Propinoduto: cartel repassou R$ 19 milhões a consultorias

Parte da quantia foi para um escritório que tinha ex-dirigentes do primeiro escalão da CPTM como sócios

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Parte da quantia foi para um escritório que tinha ex-dirigentes do primeiro escalão da CPTM como sócios

Por Redação

Reportagem de O Estado de S.Paulo de hoje (9) traz a informação de que a Polícia Federal identificou o repasse de quase R$ 20 milhões do cartel dos trens para consultorias suspeitas de intermediar o pagamento de propina a membros do governo paulista.

O consórcio formado pelas empresas Siemens, CAF, Bombardier e Alstom – batizado de Sistrem – participou de licitações da linha 5-lilás do Metrô de São Paulo, obtendo um contrato no valor de US$ 646 milhões para trabalhar em um trecho da obra entre 2000 e 2002. De acordo com a Polícia Federal (PF), os repasses começaram em 2000 e foram até 2004, sendo feitos para a Procint Projetos e Consultoria Internacional e para a Constech Assessoria e Consultoria Internacional. Ambas repassaram parte do dinheiro para a Getran Consultoria, Assessoria e Engenharia em Transporte (EPP), cujos sócios eram João Roberto Zaniboni, à época diretor de operações a manutenção da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), e Oliver Hossepsian Salles de Lima, então presidente da CPTM.

Trem da linha 5-lilás do Metrô: contrato de mais de R$ 600 milhões para consórcio sob suspeita (Foto http://pt.wikipedia.org/wiki/Usu%C3%A1rio:Andsystem)

A Procint pertence a Arthur Gomes Teixeira, e a Constech era de seu irmão, Sérgio Meira Teixeira, morto em 2011. Para a Polícia Federal, as duas consultorias eram usadas para “viabilizar repasses de propina” e depoimentos atestariam que “não era prestado serviço algum, exceto o de propiciar o repasse das vantagens indevidas a agentes públicos”.

Em despacho proferido na quinta-feira, quando determinou o bloqueio de bens e contas bancárias de três empresas e cinco pessoas relacionadas com o cartel, totalizando R$ 56,45 milhões, o juiz Marcelo Cavali destaca o papel das empresas de Arthur Teixeira no esquema. “Sobre quaisquer valores recebidos por empresas de titularidade de funcionários públicos responsáveis pelos processos licitatórios relacionados ao Metrô de São Paulo, repassados pela Procint e Constech, paira uma elevada suspeita de proveniência ilícita”, afirma Cavali, de acordo com reportagem da IstoÉ. Arthur Teixeira desempenharia o papel também de alertar as companhias sobre novos projetos que seriam licitados, chegando a auxiliar na organização da forma como elas participariam da disputa.

Tiveram bens e contas bancárias bloqueados pela Justiça Arthur Teixeira, três ex-dirigentes da CPTM, Ademir Venâncio de Araújo, João Roberto Zaniboni e Oliver Hossepian Salles de Lima, além da filha de Zaniboni.



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