Rio Branco, no Acre, investe em economia solidária e espaço público

“Todos vamos progredir. É uma mudança de vida graças ao programa de economia solidária”

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Por Moriti Neto

A matéria abaixo faz parte da edição 119 de Fórum, compre aqui.

Em Rio Branco, capital do Acre, na região Norte do Brasil, Geane Ferreira era diarista até dezembro do ano passado. Em 18 de janeiro último, recebeu a chave e a cessão de uso de uma pequena lanchonete, onde vai trabalhar com outras pessoas. “Todos vamos progredir. É uma mudança de vida graças ao programa de economia solidária”, conta.

Uma das permissionárias dos quiosques da Praça Regional III, que fica entre os bairros Edson Cadaxo, Oscar Passos e São Francisco, Geane é uma das atendidas pelo Programa de Economia Solidária na cidade atualmente administrada pelo prefeito Marcus Alexandre (PT). Um dos principais produtos das lanchonetes da praça é o famoso suco verde. A matéria-prima, a couve, sai de uma horta comunitária que fica em frente ao local e fornece outros itens para os quiosques.

(Divulgação)

Entre os responsáveis pela horta comunitária está Nilsom Souza. “Vendemos os produtos para vários bairros da região, mas esses novos clientes são fixos e mais próximos. Tem dia que compram toda a produção que temos”, comemora. O projeto de uso sustentável dos espaços vazios com hortas comunitárias é desenvolvido em parceria entre a Secretaria Municipal de Agricultura e Floresta e a Coordenadoria do Trabalho e Economia Solidária.

Os permissionários dos quiosques da praça ganhavam, em média, um salário mínimo. Agora, planejam crescer juntos, aumentar os negócios e buscam informações para atrair clientes. “Por enquanto, o que predomina é a venda de salgados e sucos, mas o projeto é aumentar a presença de elementos fortes na culinária local, como o tacacá, o caldo de cana, e descobrir o que os clientes querem mais”, explica Gelcimar da Silva, um dos novos empreendedores.

Ilana Almeida, que tem uma horta comunitária, diz que a vida da família já melhorou com o empreendimento e pretende aumentar a área plantada. “Vamos diversificar e plantar verduras, como a rúcula, que tem muita procura. Melhoramos nossa alimentação e conseguimos ter um pouco mais de conforto em casa.”

A praça possui, ainda, amplo espaço de lazer e para a prática de esportes, com o objetivo de agregar construções de espaços públicos ao fortalecimento da economia solidária. “Aqui tem esporte, lazer, emprego e renda”, enfatiza o presidente da União das Associações de Moradores de Rio Branco (Umarb), Gilson Albuquerque. De acordo com ele, as intervenções urbanísticas e sociais estão mudando a realidade dos bairros da capital acreana.

A Coordenadoria de Trabalho e Economia Solidária, além das feiras realizadas uma vez por mês, trabalha com outros empreendimentos. São 55 quiosques em praças de alimentação, três lavanderias comunitárias e cinco hortas comunitárias, que ocupam espaços vazios que beneficiam diretamente 1,5 mil famílias com emprego e renda.

Recentemente, a prefeitura de Rio Branco anunciou que está ampliando a estrutura para a realização de feiras de economia solidária, onde são vendidos produtos de jardinagem, artesanato e alimentação. Os eventos são realizados mensalmente e no final no ano em pontos estratégicos do centro, como o Novo Mercado Velho e Praça da Revolução.

(Com informações da assessoria da prefeitura de Rio Branco)

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Ecosol cresce na Colômbia e movimenta economia nacional 

(Divulgação)

A Colômbia segue como um dos países mais desiguais da América Latina. Os vários governos alinhados à política neoliberal estadunidense, com a justificativa de combate ao narcotráfico, têm ampliado o fosso de classes. No entanto, a mobilização de movimentos sociais conquistou um importante espaço institucional nos últimos anos, inclusive em relação à economia solidária. E alguns resultados se apresentam em números.

Criada com o objetivo de realizar ações preventivas e corretivas para o setor de economia solidária, a Superintendência de Economia Solidária da Colômbia, a Supersolidária, ligada ao Ministério da Fazenda e Crédito Público, do governo federal colombiano, conquistou, durante o ano passado, um crescimento de 13%, valor que é praticamente o triplo do alcançado com o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2012, de 4,5%.

De acordo com o superintendente do órgão, Enrique Valencia Montoya, esse crescimento é sintomático do bom rumo trilhado pelo setor de economia solidária no país e na América Latina. “É uma amostra da credibilidade de um setor que está empurrando forte a economia nacional. Não é por acaso que é grande gerador de empregos e de renda no país”, comenta.

As entidades cooperativas, que contam com 5,5 milhões de associados, geram 81.994 postos de trabalho e beneficiam, direta e indiretamente, 16 milhões de colombianos na cadeia produtiva e de consumo.

Hoje, a Supersolidária tem um conjunto de 5.437 empresas de economia solidária, que possuem ativos de mais de 22 milhões de pesos, capital social de 5 milhões e patrimônio estimado de 9,5 milhões. Também possui uma carteira de recursos superior a 11,7 bilhões de pesos e depósitos na casa de 6 bilhões. Para impulsionar os empreendimentos, a Superintendência reúne 185 cooperativas de crédito e 1.466 fundos
de trabalhadores.




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