O que é o Instituto Royal?

Em artigo, o professor aposentado da Unicamp Carlos Alberto Lungarzo tenta desvendar o que faz o instituto, quem são seus clientes, que experimentos fazia com os beagles resgatados e como garantir o avanço ético da ciência

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Em artigo, o professor aposentado da Unicamp Carlos Alberto Lungarzo tenta desvendar o que faz o instituto, quem são seus clientes, que experimentos fazia com os beagles resgatados e como garantir o avanço ético da ciência. Leia abaixo.

O Que é o Instituto Royal?

ou

Todo aquele que vive da ciência é mesmo cientista?

Por Carlos Alberto Lungarzo

Ativistas dos direitos animais, desarmados, entraram num bunker de tortura de bichos protegido por guardas, para liberar 178 beagles, o que deve ser considerado um gesto até agora ímpar no Brasil, análogo aos feitos dos ecologistas e os pacifistas no mundo desenvolvido.

Não é por acaso que a mídia, alguns blogueiros, os profissionais da ciência e diversos membros do establishment se unificaram numa ampla perseguição contra os ativistas.

Esta é a primeira vez que uma petição no Brasil tem 660.014  assinaturas (às 11:00, 30/10) em apenas um de vários sites que acolhem o protesto.

Os especialistas em assuntos gerais dizem que o instituto era uma referência nacional. Mas, afinal, ninguém responde:

O que é o Instituto Royal?

Busca Inglória

Durante décadas no Brasil, eu nunca havia ouvido falar do Instituto Royal de São Roque, SP. Envergonhado, comecei uma busca com pouco retorno, através da internet.

Encontrei o verbete “Instituto Royal” no Google, mas associado apenas a protestos contra o trato cruel de animais (desde 2012), ou, a partir do dia 18/10/13, associado com a liberação dos beagles. Não encontrei nenhum site nem página, que indicasse a estrutura, função, staff, propósitos e história do Instituto. Quase toda ONG têm pelo menos um pequeno site com todos esses dados, salvo que…

(Procure no Google a palavra “instituto”, e acrescente diversos nomes. Verá que todos os institutos têm um site com uma aparência como a deste aqui.)

O único que encontrei foi uma página de 23 linhas, criada nas coxas e claramente às pressas pouco após a libertação dos cachorrinhos, explicando, superficialmente e sem dados, que o Royal era muito bom e tudo estava nos conformes. Obviamente, essa “informação” só serviu para aumentar as suspeitas.

A maior dúvida era que tipo de coisa era o Royal:

Um instituto dentro de uma estrutura pública, por exemplo, da USP? Ou um instituto dentro de uma estrutura privada, por exemplo, da PUC? Um instituto federal, como o IMPA? Ou Estadual como o BUTANTÃ? Ou Privado como o ETHOS? …. Uma empresa com fins lucrativos? Uma ONG?

Alguém me disse que era uma OSCIP e procurei  nos Registros de domínios da Internet. As OSCIPS são um tipo de Organizações semelhantes as ONGs, mas que podem ter parceria com o poder público, e gozam de muitos direitos e outros tantos deveres, alguns dos quais nem sempre são bem usados. Vide.

Eis o que achei no Registro.br

Domínio: institutoroyal.org.br
Servidor DNS: ns11.srv22.netme.com.br
Servidor DNS: ns12.srv22.netme.com.br
Expiração: 2014-07-02
Status: Publicado
domínio:       institutoroyal.org.br
titular:       Inst. de Ed. p/ Pesq. e Desenv. Inov. tec. Royal
documento:     007.196.513/0001-69
responsável:   Silvia Ortiz
país:          BR
c-titular:     INROY
c-admin:       INROY
c-técnico:     INROY
c-cobrança:    INROY
servidor DNS:  ns11.srv22.netme.com.br
status DNS:    29/10/2013 AA
último AA:     29/10/2013
servidor DNS:  ns12.srv22.netme.com.br
status DNS:    29/10/2013 AA
último AA:     29/10/2013
criado:        02/07/2009 #5725335
expiração:     02/07/2014
alterado:      25/10/2013
status:        publicado
Contato (ID):  INROY
nome:          Instituto Royal
e-mail:        royalinstituto@gmail.com
criado:        25/10/2013
alterado:      25/10/2013

O problema continua. Onde a gente encontra tudo isto: o histórico “científico” do Royal, seus protocolos experimentais, a lista de seus colaboradores e clientes, os produtos realmente aplicáveis que foram viáveis graças a seus testes, os registros de suas experiências longitudinais, etc.

Aliás, é o Royal conhecido no exterior? Qualquer Instituição Brasileira respeitável é conhecida em todo Ocidente, pelo menos, pelos especialistas. Esta pergunta é relevante, porque nem organizações radicais de defesa dos animais, como PETA (vide), incluem o Royal na sua lista de desafetos. Ou seja, para os ecologistas, Royal nem merece aparecer na lista dos vilãos.

Formulo em minha própria linguagem uma pergunta que já fez a batalhadora atrizLuisa Mell: Por que ninguém, salvo as elites e as forças repressivas, consegue entrar nesse maravilhoso instituto? (Veja o blog de Luisa aqui?).

Aliás, o Royal obteve seu credenciamento pelo CONCEA (Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal) somente em 2013, mais precisamente há poucas semanas. O Deputado Estadual por São Paulo, Fernando Capez fez notar, num incisivo e emocionante discurso na ALESP que, sendo assim, nos anos anteriores de funcionamento as experiências não eram supervisionadas. Mas as coisas estranhas continuam: Em 2012, apesar disso, o Royal recebeu oficialmente R$ 5.249.498,52. Para quê? O lugar onde está instalado o Royal foi declarado para funcionar comocanil. (Vide). Estranho, se até poucas semanas atrás a finalidade era outra e não havia fiscalização do CONCEA, então os testes e as torturas de animais poderiam ser aplicados sem qualquer protocolo a verificar.

