A Travessia PSB/REDE

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A ordem era abater o pássaro antes que alçasse voo. Assim se fez.

Houve o julgamento no TSE em que juízes constrangidos afirmaram o seu pesar com a negativa de registro legal ao partido, outros elogiaram a lisura com que foi efetuada a coleta de assinaturas, a base social, os princípios éticos; até o representante do Ministério Público Eleitoral, dias antes, manifestou seu pesar em negar registro a um “partido que tem um filtro ético diferenciado e mais qualificado”, além de apontar incoerência com o fato de o mesmo Tribunal ter concedido registro legal a Partidos de Negócio,com certidões fraudadas e acordos venais. Ainda assim negaram a possibilidade de a REDE apresentar candidaturas por sua própria legenda. A alegação foi que faltaram 50.000 assinaturas certificadas pelos cartórios eleitorais. Mas se a exigência legal era de 492.000 e foram coletadas 910.000 assinaturas, bem como a estruturação e funcionamento legal da REDE aconteceu em muito mais unidades da federação (16) que o mínimo legal (9, com um mínimo de 0,1% de apoio do eleitorado), o que, de fato, aconteceu?

As certidões somente eram enviadas aos cartórios após um filtro e checagem dos apoios, descartando previamente aqueles que continham alguma inconsistência. Ainda assim foram entregues 660.000 apoios; sendo 210.000 rejeitadas pelos cartórios, sendo que 95.000 dos quais, foram simplesmente devolvidos sem qualquer motivação, em completo desacordo com a lei, que diz que todo ato administrativo precisa ser justificado. Houve também a negativa em relação a 5.000 apoios, com a alegação de que aquelas pessoas já haviam apoiado a criação de outro partido, ou de mais 5.500 com apoio de pessoas filiadas a outros partidos, e assim por diante; mas lei permite que tal aconteça, pois são assinaturas de apoio e não filiação a um partido. O recurso interposto pela REDE, junto ao Tribunal Eleitoral, era exatamente para que essas injustiças fossem corrigidas. Não se fez justiça e assim aconteceu o primeiro golpe judicial-cartorial contra a legítima vontade de milhares de brasileiros e de milhões de eleitores, conforme apontam as pesquisas. Este é o fato.

Abatido o pássaro, esperava-se que ele nunca mais voasse. Ele voou.

Antes mesmo do golpe judicial-cartorial, a ordem de abate ao pássaro já estava em andamento. Primeiro com as calúnias, as infâmias, as mentiras, os preconceitos e os ataques pessoais; tudo disseminado em ambiente virtual ou real, através da força de um poder que acredita que tudo pode. Esta interdição do debate visava criar ambiente propício ao abate pretendido. Se no campo institucional lograram êxito, no político e social o efeito foi inverso.

Uma pomba estendeu as asas, a pomba branca do socialismo brasileiro. Voamos juntos.

O inesperado acontece. Os que idealizaram o abate da REDE imaginavam dois cenários possíveis. Que o pássaro, abatido e sem asas, se recolhesse, conformando-se na confortável posição de consciência crítica, defendendo os ideais da sustentabilidade (ambiental, social, econômica e política), da diversidade (cultural, ambiental e de ideias) e da ética, mas sem interferência real no processo político em curso. Outro cenário imaginado seria o voo em asas emprestadas; para esta alternativa os atiradores já estavam a postos, retomando a artilharia das mentiras e infâmias. Foram surpreendidos.

Grandeza e humildade foram os meios para que o pássaro seguisse voando.

Grandeza porque se pensou nas ideias, nos princípios, no país, no povo. Ideias que devem seguir voando, princípios que devem ser alcançados, e o quanto antes.  Houvesse maior preocupação na construção de imagem ou carreira política, certamente o caminho seria esperar novo período eleitoral e seguir impoluto; mas neste caso estaríamos pensando em nós e somente em nós.

Humildade porque se agiu com simplicidade e a consciência das próprias limitações. Era preciso juntar forças, compor ideias, tolerar no tolerável e intransigir no intransigível. Unimo-nos com quem queria unir, ouvimos quem queria ouvir, falamos com quem queria falar junto.

Manter os acertos, corrigir rumos, criticar com fundamento e seguir sonhando. São os desafios da travessia PSB/REDE.

