Ato de protesto dos jornalistas ganha adesões e traz novas cenas da violência policial

Repórter, que já estava machucada por dois disparos de balas de borracha desferidos pela Tropa de Choque da PM, ainda sofreu outra agressão estúpida por um agente da polícia de Alckmin

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Repórter, que já estava machucada por dois disparos de balas de borracha desferidos pela Tropa de Choque da PM, ainda sofreu outra agressão estúpida por um agente da polícia de Alckmin

Por Sindicato dos Jornalista de São Paulo

(Foto: Divulgação)

Fotos divulgadas na sexta-feira (25) pelo jornal O Globo mostram a covardia de um Policial Militar agredindo a repórter do veículo, Tatiana Farah. Ela já estava machucada por dois disparos de balas de borracha desferidos pela Tropa de Choque da PM, no último sábado, em São Roque, no interior do estado e, mesmo assim, sofreu agressão estúpida defetuada por um agente da polícia do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

A repórter está em licença médica e realizou exames de corpo de delito. Ela ainda sente dores no braço e na cabeça e ainda não se sentia bem. Hoje ela autorizou a divulgação de uma imagem de suas lesões (na foto, ela é agredida por um policial e no detalhe, os ferimentos da bala de borracha e golpes de cassetete).

Cenas como esta, que aconteceram centenas de vezes nas manifestações populares que ocorrem desde o mês de junho em São Paulo, causaram grande indignação na categoria e desencadearam a realização do ato de protesto contra a violência policial a jornalistas, programado para a próxima segunda-feira (28), às 17 horas com concentração na praça Roosevelt, região central de São Paulo, seguida de caminhada à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (rua Líbero Badaró, 39). No mesmo dia 28, antes da manifestação política, às 15h30, os organizadores realizam coletiva à imprensa no auditório Vladimir Herzog do SJSP.

Além das direções do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), Associação dos Repórteres Fotográficos de São Paulo (Arfoc/SP), Associação dos Jornalistas Veteranos no Estado de São Paulo (Ajaesp), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Central Única dos Trabalhadores de SP (CUT/SP) que já haviam confirmado participação no ato, o movimento ganhou nesta sexta-feira a adesão da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

A coletiva terá a presença dos presidentes do SJSP, José Augusto Camargo (Guto), da Arfoc/SP, Inácio Teixeira, e da Ajaesp, Amadeu Mêmolo, além de dirigentes da Fenaj e da CUT/SP e do diretor-executivo da Abraji, Guilherme Alpendre, junto com vários profissionais agredidos pela PM, como Sérgio Silva (que perdeu uma das vistas ferido por um disparo de balas de borracha), Yan Boechat (agredido com golpes de cassetetes) e Tatiana Farah (que somente não estará presente se não estiver bem de saúde).

O SJSP, a Fenaj, a Arfoc/SP, a Ajaesp, a Abraji e a CUT/SP têm acompanhado com preocupação a crescente violência policial contra jornalistas nas manifestações públicas. Durante os protestos de junho, o próprio SJSP produziu um relatório dos jornalistas feridos e detidos pela PM e ou agredidos pelos manifestantes.

A Abraji apontou em levantamento recente que, de vinte agressões registradas contra jornalistas, 85% foram cometidas pela PM. Em 2012, estudo do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) já apontava que o Brasil ocupava o terceiro lugar nas Américas e o 11º no mundo no ranking de impunidade de crimes praticados contra os profissionais de imprensa.

A situação é tão preocupante que, recentemente, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República reconheceu que os ataques recentes da PM a jornalistas são “resquícios da ditadura militar”.

“É chegada a hora da reação e da discussão necessária para dar um basta aos aparelhos de repressão do Estado que assumem o papel de violadores da liberdade de imprensa e dos direitos humanos. Verdadeiro atentado à democracia!”, avalia a direção do SJSP em editorial publicado na última edição do jornal Unidade.

Ato Político:

Dia 28 (segunda-feira)
Horário: 17 hotas
Local: concentração na Praça Roosevelt, região central de São Paulo com caminhada à secretaria de Segurança Pública de São Paulo (Rua Líbero Badaró, 39)



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1 comment

  1. Bordô Responder

    O problema é a repressão violenta ou o problema é quando a repressão violenta dá defeito e acontece o fogo amigo? Enquanto a Globo trabalha para criminalizar os movimentos sociais, compreendo do texto que toda essa movimentação tem a critica restrita à violência policial contra o jornalista, mero sintoma de uma repressão antidemocrática e de defesa da classe política, algo bem mais amplo em sua prática e gravidade.

    No mais, é lógico que eu abomino essa violência, mas não dá para não notar a ironia dessa situação, em que uma pessoa vai a manifestação para fabricar a informação de que a policia é boazinha e os manifestantes são violentos, iniciam os enfrentamentos, são “vândalos”, etc. e então ela própria, na complacência de sua posição, é agredida tantas vezes e por meios tão variados pela polícia que ela foi inocentar. No fim das contas, quem sabe agora O Globo não acuse o Black Bloc de omissão de socorro.


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