De acordo com as generosas regras, uma Oscip tem cinco anos para se credenciar. Então, o Royal não estava em infração de acordo com a lei. Mas, seus trabalhos começaram, dizem, em 2005. Então, como é possível que as autoridades do Royal digam ao jornal O Estado de São Paulo, que os ativistas defensores dos animais “fizeram perder 10 anos de pesquisa”? (vide, 2º par.)

Isto significa que, nos primeiros 5 desses 10 anos, o patrimônio genético coletado estava em outros institutos e foi transferido ao criar o Royal, ou que foi acumulado por pesquisadores individuais ou pequenos grupos que se uniram para formar o Royal, ou alguma outra coisa igualmente espúria.

 

Intermezzo: Ciência e Ética

A ofensiva dos mercadores de animais para tortura tem atraído o mais sujo e infame da mídia, como a famosa revista subvencionada por racistas sul-africanos. Esta, em maior medida, mas também outras, aparentemente menos rasteiras, fazem gozação dos argumentos dos defensores de animais (DA, doravante) como: “Você nunca deu um remédio a seu filho doente? Ele foi testado em animais.” Estas insanidades confundem os leigos, que passam a ter um ódio irracional pelos ativistas, mas a motivação é apenas sede de lucro.

Cuidado! Muitos defensores de animais, especialmente líderes, aconselham calma e mesura aos seus colegas em suas ações, porque a comunidade científica está quase totalmente contra os ativistas. E como se pode pensar que a ciência, que foi a arma maior da racionalidade contra a superstição e o preconceito, possa incorrer nas mesmas provocações? Por exemplo, o ministro de Ciência, Marco A. Raupp, doutorado na University of Chicago sob a orientação de Jim Douglas Jr. com uma tese sobre métodos de Galerkin, uma tese séria, diz coisas como “isto se faz em todo o mundo, não apenas no Brasil”. Isso é um argumento próprio, ou melhor, suficiente para um matemático?

Bom, os DA’s, mas especialmente os de esquerda, como em meu caso (há DA’s de diversos estilos: religiosos, apolíticos e até de direita, como Brigitte Bardot), devemos nos confrontar com uma nova massa poderosa, além dos que têm as armas, o poder institucional e o dinheiro, agora aparecem os cientistas. Nossa! Um caso para que Clark Kent se transforme em Super Homem.

Mas, as coisas não são assim tão lineares. A relação entre ciência e sociedade é um problema complexo que têm séculos de história, começando com o confronto de Marx e Engels com os positivistas e malthusianos. Podemos, pelo menos, fazer uma observação geral até retomar a questão em outro texto.

Leia também:
A ciência e os beagles

O que hoje se chama “ciência” (chamada até 1844 Filosofia Natural, quando Wheeler aplicou a ela o termo science) foi filha da velha filosofia especulativa, cujos mitos e divagações combateu desde a época antiga (Epicúreos contra os dogmas Aristotélicos) e a época medieval (Escola de Oxford contra as invencionices de Santo Tomás), até crescer e poder prescindir totalmente da filosofia especulativa, com Galileu, Newton e a brilhante era da razão dos séculos 17 e 18. Quando Newton inicia seus Princípios Matemáticos da Philosophia Natural, deixa claro: a física (filosofia natural) se ocupa da matéria.

Ora, se a ciência está fundada sobre o empirismo e o racionalismo em ação conjunta, como é possível que a grande massa dos cientistas esteja equivocada? Esse é o ponto.

Os cientistas não estão equivocados. Mas nós devemos diferenciar entreracionalidade científica racionalidade ética. Quando estas estiverem integradas o mundo será uma maravilha, agora podemos reconhecer essa integração nas obras de algumas poucas figuras brilhantes da história da ciência do século XX como Bertrand Russell, Linus Pauling, Noam Chomsky… e muitos seguidores desconhecidos.

Muitas pessoas bem intencionadas, mas que desconhecem o ventre do mundo científico, confundem um fato absolutamente verdadeiro: (a) A ciência é a única forma de conhecimento objetiva, justificável, sistemática, aproximadamente explicativa, e produtora de enunciados crescentemente confirmáveis; com um falso: (b) Os cientistas são atores sociais que usam esse conhecimento para bem do mundo, de maneira ética e generosa.

Esta fábula pintada em (b), minha geração leu quando criança nos livros da moral oficial, mas basta chegar a adolescência para saber que não é assim a coisa real. As provas são esmagadoras: Alguém duvida que o 3º Reich teve de seu lado não apenas engenheiros, médicos e tecnocratas, mas também grandes cientistas, físicos, químicos e biólogos? Quantos prêmios Nobel em física trabalham na produção de bombas atômicas? Seria possível a Guerra química sem especialistas na área? Quantos prêmios Nobel americanos trabalham para o Pentágono, para a NSA, para a CIA? Quantos químicos e biólogos se especializam em drogas usadas em tortura?

A ciência é, grosseiramente falando, um conhecimento verdadeiro. Saber a verdade permite a você gerar ações com alta probabilidade de sucesso. Essas ações, porém, não têm moral própria. É o ator social que as dota de moral. Uma mesma teoria pode servir para construir um mundo melhor, ou para enriquecer donos de laboratórios, fabricantes de armas, exércitos, vigaristas e genocidas.

Então, os cientistas com ética pragmática não são inimigos novos. Eles são apenas executores, numa área da sociedade, dos interesses dos antigos inimigos: os grandes grupos econômicos.

Este foi um intermezzo. Volto ao Instituto Royal.

Dramatis Personae

No rodapé da página que o Royal colocou na Internet  institutoroyal.org.br, há um link que promete mais informação. Clicando, aparece um vídeo onde uma senhora fala das virtudes do Royal e da malignidade dos invasores.

Essa senhora é mencionada pela mídia como Silvia Ortiz, mas também aparece em alguns outros lados como Sílvia Barreto Ortiz.

No único lugar onde existem dados que podem dar um perfil de Ortiz é na biblioteca da UNICAMP onde aparece sua dissertação de mestrado. Aí, ela está inscrita como:Silvia Colletta Barreto da Costa Ortiz.

