Após fim da greve dos professores do Rio, site de sindicato sofre ataque hacker

Paralisação terminou conforme decisão aprovada em assembleia ontem (26), que teve votação apertada e durou quase seis horas

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Paralisação terminou conforme decisão aprovada em assembleia ontem (26), que teve votação apertada e durou quase seis horas

Da Redação

Site da entidade sofre ataque hacker (Reprodução)

Em greve desde o dia 8 de agosto, os professores municipais do Rio de Janeiro decidiram encerrar a paralisação ontem (25). A votação foi apertada, sendo necessário fazer uma contagem de votos. A decisão pelo fim da greve teve 1.085 votos e a continuação recebeu 889. Também houve 14 abstenções.

Hoje (26), o site do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) sofreu um ataque virtual, onde aparece uma mensagem chamando a direção de pelega, e que “perdemos feio”. “A greve da educação, pelo momento no qual ela foi deflagrada, tinha tudo para obter ganhos históricos de fato”, diz a mensagem, que alega a suposta derrota ao governo truculento, à direção do sindicato, “que serve a interesses partidários” e “aos colegas docentes que reclamam de tudo e de todos na sala dos professores simplesmente se fizeram de mortos diante da greve, isolando quem teve coragem para dar a cara a tapa”.

Na assembleia realizada ontem no Clube Municipal, na Tijuca, zona norte do Rio, as discussões foram acaloradas. De acordo com informações da Agência Brasil, durou quase seis horas até a decisão, com muitas manifestações contrárias ao acordo firmado na terça-feira (22), em Brasília, no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que prevê o arquivamento, sem punição, dos processos administrativos, inquéritos ou sindicâncias contra os servidores em greve.

Segundo a coordenadora do Sepe, Gesa Corrêa, a greve foi encerrada, mas a mobilização continua. “A categoria sinalizou, em toda a sua intervenção, que não vai sair da luta, no sentido de que ela rejeita o plano de Eduardo Paes e nós vamos continuar tentando abrir esse canal de negociação. A gente não aceita professor polivalente, a gente não aceita que a merendeira não seja chamada cozinheira, a gente não aceita percentual diferenciado na progressão por tempo de serviço e formação, um para professor outro para funcionário. Então a luta não acabou”, afirmou Gesa.

“Quando cheguei na assembleia hoje, percebi que muitos dos que estavam ali nunca tinham ido às assembleias, sequer participaram do movimento grevista. Rostos que, ao que parece, costumam aparecer em momentos estratégicos, para neutralizar uma luta que não foi lutada por eles, mas por outros colegas de profissão que, corajosamente, enfrentaram Deus e o resto do mundo para defender uma educação de qualidade e popular. Muitos colegas grevistas estavam cansados, e queriam jogar a toalha, sobretudo depois da facada nas costas que a direção do sindicato deu na própria categoria que ela deveria defender. Esses colegas eu respeito, pois joga a toalha quem briga e chega no seu limite. Mas se mobilizar para votar contra um movimento do qual não se fez parte, isso é, para mim, o cúmulo da imoralidade, da falta de caráter”, diz a mensagem hacker. “To profundamente triste e me sentindo derrotado como poucas vezes me senti na vida. Penso nos meus alunos e na minha escola sem a mínima infraestrutura para atendê-los, uma das milhares de escolas-de-faz-de-conta da rede estadual de ensino. Achei que sairia dessa greve com alguma garantia de melhoria para eles. Mas saio dela da mesma forma que entrei: um professor solitário, que se sente matando um leão por aula para tentar estimular seus alunos a viverem uma instituição que não os representa e não os acrescenta em nada.”

 



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