Um país em transição

“Primeira coisa que se pensa: segurança. Segurança é polícia, entre um cantor de rap, um padre e um policial, ele o cidadão vai eleger um policial. O voto explica.”

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“Primeira coisa que se pensa: segurança. Segurança é polícia, entre um cantor de rap, um padre e um policial, ele [o cidadão] vai eleger um policial. O voto explica.” É assim que o músico Mano Brown, capa desta edição, toca em um dos pontos mais importantes na pauta política brasileira, a violência. É também uma reflexão a respeito de como a sociedade enxerga e lida com esse problema, buscando sempre ações conservadoras e de cunho repressivo que, inevitavelmente, se voltam contra ela mesma.

Esse é um dos aspectos que teimam em não mudar naquilo que Brown chama de “novo Brasil” que nasce. Um país que conseguiu reduzir a pobreza e que trouxe algum conforto material a classes historicamente excluídas, o que lhes permite o tempo necessário para aprimorar o seu conhecimento – como ressalta o músico –, e não apenas consumir. Contudo, esse mesmo país em transição ainda sofre com uma elite que não aceita a voz que cresce cada vez mais nas periferias, buscando reconhecimento e o direito à cidade e à cidadania. E é ali, nas regiões periféricas, que existe hoje toda uma efervescência cultural, mas também social e política, apontando os possíveis caminhos futuros para o Brasil. Nesse contexto, elaborar políticas públicas que fomentem e aproveitem essa produção deveria ser prioridade para as autoridades governamentais. E algo a ser cobrado por todos.

A edição traz ainda uma matéria que apresenta os 65 finalistas e os seis vencedores do III Concurso Aprender e Ensinar Tecnologias Sociais, promovido pela Fórum em parceria com a Fundação Banco do Brasil. Os números mostram não apenas o sucesso da difusão do conceito em todo o Brasil, como também a conexão que tem sido possível fazer entre as tecnologias sociais e as experiências de professores que envolvem as comunidades nos entornos dos espaços educacionais.

Não é à toa que o Aprender e Ensinar foi tido pelo coordenador da Secretaria de Educação Básica do MEC, Maurício Prado, como o que alcança hoje o maior número de inscritos na área em todo o País. No total, foram 4.698 inscrições de professores que trataram do tema com seus alunos, e 1.780 deles enviaram propostas detalhadas de suas iniciativas. O alcance do Concurso também evidencia o potencial que as tecnologias sociais têm para auxiliar na superação de lacunas educacionais, promovendo a interdisciplinariedade e despertando a consciência social entre estudantes e suas famílias. F



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