Mas, seu nome não aparece na plataforma de currículos  Lattes. Nesta plataforma, mais de um milhão de pessoas vinculadas com o mundo da ciência inscrevem seus currículos. Qualquer pessoa interessada em atuar na área científica pode fazer isso: doutores, mestres, graduados, estudantes, técnicos, até autodidatas.

Procurando no buscador do Google, encontrei 34 referências a Silva Barreto Ortiz, a maioria vinculada com o incidente dos Beagles. Veja aqui. Nunca vi um cientista, mesmo jovem, ter menos de um milhar de referências. Poderia supor-se que Ortiz tem algum interesse em passar despercebida.

Mas, ela aparece sim no depósito virtual de dissertações e teses da UNICAMP. Este é um procedimento padrão da Universidade, e não depende da vontade do autor. Em 02-12-1996, defendeu uma dissertação de mestrado no Programa de Genética e Biologia Molecular.

Nesse acervo (vide) a busca devolve apenas um resultado, que é uma dissertação demestrado orientada por Julia K. Sakurada. A dissertação pode ser baixada por qualquer pessoa que preencha um breve cadastro no mesmo site. O trabalho estuda os aspectos genéticos da resistência de camundongos a certo agente patógeno. A dissertação confirma afirmações feitas por Ortiz nos últimos dias sobre a necessidade de usar animais saudáveis em experimentação, para evitar contaminação. Seu mestrado parece atentar à criação de um biotério de animais sãos, como sua atual atividade na USP confirma. Nesta universidade, Ortiz aparece como diretora dos biotérios, mas não temos encontrado nenhum dado relativo a seu doutorado.

No site do Institut Pasteur, de Paris (vide), encontramos  81 referências a “Ortiz”, mas todas elas se referem a pessoas com nomes diferentes de “Silvia” ou qualquer outro da gerente do Royal. Doutorado não significa sabedoria, muito menos ética, mas fico intrigado por saber onde Ortiz fez o seu. Fez?

Silvia Barreto Ortiz é também presidente do COBEA (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal). O colégio aparece em seu estatuto (vide) como uma “sociedade civil, de caráter científico cultural, sem fins lucrativos”. Segundo isso, se sustenta com as mensalidades dos sócios.

Não Apenas Animal Testing

O fato de que Ortiz estivesse vinculada à Unicamp e a USP foi usado como uma credencial de virtude por parte de cientistas e comunicadores. Não pode criticar-se esta adoração quase religiosa pelas pessoas instruídas (que raramente se vê em outros países) numa sociedade onde até ter uma escola primária de mínima qualidade é um grande privilégio, e onde as grandes universidades, especialmente as paulistas, se gabam de seu ranço elitista.

Contudo, apesar de estar num dos setores com menos demanda por parte do capitalismo (lógica matemática e história da ciência), nos 19 anos na Unicamp pude perceber que era difícil encontrar algum colega do campus que não fizesse parte de um convênio, ou tivesse uma consultoria paga através de fundações da mesma universidade, ou superpusesse mais de uma dedicação “exclusiva”, ou que não desse prioridade a seu consultório, escritório, empresa de planejamento ou assessoria, e assim em diante, sem faltar o caso de acúmulo de salários de dois países, embora esses casos fossem raros.

Mas, também a Unicamp tem um histórico sobre experimentação animal muito especial. Pelo menos no único caso que foi divulgado, usaram-se membros da espécie homo sapiens para experimentos com anticoncepcionais Norplant, que produziram danos catastróficos dos quais ninguém foi responsabilizado.

Não é possível dar referências on-line, porque os sites que denunciaram o caso foram desativados pouco depois, por causa de ordens de ninguém-sabe-quem. Era o período entre 1985 e 1993, e a Unicamp coordenou uma ação da qual umas vinte universidades brasileiras se tornaram cúmplices.

A médica Giselle Israel e a socióloga Solange Dacach se arriscaram a fazer uma detalhada pesquisa num universo de 3.544 mulheres das favelas do Rio de Janeiro, até onde os experimentadores chegaram com suas amostras de Norplant. O trabalho das denunciantes foi publicado no Brasil, mas anos depois saiu de circulação. Finalmente, o livro foi publicado em Texas. O leitor encontra uma versão no setor Google books, aqui:

The Norplant Routes-Detours of Contraconception.

Os experimentos em mulheres, pobres e afrodescendentes em sua maioria, foram feitas no Brasil, pois na Finlândia, pátria da matriz, bem como em outros países, as leis proibiam a experimentação em humanos, salvo no caso de voluntários. No caso em apreço, as mulheres nem sabiam exatamente o que estavam recebendo.

A droga não apenas barrou a concepção, como também deixou muitas mulheres estéreis. Além disso, as vítimas sofreram cefaleias (26%), agitação, ansiedade, confusão e agressividade (20%), obesidade (18%) e uns 10% de cistos, queda do cabelo, lesões ao útero e infeções.

Mesmo assim, o coordenador do experimento da Unicamp, o ginecologista LB, afirmava que o Norplant era totalmente confiável.

Nosso atual ministro de ciência talvez teria dito: “Por que tanto alvoroço? Não somos os únicos em fazer experimentos.” Com efeito, o Norplant foi experimentado em 24 países, míseros quintais do 3º mundo habitados por pessoas esfomeadas e marginalizadas, e alguns deles governados por ditaduras.

Não é raro, então, que os cientistas apoiem sem qualquer restrição experiências em animais não humanos, sendo que os experimentos com humanos só podem ser feitos em lugares muito afastados e discretos e isso custa dinheiro.

Quem tem possibilidade de fazer pesquisa de arquivos de jornais, pode ler a reportagem do Jornal do Brasil, caso a página não tenha sido censurada.

LEAL, L. N. Entrevista com Marinete Souza de Farias. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de maio 1997.

