Uma cronologia das manifestações

Confira como começaram e evoluíram alguns dos principais protestos que marcaram o Brasil

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Confira como começaram e evoluíram alguns dos principais protestos que marcaram o Brasil

Por Igor Carvalho. colaborou Felipe Rousselet. fotos de mídia ninja

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A onda de protestos contra o aumento das tarifas do transporte público em diversas cidades brasileiras não nasceu grande de uma hora para a outra. Tudo começou com pequenas manifestações, que ganharam vulto à medida que a repressão policial contra elas também aumentava. A seguir, alguns dos principais protestos do período.

16 de maio
Natal: Debaixo de muita chuva, militantes ocuparam e interditaram uma das principais vias da capital do Rio Grande do Norte. O protesto ocorreu logo após o aumento de R$ 2,20 para R$ 2,40 no valor da passagem de ônibus. Com o ato público, o prefeito, Carlos Eduardo Alves (PDT), reduziu a a tarifa para R$ 2,30.

21 de maio
Goiânia:
Os protestos ocorreram após a passagem aumentar de R$ 2,70 para R$ 3,00 na capital goiana. Aproximadamente 300 pessoas foram até a Praça Cívica. Durante a manifestação houve conflitos com a Polícia Militar no Terminal Padre Pelágio.

28 de maio
Goiânia: Os goianos voltaram a se manifestar contra o aumento da passagem. Os manifestantes se reuniram na Praça Universitária e seguiram marchando até a Praça da Bíblia, onde a Polícia Militar já os aguardava, e 14 ativistas foram presos.

3 de junho
São Paulo:
Um dia após o aumento da passagem de ônibus, trem e metrô de São Paulo, de R$ 3 para R$ 3,20, o Movimento Passe Livre (MPL) organizou o primeiro ato na cidade. O protesto ocorreu às 7h, na Estrada do M’Boi Mirim, zona sul da capital paulista. Uma das faixas da via foi ocupada pelos ativistas.

Rio de Janeiro: Na frente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), manifestantes se reuniram para protestar contra o aumento da passagem de ônibus, que havia subido de  R$ 2,75 para R$ 2,95, no dia 1º de junho. A Avenida Rio Branco, uma das principais da cidade, foi ocupada pelos ativistas.

6 de junho
São Paulo: Com a repercussão do aumento da tarifa,  a manifestação foi ampliada e migrou para a região central. Aproximadamente 5 mil pessoas estavam na frente do Teatro Municipal. Nesse ato, houve o primeiro confronto com a Polícia Militar e 15 manifestantes foram presos.

7 de junho
São Paulo: Apesar de ter menor adesão, 2 mil pessoas foram às ruas e os manifestantes fecharam uma das mais importantes vias de São Paulo, a Marginal Pinheiros.

11 de junho

São Paulo: O protesto reuniu 5 mil pessoas e a marcha, que durou seis horas, começou na Praça dos Ciclistas, na Avenida Paulista. Havia um acordo para que a manifestação se encerrasse dentro do Terminal Parque Dom Pedro, porém a PM não permitiu o acesso ao local e a confusão começou. Muitos civis se feriram e um policial foi agredido por manifestantes. O ato, mesmo depois de ser dispersado, seguiu para a Avenida Paulista. Vinte militantes foram detidos. Em Paris, o prefeito, Fernando Haddad (PT), e o governador, Geraldo Alckmin (PSDB), criticaram a postura dos manifestantes.

13 de junho
São Paulo: O dia foi marcado pela truculência policial contra manifestantes e a imprensa. Sete repórteres foram atingidos por bala de borracha e mais de 200 militantes foram presos. Toda pessoa que estivesse portando vinagre era detida. O produto é utilizado para atenuar os efeitos do gás lacrimogêneo.

A manifestação começou no Teatro Municipal, por volta das 17h, e seguiu pelo centro, com diversos ataques da PM aos manifestantes. Alguns militantes conseguiram alcançar a Avenida Paulista, onde o ato foi encerrado.

15 de junho
Brasília: No dia da abertura da Copa das Confederações, 8 mil pessoas foram às ruas de Brasília, cidade que sediou o primeiro jogo. A concentração foi na Avenida Eixo Monumental, de onde marcharam para o estádio Mané Garrincha. Antes da partida, houve confronto com a PM, que terminou com 27 manifestantes feridos e outros 24 presos.

17 de junho
São Paulo: A manifestação entrou para a história da cidade. A Polícia Militar estimou a presença de 65 mil no ato. Porém, o MPL e setores da imprensa calcularam que o público tenha passado dos 100 mil. A marcha, que partiu do Largo da Batata, se dividiu em três grupos: o primeiro seguiu pela Avenida Faria Lima; o segundo ocupou a Avenida Paulista e o último caminhou para Marginal Pinheiros, de onde seguiu para o Palácio dos Bandeirantes.


