O poder público, a violência e a exclusão

Em junho de 2006, a edição de Fórum que chegava às bancas trazia uma reportagem a respeito de um mês sombrio, quando 493 pessoas morreram no período entre 12 e 20 de maio

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O editorial abaixo faz parte da edição 118 de Fórum, compre aqui.

Em junho de 2006, a edição de Fórum que chegava às bancas trazia uma reportagem a respeito de um mês sombrio, quando 493 pessoas morreram no período entre 12 e 20 de maio. Essa sequência de eventos, que caracterizou um verdadeiro massacre, contou com uma série de chacinas e pessoas executadas nas mais diversas situações, em geral por homens encapuzados. Muitos entenderam aquilo como um “mal necessário”, e até mesmo uma carta assinada por operadores do Direito parabenizava a polícia, à época, por ter “restabelecido a ordem”. 

Um revide bárbaro, comemorado por parte da sociedade. Hoje, quase sete anos depois, não só o cenário não mudou como a sensação de insegurança talvez tenha até piorado. A recente onda de violência que tomou conta da Grande São Paulo e chegou mesmo a cidades do interior guarda diferenças em relação àquela de 2006, mas também tem semelhanças que evidenciam uma triste realidade: o cenário das mortes é sempre o mesmo, as periferias, e os alvos, tanto da violência física quanto da psicológica, são seus moradores.

Da parte do poder público, pouco se fez na área que fosse diferente do que já havia sido realizado. Apostou-se em um modelo de segurança pública excludente, que viola direitos daqueles que já quase não os têm, e não se faz qualquer tipo de trabalho de prevenção, privilegiando-se as ações repressivas. É assim que a frase utilizada pelo governador Geraldo Alckmin para justificar uma das ações da polícia no estado, “Quem não reagiu, está vivo”, toma ares de uma ameaça que se estende a toda sociedade. Não devemos questionar o que vem sendo feito na área de Segurança Pública. Melhor não reagir.

O que esta edição de Fórum tenta trazer é justamente uma reflexão a respeito das vítimas que não costumam ser ouvidas nos canais da mídia tradicional, tampouco têm voz nos meios políticos para poderem assegurar seu bem-estar, cotidianamente aviltado, e mais ainda em épocas em que operações policiais transformam áreas pobres em verdadeiras zonas de exceção. Definitivamente, não é assim que iremos consolidar uma real democracia no Brasil. F



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