Marina Silva será vice de Aécio?

Nesta sexta (27), o senador mineiro afirmou que a Rede é vítima de perseguição política e bajulou: o país "merece ter uma alternativa como Marina". Já FHC disse ao Estadão que a ex-verde é uma “liderança moral”

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Nesta sexta (27), o senador mineiro afirmou que a Rede é vítima de perseguição política e bajulou: o país “merece ter uma alternativa como Marina”. Já FHC disse ao Estadão que a ex-verde é uma “liderança moral”

Por Altamiro Borges, no Blog do Miro

A Rede Sustentabilidade, o novo partido da ex-verde Marina Silva, tem apenas mais uma semana para viabilizar seu registro na Justiça Eleitoral. As expectativas não são muito otimistas, apesar do esforço final dos marinistas – inclusive de algumas estrelas globais, como o ator Marcos Palmeira. Segundo o procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, não haverá “nenhuma concessão” para que a sigla seja criada fora dos parâmetros legais. Diante deste risco real, crescem as especulações sobre o futuro de Marina Silva, que obteve quase 20% dos votos na última eleição presidencial.

Na semana passada, o pequeno Partido Ecológico Nacional (PEN) propôs trocar o nome da legenda para Rede caso a ex-senadora aceite disputar a sucessão de 2014 pela sigla. O PPS de Roberto Freire e até o descartado PV também sinalizaram que poderiam aceitá-la como candidata, desde que seu grupo não controle as respectivas máquinas partidárias. A mais curiosa proposta, porém, tem sido ventilada por alguns líderes tucanos. Eles defendem que Marina Silva seja vice na chapa encabeçada por Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano.

Nesta sexta-feira (27), o senador mineiro afirmou que a Rede é vítima de perseguição política e bajulou: o país “merece ter uma alternativa como Marina”. Já o ex-presidente FHC, guru da oposição de direita, disse à jornalista Sônia Racy, do Estadão, que a ex-verde é uma “liderança moral”. O processo de sedução é intenso, mas dificilmente Marina Silva aceitaria ser vice na chapa do PSDB caso seu novo partido não consiga garantir o registro até 5 de outubro. Não por razões políticas e ideológicas, mas apenas por cálculos eleitorais e pragmáticos.

Cortejada e ainda sem partido, Marina Silva pode ficar fora das eleições de 2014 (Lindomar Cruz/ABr)

Do ponto de vista programático, não há muita diferença entre certos marinistas e a cúpula tucana. Na sucessão passada, as duas forças inclusive mantiveram intensos contatos, conforme registrou a Folha em junho de 2011: “Às vésperas da campanha de 2010, a presidenciável Marina Silva (PV) enviou aliados para um encontro sigiloso com o candidato José Serra no apartamento do ex-presidente FHC em Higienópolis… A conversa na casa de FHC ocorreu em fevereiro de 2010, quando os tucanos ainda sonhavam com a possibilidade de Marina ocupar a vice na chapa de Serra”.

No livro “O efeito Marina”, o deputado Alfredo Sirkis, coordenador da campanha marinista em 2010, até dá detalhes desta “reunião secreta”. Ele não trata da questão da vice e diz que o encontro teve como objetivo negociar o palanque duplo de apoio a Fernando Gabeira (PV-RJ). Lembra que a reunião até começou tensa. “Serra chegou muito desconfiado. Deixou seu celular em outro quarto, alegando que havia grampos capazes de monitorar conversas até por aparelhos desligados”, relata Sirkis. A conversa só foi aliviada graças à “contagiante simpatia” do anfitrião FHC.

Pelo andar da carruagem, esta intensa relação política se mantém. Não é para menos que Marina Silva é assessorada pelo economista André Lara Resende – “um dos FHC boys da velha cepa”, segundo ironiza o blogueiro Fernando Brito. Ele e outros neoliberais de carteirinha dão assistência à “sonhática” da Rede. Recentemente, Marina Silva inclusive defendeu a herança maldita de FHC na política macroeconômica. “No aspecto do controle da inflação: temos o risco de retorno da inflação. Temos um problema que sinaliza uma série de dificuldades que comprometem alguns dos instrumentos mais importantes para o equilíbrio, que são o tripé meta de inflação, câmbio flutuante e superávit primário”.

