Por que me tornei a favor das cotas para negros

Juiz federal, mestre em Direito e ferrenho opositor das cotas explica as razões que o fizeram mudar de ideia

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Juiz federal, mestre em Direito e ferrenho opositor das cotas explica as razões que o fizeram mudar de ideia

Por William Douglas*, no Pragmatismo Político

O escritor e Juiz Federal William Douglas (Foto: Divulgação/Pragmatismo Político)

Roberto Lyra, Promotor de Justiça, um dos autores do Código Penal de 1940, ao lado de Alcântara Machado e Nelson Hungria, recomendava aos colegas de Ministério Público que “antes de se pedir a prisão de alguém deveria se passar um dia na cadeia”. Gênio, visionário e à frente de seu tempo, Lyra informava que apenas a experiência viva permite compreender bem uma situação.

Quem procurar meus artigos, verá que no início era contra as cotas para negros, defendendo – com boas razões, eu creio – que seria mais razoável e menos complicado reservá-las apenas para os oriundos de escolas públicas. Escrevo hoje para dizer que não penso mais assim. As cotas para negros também devem existir. E digo mais: a urgência de sua consolidação e aperfeiçoamento é extraordinária.

Embora juiz federal, não me valerei de argumentos jurídicos. A Constituição da República é pródiga em planos de igualdade, de correção de injustiças, de construção de uma sociedade mais justa. Quem quiser, nela encontrará todos os fundamentos que precisa. A Constituição de 1988 pode ser usada como se queira, mas me parece evidente que a sua intenção é, de fato, tornar esse país melhor e mais decente. Desde sempre as leis reservaram privilégios para os abastados, não sendo de se exasperarem as classes dominantes se, umas poucas vezes ao menos, sesmarias, capitanias hereditárias, cartórios e financiamentos se dirigirem aos mais necessitados.

Não me valerei de argumentos técnicos nem jurídicos dado que ambos os lados os têm em boa monta, e o valor pessoal e a competência dos contendores desse assunto comprovam que há gente de bem, capaz, bem intencionada, honesta e com bons fundamentos dos dois lados da cerca: os que querem as cotas para negros, e os que a rejeitam, todos com bons argumentos.

Por isso, em texto simples, quero deixar clara minha posição como homem, cristão, cidadão, juiz, professor, “guru dos concursos” e qualquer outro adjetivo a que me proponha: as cotas para negros devem ser mantidas e aperfeiçoadas. E meu melhor argumento para isso é o aquele que me convenceu a trocar de lado: “passar um dia na cadeia”. Professor de técnicas de estudo, há nove anos venho fazendo palestras gratuitas sobre como passar no vestibular para a EDUCAFRO, pré-vestibular para negros e carentes.

Mesmo sendo, por ideologia, contra um pré-vestibular “para negros”, aceitei convite para aulas como voluntário naquela ONG por entender que isso seria uma contribuição que poderia ajudar, ou seja, aulas, doação de livros, incentivo. Sempre foi complicado chegar lá e dizer minha antiga opinião contra cotas para negros, mas fazia minha parte com as aulas e livros. E nessa convivência fui descobrindo que se ser pobre é um problema, ser pobre e negro é um problema maior ainda.

Meu pai foi lavrador até seus 19 anos, minha mãe operária de “chão de fábrica”, fui pobre quando menino, remediado quando adolescente. Nada foi fácil, e não cheguei a juiz federal, a 350.000 livros vendidos e a fazer palestras para mais de 750.000 pessoas por um caminho curto, nem fácil. Sei o que é não ter dinheiro, nem portas, nem espaço. Mas tive heróis que me abriram a picada nesse matagal onde passei. E conheço outros heróis, negros, que chegaram longe, como Benedito Gonçalves, Ministro do STJ, Angelina Siqueira, juíza federal. Conheço vários heróis, negros, do Supremo à portaria de meu prédio.

