A história se reinventa nas ruas. E nas redes

Junho de 2013, história do Brasil. Pela primeira vez, as articulações de redes sociais deixaram as plataformas e foram às ruas de todo o país. E as incendiaram

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Junho de 2013, história do Brasil. Pela primeira vez, as articulações de redes sociais deixaram as plataformas e foram às ruas de todo o país. E as incendiaram. Com centenas de causas e bandeiras. Tanto do ponto de vista simbólico quanto real. E abriram um novo tempo político, em que o imponderável passa a ser parte do jogo. E tudo precisa ser decidido mais rápido. Porque vivemos o tempo em que milhões de pessoas conectadas podem se articular para fazer algo em questão de minutos. Qualquer coisa. Desde exigir que as tarifas de transporte sejam reduzidas ou que os partidos políticos se reinventem.

Aliás, o grande recado das ruas nesse junho de 2013 foi para a forma tradicional de fazer política. O povo nas ruas deixou claro que quer mais recursos em áreas sociais. Quer ser incluído no debate e participar.

Por esse motivo, o risco dessas manifestações não é o de as pessoas não terem clareza do que desejam, mas de os partidos e governos com algum caráter popular não entenderem os recados que foi dado pelas ruas.

Os governos precisam se abrir e ser mais permeáveis. E as novas tecnologias permitem um nível de participação política que ainda não foi incorporado nem por partidos, nem por governos ou mesmo em outros espaços de representação, como os sindicatos. Enquanto há conversas e votações sobre tudo nas redes sociais digitais, todas as decisões que podem transformar a vida das pessoas são tomadas em gabinetes.

Por que não se pode decidir como o dinheiro vai ser investido utilizando-se recursos de ferramentais digitais de participação? Por que não investir pesadamente para que todas as informações que permitem controle de processos sejam disponibilizadas ao cidadão? Por que se gasta milhões em livros didáticos, quando se poderia investir esses recursos para que os professores recebessem mais e pudessem produzir de forma coordenada, por meio de processos interativos, seus próprios livros? Por que, em vez de jogar dinheiro fora com supostos processos de formação de jovens para o trabalho, não se possibilita que acessem as novas tecnologias para que possam produzir cultura ou se tornarem capacitados para produzir conhecimento?

Há um novo tempo que avança sobre o velho. A era industrial está perdendo espaço para a era da informação. São novos modelos, novas potencialidades, novas representações simbólicas. Quando o novo já nasceu e o velho não morreu, tudo parece confuso. Mas é o novo que vai prevalecer. Ele pode vir a ser melhor ou pior, mas vai ser diferente. E será melhor se for disputado por aqueles que defendem princípios de liberdade, igualdade e fraternidade. Como princípios para todos, e não só para poucos. F



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