Aliança Público-Privada é aprovada no Paraguai

Cem mil pessoas nas ruas não impediram que os senadores aprovassem a lei, que permite ao Executivo tomar decisões sem consultar o Legislativo e prevê privatizações

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Cem mil pessoas nas ruas não impediram que os senadores aprovassem a lei, que permite ao Executivo tomar decisões sem consultar o Legislativo e prevê privatizações

Por Mariana Serafini, de Ciudad Del Este

Em Asunción, após a aprovação da lei, a repressão policial foi intensa (Foto: Mariana Serafini)

Proposta pelo presidente colorado Horácio Cartes, a lei de Aliança Público-Privada foi aprovada pelo senado na noite de segunda-feira (28). Três horas depois o presidente postou em sua conta oficial no Twitter um agradecimento pela aprovação. Enquanto isso, mais de cem mil pessoas saíam às ruas no Paraguai para dizer não à medida neoliberal.

Agora aprovada, a APP permite ao poder executivo tomar decisões sem consultar o Legislativo e prevê a privatização de patrimônios estatais – estradas, aeroportos, sistema de educação, saúde e distribuição de energia – através de aliança com setores privados.

Em todo o país as palavras de ordem eram unânimes, “APP No!” e “Fuera, Cartes”. Mais de 60 pontos de mobilização, boa parte das manifestações foram articuladas pela Frente Guasu, coalizão dos partidos de esquerda cujo dirigente é o senador Fernando Lugo. Durante as semanas que antecederam a manifestação a Frente Guasu fez diversas reuniões com organizações campesinas e urbanas em todo o país para alertar o povo sobre os riscos da APP.

Em Asunción, logo que aprovada a lei, a repressão policial foi intensa. Ainda não há dados sobre o número de feridos, mas diversos militantes e alguns jornalistas foram atingidos por balas de borracha e bombas de efeito moral. Os líderes das manifestações já afirmaram que o país continuará mobilizado, o objetivo agora é a revogação da lei.

Em Ciudad Del Este, fronteira com o Brasil através da Ponte Da Amizade (principal conexão entre os dois países) os manifestantes fecharam a ponte durante pouco mais de uma hora. Cerca de 3 mil pessoas marcharam em direção à fronteira, a ação teve ampla audiência tanto nos estados de Alto Paraná (PY) quanto no Paraná (BR).

Cem mil pessoas foram às ruas contra a lei (Foto: Willians Kuarahy)

Paraguai, um país fácil
Horácio Cartes segue com o discurso entreguista. Recentemente ele adotou o slogan “Paraguai Fácil” e apresenta o país, em reuniões com empresários estrangeiros, como uma feira de negócios.

Em uma reunião no Uruguai no final de semana, o presidente fez a infeliz afirmação “o Paraguai deve ser fácil, assim como uma mulher linda”. Questionado por uma repórter uruguaia sobre o machismo expressado na frase ele respondeu “se achar mulheres lindas é machismo então sou machista”.

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Lugo e o crescimento da esquerda paraguaia



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1 comment

  1. Orlando Lisboa de Almeida Responder

    Sobre a questão do Paraguai, o que agrava o problema é que as leis da Privatização da forma que foram aprovadas TIRAM da população o direito de buscar na justiça a reparação de danos que as privatizações trouxerem às pessoas. Na democracia há três poderes que tem que atuar em harmonia. Quando um poder, no caso, o Executivo de lá consegue uma lei que impeça o cidadão prejudicado pelas Privatizações de ir buscar o apoio da Justiça, babau democracia. Uma pena. Isso vai fazer o povo entrar em ebulição e não é nada bom para ninguém, inclusive no Brasil.


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