Apenas não acho que temos que exigir heroísmo de cada menino pobre e negro desse país. Minha filha, loura e de olhos claros, estuda há três anos num colégio onde não há um aluno negro sequer, onde há brinquedos, professores bem remunerados, aulas de tudo; sua similar negra, filha de minha empregada, e com a mesma idade, entrou na escola esse ano, escola sem professores, sem carteiras, com banheiro quebrado. Minha filha tem psicóloga para ajudar a lidar com a separação dos pais, foi à Disney, tem aulas de Ballet. A outra, nada, tem um quintal de barro, viagens mais curtas. A filha da empregada, que ajudo quanto posso, visitou minha casa e saiu com o sonho de ter seu próprio quarto, coisa que lhe passou na cabeça quando viu o quarto de minha filha, lindo, decorado, com armário inundado de roupas de princesa. Toda menina é uma princesa, mas há poucas das princesas negras com vestidos compatíveis, e armários, e escolas compatíveis, nesse país imenso. A princesa negra disse para sua mãe que iria orar para Deus pedindo um quarto só para ela, e eu me incomodei por lembrar que Deus ainda insiste em que usemos nossas mãos humanas para fazer Sua Justiça. Sei que Deus espera que eu, seu filho, ajude nesse assunto. E se não cresse em Deus como creio, saberia que com ou sem um ser divino nessa história, esse assunto não está bem resolvido. O assunto demanda de todos nós uma posição consistente, uma que não se prenda apenas à teorias e comece a resolver logo os fatos do cotidiano: faltam quartos e escolas boas para as princesas negras, e também para os príncipes dessa cor de pele.

Não que tenha nada contra o bem estar da minha menina: os avós e os pais dela deram (e dão) muito duro para ela ter isso. Apenas não acho justo nem honesto que lá na frente, daqui a uma década de desigualdade, ambas sejam exigidas da mesma forma. Eu direi para minha filha que a sua similar mais pobre deve ter alguma contrapartida para entrar na faculdade. Não seria igualdade nem honesto tratar as duas da mesma forma só ao completarem quinze anos, mas sim uma desmesurada e cruel maldade, para não escolher palavras mais adequadas.

Não se diga que possamos deixar isso para ser resolvido só no ensino fundamental e médio. É quase como não fazer nada e dizer que tudo se resolverá um dia, aos poucos. Já estamos com duzentos anos de espera por dias mais igualitários. Os pobres sempre foram tratados à margem. O caso é urgente: vamos enfrentar o problema no ensino fundamental, médio, cotas, universidade, distribuição de renda, tributação mais justa e assim por diante. Não podemos adiar nada, nem aguardar nem um pouco.

Foi vendo meninos e meninas negros, e negros e pobres, tentando uma chance, sofrendo, brilhando nos olhos uma esperança incômoda diante de tantas agruras, que fui mudando minha opinião. Não foram argumentos jurídicos, embora eu os conheça, foi passar não um, mas vários “dias na cadeia”. Na cadeia deles, os pobres, lugar de onde vieram meus pais, de um lugar que experimentei um pouco só quando mais moço. De onde eles vêm, as cotas fazem todo sentido.

Se alguém discorda das cotas, me perdoe, mas não devem faze-lo olhando os livros e teses, ou seus temores. Livros, teses, doutrinas e leis servem a qualquer coisa, até ao nazismo. Temores apenas toldam a visão serena. Para quem é contra, com respeito, recomendo um dia “na cadeia”. Um dia de palestra para quatro mil pobres, brancos e negros, onde se vê a esperança tomar forma e precisar de ajuda. Convido todos que são contra as cotas a passar conosco, brancos e negros, uma tarde num cursinho pré-vestibular para quem não tem pão, passagem, escola, psicólogo, cursinho de inglês, ballet, nem coisa parecida, inclusive professores de todas as matérias no ensino médio.