Algumas pessoas talvez ainda guardem o livro original

ISRAEL, G; DACACH, S. As rotas do Norplant: desvios da contracepção. Rio de Janeiro: Redeh, 1993.

Na busca que fiz com os indicadores “silvia ortiz” e os expandidos “silvia barreto…”, com ou sem acento, seu currículo não é encontrado. Se quiser experimentar por sua conta, procure “cnpq”. Todo cientista tem interesse em figurar no Lattes, inclusive aqueles que abandonam definitivamente a ciência. Meu currículo, desatualizado, é claro, ainda se conserva após de 7 anos de aposentado da vida científica.

O Mistério do Royal

É óbvio que o Royal e seu staff estão tentando se esconder, e isso parece ter sido sua atitude desde o começo. As hipóteses sobre as causas deste mistério podem ser várias, mas todas são da mesma índole.

A “fabricação” de animais sãos, para serem alvo de experimentos e depois descartados, deve ter parecido um negócio original e graúdo aos misteriosos e anônimos fundadores do Royal. Com efeito, tendo como padrão de comparação o trato dos doentes pobres nos hospitais, é evidente que os animais usados em experimentação deviam estar eivados de diversas pestes, e os efeitos neles não poderiam ser apreciados. Então, uma ideia brilhante: laboratórios estrangeiros pagariam muito bem por experimentos feitos em animais saudáveis.

Ora, sendo que o Brasil não assina quase nenhum acordo internacional sobre proteção aos animais e os poucos que por ventura tenha assinado não respeita, esse mistério não seria necessário. Mas há outras razões; algumas são mais sociais, outras mais econômicas.

Uma razão é que o povo brasileiro, com seu singular naturalismo e sua sensibilidade com os animais, promoveria, como aconteceu neste caso, uma reação muito grande se todas as atrocidades ficassem óbvias como estas.

Mas, a quem beneficiam estes atos de sadismo na experimentação com animais?

Se descartarmos as disfunções psiquiátricas de alguns pesquisadores (Vide) fica o grande negócio da produção de animais para experimentos tortuosos.

Com efeito, a realização de numerosos experimentos cruéis onde se mutilam, esquartejam, cegam, queimam e matam milhares de animais, diminui as despesas dos laboratórios, pois é menos caro que experimentos In silico (simulação com computador) ou in vitro (ensaio com culturas).

Estas duas são formas que, combinadas com experimentações reversíveis e indolores em animais não humanos e em voluntários humanos, substituiriam totalmente a prática atual de tortura e extermínio massivo de bichos.

Por sinal, os argumentos que pretendem que as culturas também exigem experimentação animal são falaciosos. O soro fetal bovino usado em muitas culturas, pode ser extraído mediante uma cirurgia com anestesia. Isto se faz com cavalos de raça e touros reprodutores, cuja saúde é cuidada pelos veterinários dos magnatas muito mais que a de qualquer humano. Quanto à extração do feto sob anestesia é, simplesmente, um aborto. Sendo o aborto aceitável em humanos, por que não seria em animais?

Imagino que os principais clientes sejam laboratórios estrangeiros, sendo que, qualquer que seja o grau de civilização de um país, os capitalistas preferem dinheiro e não direitos, sejam animais ou humanos.

Neste sentido, em muitos países de Europa, e inclusive nos EUA, há restrições para o uso de animais em experimentos. O Animal Welfare Act (Laboratory Animal Welfare Act of 1966, P.L. 89-544) restringe o uso de animais de sangue quente, salvo algumas espécies de ratos. Obviamente, proíbe totalmente a tortura de bichos domésticos, especialmente gatos e cães, que não podem ser utilizados mesmo mortos, por causa da dificuldade para saber de que maneira morreram.

A União Europeia possui diversas restrições de acordo com o país, mas o Testing ban de cosméticos é válido em todos eles (vide). É muito provável que o Royal tenha nesses laboratórios de cosméticos, bem como nos dos produtos de limpeza, seus principais fãs. Um especialista não identificado que colaborou no exame dos beagles teria dito que as raspagens de pele em frio era típica de experimentos com cosméticos.

Se os ativistas se informam o suficiente com cientistas sensíveis (que existem) e pressionam seus parlamentares, poderão conseguir que o Instituto seja desativado, e seus responsáveis indiciados por crimes ambientais. É possível que haja pessoas que sabem exatamente o que acontece no Royal, e que, se lhes fosse dada proteção, talvez falassem. Essa é a esperança. E permitirá um grande avanço ético na ciência.

Carlos Alberto Lungarzo é matemático, nascido na Argentina, e mora no Brasil desde sua graduação. É professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), São Paulo, e milita em Anistia Internacional. Tem escritos vários livros e artigos sobre lógica, estatística e computação quântica, mas seu interesse tem sido sempre os direitos humanos.


No artigo

38 comments

  1. Daniela Bianchini Responder

    Ao Professor Carlos Alberto Lungarzo:

    Professor, parabéns! Excelente abordagem. Eu, estou envolvida emocionalmente nesta polêmica, pois sou contra os testes em animais independente de qualquer coisa, mas como sou bióloga e tenho muitos colegas que se tornaram os atuais “anti-ativistas”, lancei a seguinte pergunta no facebook, para a qual não obtive nenhuma resposta:

