Arte Palestina: Granadas israelenses tornam-se vasos de flor

Em resposta às represálias israelenses, os habitantes de Bil'in tem plantado flores nas granadas de gás lacrimogênio

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Não me interessa o decorativo, nem o bonito, nem o doce, nem o delicioso. A arte só serve para alguma coisa se é irreverente, atormentada, cheia de pesadelos e desespero. Só uma arte irritada, indecente, violenta, grosseira, pode nos mostrar a outra face do mundo, a que nunca vemos ou nunca queremos ver, para evitar incômodos a nossa consciência.”
Pedro Juan Gutiérrez

(Foto: Reprodução/Escola de Criação ESPM- http://escoladecriacao.espm.br/2013/palestinos-transformam-granadas-em-vasos-de-flor/

Arte de Resistência – Não são bonitas, nem doces, nem deliciosas algumas das peças criadas por cidadãos e artistas palestinos. Na vila de Bil’in, próxima à capital de fato Ramallah, a arte de resistência talvez possa ser traduzida da seguinte forma: o que é usado para atacar, ferir e matar é reinventado para defender, curar e celebrar a vida. Em resposta às represálias israelenses, os habitantes de Bil’in têm plantado flores nas granadas de gás lacrimogênio lançadas durante protestos na região.

Com a retomada das negociações de paz durante a Asembléia Geral das Nações Unidas, novos protestos e conflitos eclodiram na região, muitos deles em consequência direta da ocupação e dos assentamentos ilegais na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e na parte leste de Jerusalém.

Uma menina de 9 anos morreu enquanto brincava na cidade de Psagot, próxima a Ramallah. [1] Um ativista palestino de 22 anos foi morto há duas semanas durante uma operação israelense em um assentamento judeu na mesma região.[2]

Benjamin Netanyahu e a extrema direita israelense insistem em ignorar os marcos dos acordos entre o Estado de Israel e as lideranças palestinas. Grosso modo, após os conflitos da Guerra dos Seis Dias e a vitória em 1967 diante do Egito, da Jordânia e da Síria, Israel ocupou a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e as Colinas de Golã. A partir daí, diferentes políticas de assentamento foram tomadas, todas elas aumentando em maior ou menor escala a construção de vilas ilegais de judeus em território dado como palestino, limitando assim as possibilidades de um acordo entre as lideranças palestinas e israelenses. Em 1993, depois de assinar os Acordos de Oslo, as forças israelenses admitiram sua retirada dos territórios palestinos num prazo de 5 anos. Apesar de ter assinado o acordo, o então Primeiro Ministro Yitzhak Rabin retomou a construção de assentamentos. Seu assassinato em 1995 deu mais poder à extrema direita israelense representada pelo partido Likud, e mais assentamentos ilegais foram construídos. Netanyahu tem continuado e ampliado tais práticas.[3]

Sem que o Estado de Israel respeite os acordos assinados até agora, poucas são as chances de que a violência pare de ambos os lados. Sem força econômica, política e militar,  resta aos cidadãos palestinos o protesto simbólico através das artes. Enquanto estadistas se digladiam nos corredores diplomáticos do mundo, as flores nos vasos-granada mantêm vivas as memórias das violências cometidas dos dois lados do conflito.

[1]http://www.nytimes.com/2013/10/06/world/middleeast/gunfire-wounds-israeli-girl-9-playing-in-yard-in-west-bank.html?src=rechp&_r=0, acesso em 8/10/2013

[2] http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2011/01/20111775441287850.html, acesso em 8/10/2013

[3]http://www.policymic.com/articles/59879/a-timeline-of-israeli-settlements-for-everyone-who-thinks-they-don-t-matter, acesso em 8/10/2013



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