Se você é contra as cotas para negros, eu o respeito. Aliás, também fui contra por muito tempo. Mas peço uma reflexão nessa semana: na escola, no bairro, no restaurante, nos lugares que freqüenta, repare quantos negros existem ao seu lado, em condições de igualdade (não vale porteiro, motorista, servente ou coisa parecida). Se há poucos negros ao seu redor, me perdoe, mas você precisa “passar um dia na cadeia” antes de firmar uma posição coerente não com as teorias (elas servem pra tudo), mas com a realidade desse país. Com nossa realidade urgente. Nada me convenceu, amigos, senão a realidade, senão os meninos e meninas querendo estudar ao invés de qualquer outra coisa, querendo vencer, querendo uma chance.

Ah, sim, “os negros vão atrapalhar a universidade, baixar seu nível”, conheço esse argumento e ele sempre me preocupou, confesso. Mas os cotistas já mostraram que sua média de notas é maior, e menor a média de faltas do que as de quem nunca precisou das cotas. Curiosamente, negros ricos e não cotistas faltam mais às aulas do que negros pobres que precisaram das cotas. A explicação é simples: apesar de tudo a menos por tanto tempo, e talvez por isso, eles se agarram com tanta fé e garra ao pouco que lhe dão, que suas notas são melhores do que a média de quem não teve tanta dificuldade para pavimentar seu chão. Somos todos humanos, e todos frágeis e toscos: apenas precisamos dar chance para todos.

Precisamos confirmar as cotas para negros e para os oriundos da escola pública. Temos que podemos considerar não apenas os deficientes físicos (o que todo mundo aceita), mas também os econômicos, e dar a eles uma oportunidade de igualdade, uma contrapartida para caminharem com seus co-irmãos de raça (humana) e seus concidadãos, de um país que se quer solidário, igualitário, plural e democrático. Não podemos ter tanta paciência para resolver a discriminação racial que existe na prática: vamos dar saltos ao invés de rastejar em direção a políticas afirmativas de uma nova realidade.

Se você não concorda, respeito, mas só se você passar um dia conosco “na cadeia”. Vendo e sentindo o que você verá e sentirá naquele meio, ou você sairá concordando conosco, ou ao menos sem tanta convicção contra o que estamos querendo: igualdade de oportunidades, ou ao menos uma chance. Não para minha filha, ou a sua, elas não precisarão ser heroínas e nós já conseguimos para elas uma estrada. Queremos um caminho para passar quem não está tendo chance alguma, ao menos chance honesta. Daqui a alguns poucos anos, se vierem as cotas, a realidade será outra. Uma melhor. E queremos você conosco nessa história.

Não creio que esse mundo seja seguro para minha filha, que tem tudo, se ele não for ao menos um pouco mais justo para com os filhos dos outros, que talvez não tenham tido minha sorte. Talvez seus filhos tenham tudo, mas tudo não basta se os filhos dos outros não tiverem alguma coisa. Seja como for, por ideal, egoísmo (de proteger o mundo onde vão morar nossos filhos), ou por passar alguns dias por ano “na cadeia” com meninos pobres, negros, amarelos, pardos, brancos, é que aposto meus olhos azuis dizendo que precisamos das cotas, agora.

E, claro, financiar os meninos pobres, negros, pardos, amarelos e brancos, para que estudem e pelo conhecimento mudem sua história, e a do nosso país comum pois, afinal de contas, moraremos todos naquilo que estamos construindo.

Então, como diria Roberto Lyra, em uma de suas falas, “O sol nascerá para todos. Todos dirão – nós – e não – eu. E amarão ao próximo por amor próprio. Cada um repetirá: possuo o que dei. Curvemo-nos ante a aurora da verdade dita pela beleza, da justiça expressa pelo amor.”

Justiça expressa pelo amor e pela experiência, não pelas teses. As cotas são justas, honestas, solidárias, necessárias. E, mais que tudo, urgentes. Ou fique a favor, ou pelo menos visite a cadeia.