Como se observa, as diferenças programáticas não são muitas. Mesmo assim, é difícil imaginar Marina Silva na vice de Aécio Neves. A conferir! O pragmatismo político é uma doença incurável!



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5 comments

  1. Cristóvam Araújo Responder

    Não há sentido em fazer vista grossa às alianças espúrias do PT – com Maluf e Sarney, para citar apenas duas – e ao mesmo tempo tentar vincular a Marina ao Aécio ou ao FHC. Essa estupidez da “esquerda” em não aceitar divergências dos próprios companheiros de jornada e preferir aliar-se aos inimigos em vez disso, só prejudica aos próprios partidos de esquerda e fortalece a direita. É urgente a autocrítica. E no caso do PT, chega de sonhar em eternizar-se no poder a qualquer custo.

    1. Pedro JP Responder

      Mas quem está se alinhando ao PSDB é a Marina. O discurso dela já está alinhado à direita, na defesa de empresas que preservam o meio ambiente, como seria supostamente a Natura do vice dela. As maiores empresas e as mais insustentáveis, como mineradoras e grandes redes de supermercados, aliás, são atualmente as que mais fazem propaganda sobre suas políticas “sustentáveis”. Se ela fosse eleita eu acho que seria o banquete dos ruralistas, no qual ela faria o papel de vítima e sonhadora.

  2. Zeca Miranda Responder

    Eu não consigo entender como alguém ainda acredita em Marina Silva! Esta senhora sempre foi financiada pelo PT e só passou a ficar contra seus antigos apoiadores porque foi contrariada no seu projeto pessoal em se tornar presidente da república. É a típica política de carreira, profissional, tão “ética” quanto José Serra, FHC, Alckmin,a quadrilha da privataria tucana. Essa senhora sequer pode ser considerada de “esquerda”. É uma evangélica cristã, os fanáticos religiosos que possuem uma aliança com os narcotraficantes, o que já está ficando conhecido nas favelas do Rio de Janeiro, lugar donde estes bandidos impunes atacam terreiros de umbanda! Querem uma ditadura cristã nos moldes do fanatismo islâmico que produz o terrorismo autocrático e militante. Ao governo liderado pelo PT deve-se dizer que não podem e não devem querer se manter indefinidamente na direção, pois a burocratização dos projetos que são vitoriosos como Bolsa Família (que deveria ser institucionalizado para que outro governo não o destrua e aumentado sem restrições como uma Renda Mínima para qualquer cidadão ao cidadã brasileiros), Mais Médico e outros que trouxeram uma vida melhor a milhões de pessoas que viviam e ainda vivem na miséria, podem sofrer com riscos de manipulação e deteriorização. O caminho deveria ser a politização daqueles que participaram nas manifestações de junho de 2013, No entanto, isto só ocorreria com a aprovação do projeto de plebiscito de Reforma Política em curso no Congresso Nacional e que os conservadores e “politiqueiros” (políticos profissionais) de plantão não querem.

    1. GuilhermeCunha Responder

      Cara, será que vc percebe o quanto é ridículo estabelecer uma “conexão” entre a Marina e as atividades ilícitas do Pastor Marcos com traficantes no Rio de Janeiro só porque os dois são evangélicos?

      Isso seria o mesmo que… sei lá… dizer que vc enche a cara porque seu nome é Zeca que nem o do Zeca Pagodinho. É absurdo.

  3. Pedro JP Responder

    Não perdôo a Marina por ter sido a pior Ministra do Meio Ambiente da história recente. Liberou os transgênicos, enfraqueceu e dividiu o Ibama, apresentou projeto de reforma do código florestal. Não é à toa que é a candidata queridinha da Veja e da grande mídia


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