    Tenho uma pergunta, especialmente, para meus amigos biólogos pesquisadores e para quem trabalha com licenciamento ambiental.
    O que vocês acham da seguinte situação, HIPOTÉTICA: Uma mineradora X encontra-se em atividade em uma determinada localidade, despertando contrariedade pública (de ongs e ambientalistas). Suponhamos, que estas ongs descubram que esta mineradora encontra-se em plena atividade sem a devida licença de operação (dentre outras irregularidades). Os ativistas, então, denunciam o caso no Ministério Público, na polícia, nos órgãos competentes e ninguém faz nada. Aí, os ativistas resolvem invadir a área da mineração e paralisar, na “marra” suas atividades. NESSE MOMENTO, o Ibama resolve interferir com um pronunciamento contra estes ativistas, declarando-os como irresponsáveis e criminosos que comprometeram o desenvolvimento econômico de todo o país. Ao questionarem ao Ibama, o porquê de a mineração ter funcionado por tanto tempo sem a licença de operação, mesmo a despeito de todas as denúncias, o Ibama resolva simplesmente ignorar o questionamento e continue afirmando que a mineradora X, é uma empresa séria e que os ativistas são criminosos e interromperam atividades que gerariam “bons frutos” para o país. E aí? Vcs acham que isso seria um acontecimento bastante grave, que colocaria em jogo a credibilidade do Ibama? Ou acham que seria normal? Vocês acham que é grave o comprometimento da credibilidade de uma instituição como o Ibama ou acham que é normal?
    Ao meu ver, foi mais ou menos isso que ocorreu, realmente e não hipoteticamente, no Instituto Royal (no caso, com o CONCEA no lugar do Ibama e com o Instituto Royal, no lugar da mineradora X) :
    Os ativistas fizeram a primeira denúncia contra esse instituto em 2009. Há um ano começaram as manifestações. Durante todo esse período, o Instituto funcionou com alvará de funcionamento para CANIL. O Instituto Royal, dito o maior centro de pesquisas do Brasil (isso foi dito pelo próprio Instituto e pelo Marcelo Moralles, coordenador do CONCEA) que faz experimentos há anos, só foi cadastrado no CONCEA em agosto deste ano (2013), no auge das manifestações, há exatos dois meses (29/08/2013). A vigilância sanitária foi impedida de entrar neste instituto que recebeu em 2012 mais de 5 milhões de verba pública federal para realizar seus experimentos. Diante das manifestações e denúncias ao MP, só foi permitida a entrada ao biólogo indicado pelo MP diante de agendamento prévio de data e horário com o Instituto. Este mesmo biólogo questionou o fato de que ao agendar uma visita para a “fiscalização”, o Instituto pôde armar o cenário que queria para apresentar ao MP. Diante das pressões dos ativistas, que acamparam na porta do instituto, no dia da “invasão” um funcionário do instituto começou a enviar fotos e informações aos ativistas de que estavam matando os animais multilados lá dentro para “limparem” o local e permitirem a entrada da polícia depois de “sumirem” com as provas. Os ativistas fizeram a denúncia pra 3 juízes que não se manifestaram. Fizeram denúncia na delegacia, pedindo apenas para que verificassem as denúncias. E a polícia não fez nada também. Então eles apresentaram as provas para os policiais que estavam na porta do instituto e começaram a pressionar a polícia a agir ou deixá-los agir. Eu mesma, acompanhei tudo isso, ao vivo, pela internet. A polícia então, permitiu a entrada deles. Nas fotos e vídeos da “invasão” você pode ver os policiais de braços cruzados ao lado. Isso quando não estão ajudando. Ou seja, de roubo eles não podem ser acusados ou a polícia seria, no mínimo, cúmplice. Além disso, existe um artigo na CF que diz que no caso da ocorrência de crime em local público ou privado, a entrada de qualquer um é permitida para impedir a continuidade do crime. A lei ainda é clara dizendo que, neste caso, não se trata de invasão. Reparem que não estou dizendo que o crime era o fato de que estavam sendo realizados experimentos em animais ali e sim, que os procedimentos ali, naquele instituto, estavam ocorrendo de forma ilegal, o que acabou por configurar os experimentos em crimes de maus tratos contra animais e em crime ambiental. O que mais me preocupa em tudo isso, é o fato de que os cientistas sérios e as instituições sérias não estejam pedindo esclarecimentos ao CONCEA, pois isto sim, fará com que a credibilidade das pesquisas, das instituições e desta entidade (CONCEA) vá totalmente por água abaixo. E, se não pudermos acreditar que o CONCEA faz um trabalho sério, vamos acreditar em quê? Aí, infelizmente, só nos resta deixar que cada um aja de acordo com a própria consciência e descartar qualquer tipo de critérios, leis ou normas que possam vir a, pelo menos, minimizar a dor e o sofrimento destes animais.
    Ao meu ver, se o próprio CONCEA está “acobertando” as irregularidades do Instituto, não há o que discutirmos no sentido de ética, critérios e normas para a realização de experimentos em animais. Aliás, poderemos desconsiderar todas as “leis que ditam regras, e garantem a continuidade da ciência”, porque virou terra de ninguém.

    Segue um vídeo que apresenta algumas dessas irregularidades do Instituto e documentações que comprovam estas irregularidades, caso alguém queira ver. Eu, particularmente, não conheço esse deputado, não sei quais são os interesses políticos dele e me pareceu muito sensacionalista. Mas, o fato é que ele apresenta os documentos comprovando que o Instituto estava atuando de forma ilegal e argumenta quanto a credibilidade do CONCEA, neste caso, considerando as contradições nas palavras do Marcelo Moralles (coordenador do CONCEA, Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal).”

    http://www.youtube.com/watch?v=m0c3s6CpZJY#t=45

    Entendo que ainda que esses “cientistas” considerem moralmente aceitas ou éticas estas experimentações, deveriam ao menos questionar esses fatores que citei acima. Eu, particularmente, acho que experimentos em animais são abomináveis em todos os sentidos e inaceitáveis moralmente.

    1. Sabine Fontana Responder

      Parabens a todos por excelentes textos mostrando a verdadeira face do instituto Royal. Agora, lancemos uma pergunta: “Quem é Silvia Ortiz?”””:-)

      1. A. C. C M Responder

        Caros
        se procurarem direito vocês saberão quem é Silvia Ortiz. Uma profissional qualificada. só colocar no google “ORTIZ, S. C. B. C.”