*William Douglas, juiz federal (RJ), mestre em Direito (UGF), especialista em Políticas Públicas e Governo (EPPG/UFRJ), professor e escritor, caucasiano e de olhos azuis



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56 comments

  1. Miquéias Tinoco Dos Santos Responder

    Sem palavrasm ressalta sobre aquilo que Cristoo nos ensinou: Faça aos outros o querem que lhes façam… Que DEUS ajude o nosso Brasil.

    1. fabio junior Responder

      vamos pensar na frase que cristo nos ensinou: “faça aos outros o que querem que lhes fação”. no que se refere a política de cotas a frase não se enquadra muito bem, pois se eu quero que instituam cotas para mim tenho que querer que isto se estenda a outras pessoas que como eu também não tiveram acesso a uma educação de qualidade, o que parece não ser o caso. sou cristão e fico incomodado com a utilização inadequada das palavras do mestre Jesus para justificar políticas de exclusão como é o caso das cotas

  2. Paola Barioni Responder

    Pollyanna, também sou bolsista integral Prouni, porém não concordo com cotas exclusivas para negros e outra para oriundos de escolas públicas e explico o porque.
    Existem pessoas, assim como eu, loirinha, pele clara, sobrenome estrangeiro, mas também vivem as mesmas dificuldades que qualquer outra pessoa que compreendem a base da piramide economica deste país.
    Ora, se crio uma cota exclusivas para negros e outras para qualquer pessoa oriunda você estará abrindo 2 portas para negros e apenas 1 para os demais cidadãos pobres que sofrem do mesmo jeito que negros.

    Se negros compõe a maioria nos presídios são porque, de fato, são a maioria pobre no Brasil, porém não absolutos em cadeias, muito menos em desafortuna. Dessa forma concluo que cotas são importantíssimas, porém acredito que aumentar a proporção de cotas em faculdades públicas e instituir número de bolsas integrais em faculdades particulares para pessoas com hipossuficiência financeiras seria uma saída justa para a parte oprimida da sociedade, sejam brancos ou negros.

    1. Mariah Gama Responder

      Paola, qual é o problema se, em meio a centenas de portas fechadas para os negros, duas forem abertas? Os brancos têm todas as portas do mundo escancaradas, os brancos pobres, ainda que não tenham todas, têm mais que os negros. Portanto, duas portas abertas é uma questão de justiça pra quem sempre deu com a cara na porta.

      1. Paola Barioni Responder

        Mariah Gama, você não entendeu o texto. Em momento algum eu disse que não são fechadas portas para negros. Quando é para fazer uma admissão de emprego, por exemplo, as portas são muito mais fechadas para negros e especificamente para eles. Assim sendo, nesse caso é importante ter cotas raciais. Porém, no vestibular, o caso muda de figura. As portas NÃO são fechadas especificamente para os negros. São fechadas para aqueles que frequentaram o sucateado ensino público e que não tem condições financeiras para escapar disso. Então, se por exemplo, o Governo Federal dará 50% das vagas para cotas, sendo divido de forma (outro exemplo) 25% para cada, o estudante negro poderá transitar entre a cota racial, a cota social e ainda a ampla concorrência, enquanto o estudante branco, POBRE e também estudante da mesma escola pública terá que ficar apenas com a cota social ou a injusta concorrência com estudantes mais afortunados.
        Esquece que aquele estudante pobre, branco ou negro, que não passa aquele ano em uma faculdade gratuita dificilmente irá conseguir no ano seguinte, tendo em vista que o pobre não tem o direito de ter mais de 18 anos e não estar no mercado de trabalho, pois sua família depende também dele.
        Acho muito mais justo, sim, ocorrer cotas unicamente sociais, dessa forma, eu faço um ato de justiça com os mais pobre, por consequencia os negros seriam favorecidos.