Rio de Janeiro: Cem mil manifestantes. A Alerj quase foi ocupada por eles. Houve manifestação, ainda, em Campos de Goytacazes, Três Rios e Niterói, no estado fluminense.

Curitiba: Os 10 mil manifestantes partiram da Boca Maldita pedindo que o valor da passagem de ônibus fosse reduzido de R$ 2,85 para R$ 2,60. No Paraná, outras cidades se organizaram: Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa.

Fortaleza: Foram 5 mil pessoas pedindo melhorias no transporte público e contra os investimentos na Copa do Mundo 2014.

Brasília: Dez mil pessoas, com pautas diversas, foram às ruas. Passava das 21h quando algumas centenas de manifestantes conseguiram ocupar a marquise do Congresso Nacional.

Belo Horizonte: Muitos confrontos com a polícia marcaram a manifestação mineira, que reuniu 20 mil pessoas. O ato partiu da Praça Sete, na região central, e seguiu até o Mineirão, um trajeto de dez quilômetros. Outras cidades em Minas Gerais registraram protestos: Viçosa, Juiz Fora e Poços de Caldas.

Porto Alegre: O mote principal da manifestação na capital gaúcha foi o aumento da passagem, porém outras pautas apareceram entre os manifestantes, como a corrupção e os investimentos na Copa do Mundo 2014.

18 de junho
São Paulo:
No Conselho da Cidade, o prefeito, Fernando Haddad, sinalizou, pela primeira vez, alterar o valor da passagem. Durante a manifestação, que reuniu 50 mil paulistanos, houve tumulto e uma tentativa de ocupar o prédio da prefeitura. São registrados os primeiros bloqueios de rodovias que são utilizadas como saída da capital.

Juazeiro do Norte: Na cidade cearense, 10 mil manifestantes cercaram o prefeito do município, que sacava dinheiro em uma agência bancária. Foram seis horas de cerco ao mandatário.

19 de junho
São Paulo: Após duas semanas de manifestações, Fernando Haddad e Geraldo Alckmin revogam o aumento da passagem, mantendo o valor anterior, de R$ 3. Apesar do anúncio, protestos são mantidos na Grande São Paulo.

Fortaleza: O estádio Arena Castelão, onde Brasil e México se enfrentariam pela Copa das Confederações, era o alvo dos 30 mil manifestantes. Foi preciso a intervenção da Força Nacional com a Polícia Militar para que a multidão fosse controlada.

20 de junho
São Paulo: O MPL decide manter o ato marcado para o dia, como forma de comemorar a revogação do aumento. Pelo menos 100 mil pessoas saíram às ruas, e a manifestação ficou marcada pelo confronto entre militantes de partidos e pessoas que se diziam antipartidos.

A manifestação foi dividida em dois grupos, com o primeiro seguindo para a Avenida 23 de Maio e o segundo caminhou até a prefeitura. Rodovias foram ocupadas e tiveram o trânsito interrompido.

Brasília: Uma multidão de 25 mil pessoas conseguiu furar uma barreira policial, entrou no espelho d’água e foi contida com bombas de gás quando tentava ocupar a cobertura do Congresso Nacional.

Rio de Janeiro: Partindo da Candelária, 300 mil pessoas participaram da manifestação, que foi duramente reprimida pela Polícia Militar. Ao menos 62 manifestantes foram levados ao hospital Souza Aguiar.

22 de junho
Belo Horizonte: Ao todo, 32 pessoas foram presas após mais uma manifestação na capital mineira. Eram 60 mil pessoas nas ruas, que partiram da Praça Sete e seguiram até as proximidades do estádio do Mineirão, quando foram interrompidas pela Polícia Militar.

Salvador: Enquanto Brasil e Itália se preparavam para o duelo que aconteceu no estádio da Fonte Nova, 2,5 mil pessoas protestavam a caminho do local do jogo. Houve confronto com a PM.

24 de junho
São Luís: Cerca de 2 mil manifestantes se concentraram em frente à Assembleia Legislativa do Maranhão. Durante a manifestação, as pessoas se dividiram em relação as reivindicações do ato.

Goiânia: Manifestantes ocuparam a rodovia BR-153 e quebraram dois carros da TV Anhanguera, afiliada da Rede Globo na região.

26 de junho
Belo Horizonte: Douglas Henrique Oliveira, de 21 anos, morreu após cair do viaduto José Alencar durante a manifestação que reuniu 50 mil pessoas na capital mineira.

28 de junho
Fortaleza: O estádio Arena Castelão, mais uma vez, foi o destino escolhido pelos manifestantes na capital cearense. Enquanto Espanha e Itália duelavam pela Copa das Confederações, 5 mil pessoas enfrentavam a PM, na tentativa de furar o bloqueio estipulado pela Fifa, e 92 pessoas foram presas.

29 de junho
Belo Horizonte: Insatisfeitos com a redução de 5 centavos no valor da passagem, 300 manifestantes ocuparam a Câmara de Vereadores da capital mineira.



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