Dívida consumirá mais de 1 trilhão de reais em 2014

Maria Lucia Fatorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida, explica que o volume de recursos para pagamento da dívida previsto para o ano que vem sacrificará todas as demais rubricas orçamentárias

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Por Maria Lucia Fatorelli [1],

O governo federal enviou ao Congresso Nacional a previsão orçamentária para 2014 com a impressionante destinação de R$ 1,002 trilhão de reais para o pagamento de juros e amortizações da dívida, sacrificando todas as demais rubricas orçamentárias.

Esse dado chocante explica porque vivemos uma conjuntura marcada pela falta de atendimento aos direitos fundamentais e às urgentes necessidades sociais relacionadas principalmente aos serviços de saúde, educação, transporte, segurança, assistência, etc.

Explica, adicionalmente, o avanço das privatizações representadas pela venda de patrimônio público e entrega de áreas estratégicas que representam estrutura do Estado, comprometendo a segurança e a soberania nacional portos, aeroportos, estradas, ferrovias, energia, comunicações, e principalmente petróleo.

As ofertas ao setor privado fazem parte do Programa de Investimento em Logística (PIL) e estão sendo realizadas inclusive em seminário realizado em Nova Iorque [2] em 25.09.2013, na sede do banco Goldman Sachs [3], com a participação das mais altas autoridades do governo brasileiro. Os discursos da presidenta Dilma, do presidente do Banco Central, BNDES e Ministro da Fazenda presentes no evento manifestaram publicamente a oferta de oportunidades especiais para investimentos privados no País, com a garantia de financiamentos por bancos públicos nacionais e garantias contra eventuais riscos, oferecendo não só o patrimônio, mas convocando o setor privado para participar da gestão do País.

É evidente que a exigência de crescentes volumes de recursos para o pagamento de juros e amortizações da dívida tem impedido a realização dos investimentos necessários, o que tem sido utilizado como justificativa para a contínua e inaceitável entrega de patrimônio estratégico e lucrativo.

Cabe realçar especialmente a campanha contra o leilão do Campo de Libra, agendado para outubro próximo, quando se pretende rifar reserva de petróleo superior à soma do que já foi leiloado nas outras quinze rodadas já realizadas durante os governos de FHC e Lula.

De acordo com dados do Sindipetro – RJ, a riqueza do pré-sal coloca o Brasil entre os três maiores produtores de petróleo no mundo. Considerando o disposto em nossa Constituição Federal, a capacidade da Petrobras e o compromisso assumido pela Presidenta Dilma [4] durante sua campanha eleitoral, não há justificativa plausível para o leilão anunciado, por isso todos devemos apoiar e reforçar a campanha “O petróleo tem que ser nosso” [5], repudiando e requerendo o cancelamento desse leilão.

Para continuar alimentando o Sistema da Dívida em âmbito nacional e regional, o governo sacrifica o povo com pesados tributos, ausência de retorno em bens, serviços e investimentos, e ainda rifa o patrimônio público. Por isso perseveramos com os trabalhos da Auditoria Cidadã, exigindo a realização da auditoria e completa transparência desse perverso Sistema da Dívida.

[1] Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida www.auditoriacidada.org.br
[4] Fala da Presidenta Dilma durante a campanha de 2010: http://www.sindipetro.org.br/w3/
[5] O petróleo tem que ser nosso: http://www.apn.org.br/w3/


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4 comments

  1. Roberto Responder

    Parabéns aos envolvidos, em especial aos que disseram que jamais iriam se envolver!

  2. JoseArlindoSDesouza Responder

    Parabéns à Maria Lúcia pelo artigo. Precisamos, se necessário, ir às ruas pedir a auditoria dessa dívida. O Peru conseguiu reduzir a sua em 70%!!!

  3. Sérgio Beno Malschitzky Responder

    Só o mega-campo de petróleo de Libra, se fosse explorado pela Petrobras, como prevê a Lei da Partilha, renderia isto aos cofres da União!


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