Entre Emicida, Marabá e a aula de José Pacheco

A entrevista de capa deste mês é com o músico Emicida. Filho da periferia de São Paulo, ele se tornou um dos ícones pops do momento

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Este é o editorial da edição 123 da revista Fórum.
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A entrevista de capa deste mês é com o músico Emicida. Filho da periferia de São Paulo, ele se tornou um dos ícones pops do momento. Emicida tem música em novela global, ganhou prêmio na MTV, faz sucesso em baladas caras e lota praças quando toca de graça, como aconteceu na recente Virada Cultural de São Paulo. Onde, às 6 horas da manhã de um domingo, ganhou um beijo na boca de Elza Soares.

Emicida é tudo isso, mas não mudou. A entrevista que você vai ler é reveladora de como o homem de hoje não esqueceu o garoto de ontem. E ao reafirmar suas batalhas do passado, afirma lutas do presente. Emicida escolheu a Ocupação Mauá para ser o cenário e o palco de lançamento do seu mais recente clipe musical. Um clipe, aliás, bem acima da média das produções nacionais. Pode-se dizer que está mais para um minidocumentário. Ao mesmo tempo autobiográfico e biográfico de uma geração.

Uma outra entrevista complementa a de Emicida, que pela sua preocupação pedagógica foi chamado por nós na matéria de professor. Nesse caso, é de fato de um professor. E um professor que entende a escola como algo mais parecido com o que Emicida faz do que talvez com o que muitos burocratas que vivem falando em educação propõem. O português José Pacheco, criador da Escola da Ponte, que virou modelo para escolas em várias partes do mundo, agora mora no Brasil e contribui com o seu conhecimento para a construção de um novo projeto, o Âncora, localizado em Cotia, São Paulo. Nessa comunidade de aprendizagem, as salas não são divididas, não há séries, notas e nada que lembre a educação tradicional. E os alunos aprendem mais do que em outras escolas, garante Pacheco.

Em sua entrevista, Pacheco vai derrubando um a um os mitos daquilo que se entende por uma boa escola. E o faz citando autores que são tratados como referências por quem defende métodos tradicionais. Autores, que, na opinião de Pacheco, as pessoas ou não leram ou, se leram, não entenderam.

Para além da educação e da cultura, Fórum esteve com a equipe Ninja do Fora do Eixo cobrindo o julgamento dos assassinatos do casal de extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva. Julgamento que resultou na absolvição dos réus. Ou seja, foi uma aula de injustiça, que contribui para a manutenção da lei do mais forte no campo brasileiro. Onde manda quem pode e obedece quem tem juízo. Porque se a pessoa ousar a questionar a injustiça, prevalece a barbárie.

O Brasil não será um país desenvolvido enquanto sua gente não tiver o direito a uma boa educação e a ser livre para lutar pelos seus direitos. E ainda estamos muito longe disso, infelizmente. F



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