        Concordo com Jaime Balbino
        novembro 6, 15:31
        Uma prova de como o artigo desse professor tem objetivo de ser peça
        de propaganda travestida de argumentos críveis. De um comentário no site
        Prgamatismo Político:

        “Por que o autor deste texto não citou o
        nome do presidente do Instituto Royal, João Antônio Pegas Henriques?
        Por que não verificou o currículo lattes do mesmo? Por que omitiu o fato
        de que o presidente deste famigerado instituto é simplesmente umas das
        maiores autoridades em mutagênese no Brasil?”

        procurem direito antes de julgar alguém… AS PESQUISAS ERAM FEITAS BEM ANTES DA dra Silvia
        procurem por Dra. Ingrid Dragan Taricano
        http://www.etologiabrasil.org.br/sbet/XXX_Encontro_Anual_de_Etologia-Resumos.pdf
        EAP001
        Relação entre gênero e posição hierárquica de cães domésticos em parâmetros
        imunológicos antes e depois da ação de um estímulo estressor

        ADRIANA TIEMI AKAMINE1
        ; RIBEIRO, A1
        ; FERRAZ-DE-PAULA, V1;
        PINHEIRO, ML1;
        ALMEIDA, VI1;
        COHN, DWH1;
        TARICANO, ID2;
        COSTA-PINTO, FA1,3.
        1
        Grupo de Neuroimunomodulação, Departamento de Patologia, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, USP – São Paulo – SP. 2
        Instituto de Educação, Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Royal – São Roque – SP. 3
        Laboratory of Mucosal Immunology – The Rockefeller University – New York – NY
        Comportamentos de dominância e subordinação surgem em cães domésticos (Canis familiaris) nas primeiras semanas de vida e são a base para o aprendizado de atitudes para manutenção de sua posição no ranking hierárquico do bando. Características individuais dos animais como a personalidade podem influenciar seu sistema imunológico, pela ação, em grande parte, de glicocorticóides. Para estudar os efeitos de características da personalidade e gênero sobre parâmetros imunológicos de cães, utilizamos 30 animais da raça Beagle (15 machos, 15 fêmeas). O comportamento foi observado pelo método animal focal. Foram avaliados cortisol, testosterona, número total e diferencial de leucócitos, atividade de neutrófilos (burst oxidativo e fagocitose), antes e depois do estímulo estressor (transporte). Os resultados mostram que, antes do estímulo estressor, machos se envolvem mais em disputas hierárquicas, que o burst oxidativo de neutrófilos é maior em fêmeas e que o perfil de dominância não afeta os parâmetros analisados. O transporte aumenta a atividade de neutrófilos, e a atividade fagocitária é maior em animais com atitudes dominantes. Não há diferenças nas concentrações de testosterona antes e após o transporte e o cortisol sobe apenas após a reintrodução dos animais ao bando. Nosso trabalho mostra que estímulos estressores, o gênero e a personalidade de cães podem influenciar parâmetros imunológicos.
        Apoio Financeiro: FAPESP (Projeto Temático nº09/51886-3), CNPQ (Projeto Universal nº 479732/2010-8)
        prestem atenção … por favor!! amo os animais sou contra mal tratos, inclusive já adotei uma gata que é doente e cuido com maior amor e carinho…

    2. Cassiano Henrique Responder

      Antes de tudo isso acontecer vc sabia o que era o CONCEA?
      Eu não, e certamente mais da metade da população brasileira tbm não!
      Não sabemos se é um órgão sério!

      1. Frank Alarcon Responder

        Eu sei o que é o CONCEA desde o começo e fica aqui uma informação muito pertinente. O CONCEA não é um orgão isento no debate sobre experimentação animal. Desde o momento de sua criação (8 de dezembro de 2009) deixou claro sua ligação com a indústria farmacêutica. Em sua reunião inaugural (primeira reunião ordinária) de instalação do CONCEA (em 8 de dezembro de 2009), o Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT (SEPED/Ministério de Ciência e Tecnologia), Luiz Antônio Barreto de Castro afirmou publicamente “que o CONCEA é um avanço para o fortalecimento da indústria farmacêutica no Brasil”. Fortalecimento? Há muito dinheiro e interesses nessa acobertação. O mercado de venda e criação de animais e insumos é muito grande. Verbas para projetos de pesquisa, cursos, viagens, etc. Há imenso conflito de interesses entre quem preside e é titular do CONCEA e os interesses que ele “regula”.

        O Coordenador do CONCEA, Marcelo Morales é do IBCCF-UFRJ (Inst. de Biofísica Carlos Chagas Filho – RJ). Mas ele também é parceiro do pessoal do SBCAL (Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório). É fácil ver a parceria entre o CONCEA e o SBCAL. Graças ao CONCEA, o SBCAL consegue espaço para dar cursos (logo, verba), treinamentos, cadeiras de pós-graduação, etc. Tudo com verba do CNPq e CAPES. O SBCAL é membro titular do CONCEA. Como é possível ver, todos tem interesse em perpetuar essa máquina. Marcelo Morales é também Secretário da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FESBE). A FESBE defende a experimentação animal e também tem cadeira titular no CONCEA.

        Em suma: são membros do CONCEA como titulares: a Federação Brasileira de Indústria Farmacêutica, a Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório (SBCAL), a Federação das Sociedades de Biologia Experimental (FESBE), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o Conselho de Reitores das Universidades do Brasil (CRUB), todos – naturalmente – com IMENSO interesse em perpetuar essa máquina de uso de animais de laboratório.

        Todas essas informações são públicas e só não se investiga a fundo isso porque há lobby da indústria interessada e muitos outros conchavos.

        Repassem esta mensagem.

  2. Tereza Hirs Responder

    Muito obrigada pelos esclarecimentos e pela coragem

    Parabéns ao humano profissional

  3. Cassiano Henrique Responder

    A Dra Ortiz não retirou a dissertação de mestrado do site da unicamp? tenho uma dissertação aqui de uma funcionaria do royal, que foi retirada rapidamente do site da USP depois que a coisa pegou fogo, estranho o medo dela! (ou da USP) em mostrar os horríveis relatos de eutanásia presentes na dissertação!
    Quem quiser ler, mande um email para cassiano-@hotmail.com que eu envio!