Não é fácil. O Brasil é um país grande, diverso, são tantas as contradições. Há que encontrar denominadores comuns. Este é desafio das candidaturas de Eduardo Campos e Marina Silva. Manter a estabilidade da moeda e ao mesmo tempo permitir que o país se desenvolva e distribua renda. E para isso é necessário dizer que o atual governo escorregou na política econômica, provocando a volta do mais alto juro real praticado entre todas as nações; dizer isso é dever de lealdade ao país, do contrário a economia seguirá instável, provocando mais desindustrialização e menos investimentos sociais, que voltam a ser drenados para o capital especulativo. Outro desafio é seguir com a inclusão social desencadeada na última década e ir além, promovendo emancipação educacional e econômica, mostrando que inclusão social é muito mais que o acesso aos bens de consumo adquiridos por um endividamento cada vez mais crescente.

Estabilidade econômica com inclusão social. Desenvolvimento com respeito ao ambiente. Diversidade cultural, tradição e invenção. Estes são os nossos desafios, que só poderão ser alcançados com uma prática política que seja ética, sustentável e realizada no fortalecimento da democracia; construída a partir de uma agenda de longo prazo, de nação e não de partidos, para além de imediatismos eleitorais e do “toma lá da cá” cada vez mais despudorado.

O pássaro voa para ir além.

São dois pássaros em um voo transitório, respeitando as diferenças e singularidades de cada um, fortalecendo-se mutuamente; e que desejam se unir a outros, e mais outros, até fazer uma grande revoada para além dos partidos políticos em sentido estrito. E mesmo depois das eleições, em ganhando a confiança do povo, ainda assim, vão juntar mais outros. O país carece de bons formuladores e gestores de políticas públicas, por que desperdiçá-los? Há tanta gente boa, pronta para colaborar com o país, a maioria sem filiação partidária e outros com filiação, mas que simplesmente são excluídos por não pertencer ao mesmo campo político dos governantes de plantão. Isto é uma partidocracia, que segrega e separa, governa com os despreparados, que “se serve e não serve”. Um bom resultado da união PSB/REDE deverá ser o fortalecimento da ideia de um Estado Público, a serviço da nação e não dos partidos, em que os cargos de governo, de chefe de seção a ministro, tenham que ser preenchidos a partir de critérios e requisitos previamente estabelecidos e que os planos de governo sejam pensados para as próximas gerações e nunca mais para as próximas eleições, como se vê acontecer cada vez mais.

Para além de um programa de governo, queremos construir uma Agenda de país, de longo prazo, com Estado Público e laico, Diversidade, Sustentabilidade, Radicalização Democrática. Estes são os desafios da travessia PSB/REDE e todas e todos que desejarem voar juntos serão bem vindos!

O voo já começou.

 



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2 comments

  1. Claudemir Luz Carvalho Responder

    Agora, confortados e consolados e conscientes da necessária coligação, para o futuro, espera-se que o Núcleo Vivo da Rede, pona-se à serviço nesse voo. O Brasil, o PSB e a política ouviu falar tanto da militância da Rede e espera que ela faça a diferença, diferencial em estatuto, em conhecimento, em habilidade e em atitude, Vamos #Rede.!

  2. Ramon Pereira Campos Responder

    Caros Companheiros ( Eduardo e Marina),

    Voces simbolizam neste momento, todos os cidadãos de Nosso País, que anseiam por uma nova forma de operacionar a coisa política inversa deste modelo compra e venda valido, que niguém suporta mais. Contem conosco ! ! !

    Gostaria agora de dar as boas vindas a Marina que ousou como poucos estategistas, ser um dos ingredientes dessa nova química que iniciou este “Fluxo” com todo potencial de revolucionar o modo operadis da velha politica.

    Sou filiado ao PSB/Juiz de Fora/MG., desde 1989. Já participei de vários momentos (eventos) do partido. Fui em congressos em Brasília, Maceio, Rio de Janeiro. No congresso em Belo Horizonte, acho que em 1993, na porta da Assembléia Legislativa, tive a feliz oportunidade de dar as boas vindas ao osso Velho Arraes e aconpanha-lo à plenária. Sempre acreditei ser possível. Sempre acreditei na Utopia !!!!!

    Saudações Socialista,
    Ramon Pereira Campos


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