        1. jefferson Responder

          _ A MÃO DA LIMPEZA ___Mesmo depois de abolida a escravidão… negra é a mão de quem faz a limpeza… esfregando o chão com água e sabão… negra é a mão da mais pura nobreza… na verdade a mão escrava… passava a vida limpando… o que o branco sujava:… eta branco sujão. GILBERTO GIL———- COTA PRA NEGROS É UM ATO DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL E NÃO PASSA DE MAIS UMA TAPEAÇÃO DA ELITE BRASILEIRA QUE DEIXOU O TEMPO PASSAR E O NEGRO FICOU NA LIMPEZA… MESMO. QUEREM RESOLVER COM TOQUE DE CAIXA UMA SITUAÇÃO QUE SÓ PODE SER RESOLVIDA COM MUITO DINHEIRO, COM INVESTIMENTOS EM BOAS ESCOLAS, PROFESSORES BEM TREINADOS E BEM PAGOS. TEM QUE GASTAR DINHEIRO DE VERDADE.

        2. Marconi Responder

          Vamos encarar por outro viés, liberar cotas p/negro, afro-descendentes e índios, ingressarem na universidade pública, trata-se de uma REPARAÇÃO social, aquilo que outros governos não priorizou realizar. Ensino público é pra quem não tem recursos, a ironia de se ver filhinhos de papai, muito bem preparado em escolas caras, ocupando 90% das vagas públicas, restringe o desejo e sonho daqueles que não tiveram condições de saber melhor, principalmente p/negros, afro-desc e índios que foram marcados pela exclusão social durante muito tempo. Enfim, estamos evoluindo com as novas opções e regras de ingresso, podemos de fato considerar que seja uma reparação necessária.

    2. Flavia Responder

      Concordo plenamente!

  3. Ana Responder

    Então, pelo texto, o senhor é a favor de cotas para pobres. Concordo. O corte deve ser econômico.

  4. Rita Godoy Responder

    Parabéns! Fico muito orgulhosa de pessoas assim. Fiquei emocionada com este depoimento. Precisamos aprender que antes de julgar, necessitamos conhecer e nos colocar na realidade do próximo.

    1. fabio junior Responder

      Rita, se coloque no lugar de um branco pobre daqui por diante. Daquele branco que estudou na mesma escola do negro cotista ,que morou no mesmo bairro etc e então faça uma reflexão sobre esse seu tão grande orgulho…

      1. Ricardo Responder

        Ele também tem cota Fabio, pois se estudou na mesma escola do negro pobre, tem cota pra escola pública.
        ;)

  5. João Coimbra Responder

    Só faltou a crítica a meritocracia, ou é ir muito longe? Por trás dessa valorização das medidas de integração social e racial escondemos que estamos deixando na verdade o destino das pessoas à sorte de uma abstração chamada “meritocracia” a última fronteira dos privilégios e da opressão capitalista.

    1. Alexandre Cândido Responder

      João, você está equivocado. A meritocracia se aplica aos modelos onde TODOS têm o mesmo ponto de partida e condições de igualdade, e funciona muito bem nos países capitalistas desenvolvidos, onde há justa distribuição de renda e oportunidades. Onde existem políticas de bem-estar social. Onde há estruturas. Onde o filho do lixeiro divide a mesma sala que o filho do médico e ambos vão passear no mesmo parque no fim de semana. Sim, existem vários países assim. Não me venha colocar a culpa no modelo econômico.

  6. Paola Barioni Responder

    Porque não tem condições de nivelar com quem recebe a melhor educação? Na minha opinião é o governo ineficaz do qual estamos sujeitos.
    Aproveito para fazer um adendo: Cotas devem ser temporárias. Nunca deve se passar mais de 15 anos dentro de cotas. Se passar disso mostra a ineficácia governamental.
    Re, lembre-se que as cotas e bolsas tem número limitado e bastante inferior a população estudantil em idade para fazer faculdade. Ou seja, muitos e muitos estudantes ficam de fora, mesmo com cotas.
    O que deveria existir é um sistema de aprendizado eficaz, do qual não fosse necessário cotas a pessoas que estudaram em escolas públicas.