    1. Lívia Monjardim Responder

      Cassiano, essa dissertação que vc está falando é a dos 38 beagles??? Se for eu tenho tb!!! É de questionar a sanidade da criatura mesmo!! Psicopata, no mínimo!! E ainda agradece em sua dedicatória “aos cães que INVOLUNTARIAMENTE deram a vida para que essa pesquisa fosse feita” Não é doida???

  4. Lúcia Vasconcelos Responder

    Grande matéria investigativa, parabéns ao autor!

  5. Annie Hall Responder

    O que concluo: que vc é um assíduo pesquisador no Google.. só isso.. aí tem mais, muito mais

  6. Cibele Lanzellotti Responder

    Parabéns pela matéria. Cheguei a ver o site oficial do Instituto Royal antes da intervenção dos ativistas, Tenho certeza de que ele existiu, apesar de não ter feito um “passeio virtual” por ele. Depois foi retirado, Tentei por alguns dias o acesso e finalmente fui direcionada a página citada na matéria.

  7. Gomes Megs Responder

    Parabéns, obrigada pelo belo artigo.

  8. Daniela Bianchini Responder

    Vc é do Instituto Royal?

  9. Daniela Bianchini Responder

    Será que vcs poderiam me mandar essa dissertação? Gostaria muito de ver. Se puderem, por favor, enviem para dani.bianchini@gmail.com

    Muito obrigada!

  10. Daniela Bianchini Responder

    Jaime, adequar a nova legislação é uma coisa, o simples cadastro no CONCEA é outra. “Coincidentemente” esse cadastro foi realizado no auge das manifestações, há apenas 2 meses. Para fazer o cadastro são necessário 5 anos???? E antes do cadastro, pq o alvará era de canil? Pq o destino de verba federal e estadual para um canil??? Não sei se vc é do Instituto Royal, mas se for, sugiro que busque argumentos melhores em defesa própria, pq estes não estão convencendo.

  11. Regina Fazioli Responder

    Caro Carlos,
    Agradeço toda a investigação, bem como os esclarecimentos. Como sou radicalmente contra a vivissecção, usarei suas palavras como base pr mts discussões que tenho ouvido, já que não sou da área da Saúde, pr meu embasamento nas falas que me envolvem sobre esse assunto.
    Como bibliotecária que sou, e meu “olfato” investigativo, acabo de descoobrir o link do currículo Lattes de Silvia Colletta Barreto da Costa Ortiz e repasso-lhe abaixo:
    http://lattes.cnpq.br/1237919200995520
    Com esse dado atualizado, não terá nem em sombra, quem coloque seus critérios abaixo!
    Agradeço mais uma vez seu esclarecimento!

    1. Ana Cristina Responder

      É interessante observar que seus estudos e publicações (pelo nomes, a maioria na área de biotério e animais de laboratório) foram até 2003 e a última atualização é de 2004, ano que antecede o inicio dos trabalhos do Instituto Royal.
      Sabe o que mais me assusta nisso? Fico com a impressão que todos os estudos para implantação desse ‘campo de concentração de animais’ foi financiado ou apoia por Instituições que se dizem sérias, como a USP (que foi no mínimo negligente com as atividades existente nos Campus). Aí eu pergunto, se a considerada maior Universidade do país é cúmplice disso, o que há mais dentro de seus muros e salas fechadas? Como esperar melhoras se os ditos ‘cultos’ e ‘pensadores’ estão agindo e pensando dessa maneira? Trabalhei na Unesp e, embora longe de ter visto algum estudo do tipo, me decepcionei com a a ‘classe intelectual’ do nosso país!!!!

  12. Maurílio Responder

    Gostaria de receber tal dissertação. A título de curiosidade e apreensão a respeito do potencial de crueldade do ser humano.

    maurilio.silva@ufv.br

  13. Alcina Moreira Taitson Responder

    Fiz uma pesquisa no Lattes e localizei o currículo da “pesquisadora” Silvia Ortiz (ver o link http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4778198E9). No entanto, sua última atualização foi em 12/3/2004. Nenhum pesquisador sério ficaria sem atualizar seu currículo por mais de 9 anos!!!

    1. Ana Cristina Responder

      Alcina, este link vai para uma página com a seguinte msg: Currículo não encontrado

  14. Daniela Bianchini Responder

    Que bom saber que se trata de um político sério. Obrigada pela informação.

  15. Camila Ignácio Responder

    Mas as petições feitas a favor do ser humano dá algum resultado;já as feitas para animais EM RISCO a morosidade É TOTAL!

    É nosso dever,enquanto cidadãos e pessoas CONSCIENTES,salvaguardar a vida e o direito daqueles que não podem se defender!

    E as pessoas que decidiram ir ás ruas e a frente desse malfadado Instituto merecem ser respeitadas e reconhecidas,pois o ato de entrar naquele local e resgatar os cães e coelhos ali enclausurados,foi totalmente legítima!

    Até porque nossa Constituição diz que é crime MALTRATAR ANIMAIS!

    E o Código Ambiental prevê reclusão para quem MUTILA,ABANDONA E INFRINGE DOR a um animal seja ele ‘doméstico’ ou não ‘doméstico’.

    Portanto;TODOS desse Instituto têm que ser penalizados pelos crimes ambientais que cometeram!

    1. Osvaldo Aires Bade Responder

      Um horror o que você escreveu, é de deixar uma pessoa normal em angustia profunda.
      Se você diz que o ser humano é defendido no Brasil imagina o que não vem pela frente quando tiver a guerra civil declarada.
      Hoje no Brasil morre 140 mil pessoas pelo crime e de acidente de transito – em nenhum lugar do mundo foi ou é assim em tempos de paz.
      Um ato de terrorismo você chama de “totalmente legitimo” meu Deus do céu!

