em português aqui



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4 comments

  1. Edson AJ Responder

    Sensacional!

  2. Lucas Alkaid Vicente Responder

    Não há o que dizer, foi realmente épico.

  3. Thiago Dias Responder

    Arrepiante.

  4. Uriel Responder

    Discurso bonito, com certas verdades, como quando ele citou a inutilidade da ONU, do valor exacerbado da guerra que os governos tanto dependem, mas em certos trechos apelou ao sentimentalismo e acabou citando certos chavões que merecem atenção.
    Para começar, a respeito do “tal” bloqueio a cuba. Cuba negociou com mais de 92 países em 2012, inclusive os EUA, o “bloqueio” só impedia Cuba de negociar com os EUA, ou seja, podia e pode negociar com o resto do mundo inteiro e também não impede de receber dinheiro, como tem recebido, principalmente dos EUA (que deram mais do que toda a doação Europeia e latino americana juntas), o tal “embargo” que os militantes de esquerda tanto gostam de soltar ao ar somente impedia o pobre povo cubano de gastar o seu pouco dinheiro com produtos e serviços “capitalistas” americanos, o que o seu governo ditatorial já naturalmente impedia. O embargo não resultou em miséria, mas sim a miséria da sua ditadura que resultou em embargo, sem contar que fica meio estranho ele criticar o Bloqueio ao mesmo tempo em que critica o “deus mercado” e o consumismo, o que querem afinal? Querem produtos americanos?
    Outro fato que o texto e o Jose Mujica falha é associar Guerras ao mercado, como se fosse interesse do Mercado manter guerras. Guerras na verdade são mantidas por governos, interessam e fortalecem o poder central estatista e no máximo suas “empresas” escolhidas, são principalmente ferramentas de Estados socialistas e Imperialistas de centralizar poder e capital restringindo as liberdades individuais dos cidadãos a pretexto de um bem maior, jamais possuem relação com Mercados livres, que pelo contrário, para o mesmo seria a pior coisa, já que enfraquece relações, desperdiça recursos, causa escravidão. impede qualquer contato, provoca escassez onde há demanda e isolamento. Outro fato importante de citar, é que não vivemos de modo algum em uma sociedade capitalista propriamente dita, pelo contrário, vivemos na ditadura dos governos e suas empresas, ou o “Rei e seus amigos”, quando liberais defendem o Livre mercado e a livre iniciativa, defendem justamente a possibilidade das pessoas agirem, pensarem e fazerem trocas voluntárias entre si sem a prática de coerção, violência ou interesses, tributações e regulações de um governo central, o mercado tem sido muito mais eficaz em retirar pessoas da pobreza do que governos e suas guerras, no qual todos esses princípios são amplamente ignorados.

    Agora a parte que merece mais atenção é:, “se todos consumissem igual a um americano médio, seriam necessários três planetas Terras para podermos viver.” – Afirmações como essa são extremamente perigosas, ainda mais, se considerarmos como sendo uma verdade absoluta que não carece de maior investigação. Essa afirmação não só carece de verdade, como é amplamente divulgada nos meios educacionais e em resoluções políticas totalmente tendenciosas servindo como legitimação de medidas tributárias e regulatórias. Fazem parte de táticas antigas de manipulação através do discurso e dados falsos (Não que o Presidente tenha feito por mau) que tem como consequência políticas de boas intenções que resultam em miséria permanente, dependência econômica e política e principalmente liberdades individuais violadas. Um exemplo disso é o mito da Superpopulação, no qual em 1798, Thomas Malthus afirmou que a população crescia exponencialmente enquanto a produção de alimentos crescia aritmeticamente e através de alguns cálculos concluiu que ficaríamos sem comida em 1890, embora essa data tenha sido ao longo da história remarcada por tantos outros e tantas vezes e se mostrado falsa, essa afirmação de Thomas deram início a diversas políticas genocidas que visavam eliminar os “pobres” ao invés de deixa-los morrer de fome. Tal afirmação se tornou meramente um bode expiatório para os problemas do mundo, causados pela guerra, tal como a fome e a pobreza. Essa afirmação do Presidente do Uruguay não é verdadeira, assim como a afirmação de Thomas Malthus também não era, e por fim, acabam se criando leis que impedem o progresso econômico dos realmente necessitados em prol de um suposto bem ambiental maior. A estimativa real é que a população em 75 anos volte aos 7 bilhões de pessoas e de que a africa sozinha com os métodos de tecnologias atuais possa alimentar o mundo todo. Outro dado interessante pouco divulgado, é que a cada dia que passa, graças a inovação do Mercado, estamos otimizando o uso dos recursos naturais e a tendência é essa devido ao sistema de preços que tende a gerar inovações, exemplo do Cobre que começou a ficar caro fazendo com que produtores inovassem devido a alta demanda, criando-se assim a fibra ótica que é feito de Areia. Outro argumento contra afirmações desse tipo, é que se todos os 7 bilhões de pessoas morassem com suas famílias com uma casa grande com jardim, caberíamos todos num terreno do tamanho do Estado do Texas, outro é de que um Vulcão médio em Erupção causa ao meio ambiente algo semelhante a cerca de 30 anos de produção humana. Os exemplos são infinitos de como devemos tomar cuidado com certas afirmações catastróficas e como elas podem ser usadas e as reações reais produzidas por tais políticas, não sejamos tão catastróficos, a maior depredação do meio ambiente é causado por governos e não pela iniciativa privada que naturalmente necessita de um ambiente auto sustentável para a produção de bens e serviços, até mesmo pela lógica capitalista. E também não devem entender que só a crise ambiental não existe da forma que os ambientalistas tanto pregam que isso se torne uma autorização p/ destruir florestas ou poluir oceanos, pelo contrário, temos que combater e através de soluções de mercado melhorar a otimização dos recursos e incentivar práticas de reestruturação de possíveis ambientes que tenham sido prejudicados, e acreditem, somente a livre iniciativa é capaz disso, governos não!. :)


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