  7. Sueli Vieira Responder

    Sou a favor da cota racial, fiz minha faculdade através do prouni, bolsa integral. Hoje sou advogada, um sonho realizado.

  8. Maria Responder

    A minha oposição às cotas é (já não tenho tanta certeza quanto ao uso do verbo no presente..) pelo medo que se configurem em apenas mais uma medida paliativa de nosso país. Que fossem consideradas como apoio suficiente para que as pessoas que entrassem na faculdade pudessem nelas ficar e prosseguir em seus estudos acadêmicos, o que não é verdade. É necessário investir nessas pessoas. Mas, é bem verdade que necessitamos reestruturar a educação desde o seu princípio.
    Porém, reconheço que este é um trabalho de longo prazo que não alcançará os que estão imersos nesta realidade atualmente e nos próximos anos, e contando que nosso esforço para uma sociedade mais justa não pare nas cotas, e sim, que lutemos por uma vida (toda) mais parecida em oportunidades para todos, desde a infância, posso concordar.
    Fiquei contente ao ler este texto.
    E, mais ainda, por olhar por uma nova perspectiva.

  9. José Raimundo Oliveira Reis Responder

    Cotas sociais, já! Muitas crianças e adolesccentes brancas, pardas, mestiças, vivem as agruras que lhes impõem a pobreza, da mesma forma que crianças negras, porque então cotas só para as de cor negra? Por enquanto, não há argumento que tenha me convencido a ser a favor de cotas só para os de raça negra.

  10. Mariah Gama Responder

    Moroni, essa não é uma questão de força de vontade e sim de desigualdade e injustiça social. É uma questão de séculos de opressão e exclusão. É uma questão de racismo velado e estrutural que molda a sua mentalidade e a de todos os brasileiros. Racismo esse que faz você pensar que o sistema de cotas é racista. É muito mais complexo do que você parece pensar. E além de tudo, quem somos nós, brancos, pra dizer que os negros não precisam de cotas? Logo nós, que desfrutamos do privilégio de ser branco no Brasil desde que nascemos e vamos fazê-lo até a morte. Eu me nego. É no mínimo uma arrogância absurda.

  11. Cezar Zoghbi Responder

    As cotas tem de ser sociais, ou seja, pela renda familiar.

  12. Adilson Nunes Responder

    Concordo plenamente. Penso da mesma forma.

  13. EDNA GOTTERT Responder

    QUEM REALMENTE MERECE?

  14. Vanessa Cocenza Responder

    Por que ninguém sequer menciona a questão dos índios na nossa sociedade? Será porque eles são tão poucos assim já que foram cruelmente dizimados? Não fariam eles parte das minorias, dos que sofrem preconceitos, que estão pouco inseridos na nossa sociedade? Não gostariam também os jovens indígenas e ou descendentes de participar desta pseudo “democracia” da educação de ensino superior? Este critério de cotas também é por si só excludente visto que em nossa questão histórica há outros povos prejudicados há tempos, está faltando contemplar isso nas cotas! Não concordo plenamente com as cotas, somente em partes porque é uma medida provisória enquanto se conserta a educação, mas em contrapartida nada tem sido feito para a educação de base! A parte em que concordo é que merecidamente os negros tem mais chances com as cotas, mas falta muita coisa ainda, tem os socialmente excluídos pelas pobreza extrema, que são: brancos, negros, mulatos, índios, mamelucos e cafuzos!

  15. Ricardo Barbin Responder

    Dei uma olhadela nos comentários, no blog, e francamente, alguns dão medo. O sistema de cotas já deu provas de sua eficiência em diversos países onde já existe há mais de uma década. E não se restringe a educação, mas abrange igualmente as mídias, onde haja subvenção oficial. Por exemplo, graças a ele o cinema, o teatro e a televisão francesa, ganhou uma nova cara, muito mais representativa daquela sociedade, respeitando as minorias e os mais desfavaforecidos por seu nível de melanina sob a pele, ou por um sobrenome que soe “dissonante”, em relação aos “acordes” locais…eu apoio 100% !