      VIDA DE CACHORRO
      http://cinenegocioseimoveis.blogspot.com.br/2013/10/vida-de-cachorro.html

  16. Raul Franca Responder

    Então quer dizer que lá no INCA não se “tortura” animais? Então explica isto: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1983-51752012000100024&script=sci_arttext

    1. Cora Responder

      não é tortura. o animal está anestesiado e cuidado, como se faz com as pessoas que precisam se submeter à cirurgia. faz parte do treinamento, compondo uma de suas etapas. o uso de animais em pesquisa é necessário em algumas circunstâncias. as comissões de ética dos centros de pesquisa sérios estão sempre atentas aos procedimentos e à necessidade da utilização desses animais. lutar contra os maus tratos de animais é uma coisa. acusar de tortura de forma leviana e irresponsável, é outra bem diferente. não é necessário apelar.

      1. Raul Franca Responder

        Concordo, mas onde estão as provas de que o Instituto Royal torturava os animais?

  17. Tarciany De Souza Arraes Responder

    Me manda tbm por favor.. tarcylp@hotmail.com.. obrigada ^^

  18. José Erno Taglieber Responder

    Tendencios!??
    Não como produzir rempedios seguros sem a ajuda dos animais! Sou contra a crueldade,,,,! Ou quem se habilita para fazer os tester de segurança?????

  19. Luci Moskas Responder

    Tambem já fui pesquisar o Instituto e nada se encontra dele, oque aparece é só após o manifesto e invasão!

    Silvia Ortiz disse que os cães que não eram sacrificados, eram doados, quem adotou estes cães, onde estão eles ?

    Tripoli recebeu um documento ,entre oque estava escrito dizia que “A empresa terceirizada que faz o serviço incinerou, só em 2012, 1,1 mil quilos de carcaças. Não sei quanto pesa um beagle, mas imagine quantos animais mortos representam essas carcaças”.

    Calculando Um Beagle deve pesar n o máximo 15 k, sendo assim em apenas 2012 o Instituto incinerou + ou – 400 animais, entre cães,coelhos e ratos.
    Dizem que um dos cães entre os que foram resgatados(aquele faltando pedacinho da lingua e cicatrizes), tem em torno de 7 anos, como pode ter sobrevivido?Talvez este cão seja apenas um reprodutor. Quantos filhotes não devem ter morrido bestamente?

  20. Jaime Balbino Responder

    Ana, sei que você precisa acreditar na pior história para que faça sentido para você. Apesar do seu esforço, isso não a torna verdadeira.
    Dizer que fiscais corruptos licenciaram o Royal é um pensamento que com certeza a faz feliz, mas perceba que não há absolutamente nada que sustente essa acusação.
    Não se fala nisso no MP, nos deputados, na prefeitura e nem entre os ativistas! Coloquei nos meus comentários os motivos factuais que desmentem tais ilações sem fundamento algum. Se você diz que “corrupção” explica alguma coisa, eu digo que é apenas o seu desejo tornando-a cega às evidências.

  21. Jaime Balbino Responder

    Se há uma legislação votada no Congresso que autoriza o funcionamento
    desse tipo de instituição e até financia a construção dos laboratórios e biotérios, não faz sentido nenhum mobilizar tremendo
    esforço para permanecer na ilegalidade, não é mesmo?

  22. Jaime Balbino Responder

    Uma prova de como o artigo desse professor tem objetivo de ser peça
    de propaganda travestida de argumentos críveis. De um comentário no site
    Prgamatismo Político:

    “Por que o autor deste texto não citou o
    nome do presidente do Instituto Royal, João Antônio Pegas Henriques?
    Por que não verificou o currículo lattes do mesmo? Por que omitiu o fato
    de que o presidente deste famigerado instituto é simplesmente umas das
    maiores autoridades em mutagênese no Brasil?”

  23. Daniela Bianchini Responder

    Filho, foi só uma pergunta. Estou discutindo com argumentos. E vc falou de canis limpinhos? Novinhos?

    Para quem acha que não são válidos os argumentos dos protetores/ativistas (do Instituto Royal), taí o parecer técnico.
    https://www.youtube.com/watch?v=3FUk1HMsbg4

    1. Jaime Balbino Responder

      Daniela, o seu “argumento” é dizer que sou vinculado ao instituto. Não passou disso, por isso expus sua viagem.
      O vídeo desmente TODAS as acusações feitas ao Royal: cães sem patas, despelados, magros, famintos, etc… etc… etc… Mas esse desmentido já tinha ocorrido quando os cães resgatados não mostravam nada do que eles alegavam existir.

      Há uma crítica correta Rosangela a um único espaço,de reclusão. Provavelmente é aí que você quer afirmar que está toda a razão dos ativistas, esquecendo-se que a médica, também ativista, foi lá à convite do Royal.

  24. Osvaldo Aires Bade Responder

    O sujeito que escreveu o texto é incompreensivo como você.

    “Carlos Alberto Lungarzo é matemático, nascido na Argentina, e mora no Brasil desde sua graduação. É professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), São Paulo, e milita em Anistia Internacional. Tem escritos vários livros e artigos sobre lógica, estatística e computação quântica, mas seu interesse tem sido sempre os direitos humanos”.

    Se o interesse dele sempre tem sido os direitos humanos sabemos que ele, assim como tu, não conseguiram que pessoas mortas voltem para se defenderem – como você propõe e muito menos as famílias vítimas da violência deixaram de ficar doente com suas perdas.

    PORQUE “MÉDICOS” CUBANOS?
    R: Aborto, o número de estupros no
    Brasil já ultrapassou o número de homicídios dolosos.

    http://cinenegocioseimoveis.blogspot.com.br/2013/05/porque-medicos-cubanos-substancia-negra.html

    “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo.” (Salmo 23.4)

  25. Eduardo Responder

    “Última atualização do currículo em 12/03/2004”, realmente, ela possui CV Lattes desde antes de 2004 (e não o atualiza a tempos, provavelmente por não fazer mais diferença para sua profissão ficar “melhorando” o CV)…

  26. Roberto Domingos Responder

    muito boa essa matéria, porque cretinos como o Reinaldo Azevedo que chama a nós protetores de marginais, não respondem?