  16. Fred Responder

    Bom dia pessoal!
    Sou estudante de direito e já fui a favor das cotas.
    Hoje sou contra, simplesmente pelo fato de que por mais princesas e príncipes negros, brancos, amarelos, asiáticos que possam existir no nosso país, há de se observar que o problema não encontra-se no método de seleção/avaliação/ingresso nas Universidade/Faculdades, e sim, nas mazelas do nosso sistema de ensino, saúde e etc. Ao apoiarmos as cotas afirmando que esta é a solução, acabamos por incentivar o descaso e as misérias do Brasil. É com esse tipo de pensamento que estamos construindo um país de merda, onde os governantes só fazem merda e o povo ainda apoia a merda toda!

  17. Fred Responder

    É isso aí Moroni, compartilho da sua opinião! Quem realmente se dedica e se esforça vence na vida!

  18. Paola Barioni Responder

    Sério que eu não me informo? Então leia esse artigo, logo nas primeiras duas linhas: http://www.usp.br/aun/exibir.php?id=5552. Note que ela foi publicada recentemente. Se você tiver um artigo mais atualizado, é só mostrar.

    e essa também: http://www.cps.fgv.br/cps/CD_Retratos_Carcere/Pro_Curto_retratos_dos_pres%C3%ADdios_cariocas_VERSAOCOMPLETA.pdf.

    Note que ela foi publicada recentemente. Se você tiver um artigo mais atualizado, é só mostrar.

    E outra, momento algum eu disse que NÃO existe racismo. Como disse antes, fui muito pobre, e ainda sou pobre, porém hoje um pouco menos. Nasci e fui criada em uma favela e sei muito bem que existe racismo no brasil, sim! E não é pouco.
    Porém, com essa vivência, aprendi a ver onde há racismo e onde há desigualdade social.
    Há racismo: Na admissão de empregos, ou você acha que mesmo um negro entrando em uma universidade boa, como a USP, ele terá as mesmas chances que seu colega de sala alemão? Infelizmente não, quem será contratado é, infelizmente, o colega branquinho. Se eu tiver concorrendo com uma colega negra, com as mesmas atribuições, eu vou ser escolhida. Isso é racismo, e eu sinto muito isso estar acontecendo, porque por eu ter vivido minha vida toda em uma favela (e ainda viver) eu tenho amigos negros e pardos, eu tenho parentes NEGROS.
    Racismo é o que a policia opressora tem, em abordar em sua maioria negros (mal sabem eles que o alemãozinho de tênis caro do outro lado é que é o traficante), simplesmente por serem negros.
    Só que quando falamos de vestibular, o cenário muda um pouco. Nós temos de um lado pessoas que estudaram em bons colégios, que entraram logo no primeiro ano do ensino médio em cursinhos, que tem totais condições de pagarem por seus materiais (pessoas que maioria branca) e aquelas pessoas que vieram do ensino público sucateado, com professores desmotivados, com o básico de ensino (em sua maioria negros). Mas nós não temos, na hora de realizar o vestibular, o racismo, quem analisa a prova nem sabe quem é branco e quem é negro. Nós temos a segregação social. Porquê? Porque o Governo, incompetente, deixa quem precisa de seus serviços desamparado. Dessa forma, quem tem, como única alternativa, o ensino público para se formar tem que enfrentar a gritante diferença entre o ensino público e o privado, a falta de dinheiro e a sua abundancia. O racismo vai existir mesmo o negro entrando na faculdade. Foi o que disse, o negro vai ser preterido se ele fizer uma entrevista com uma branco, mesmo ele tendo um diploma, mas ai a cota RACIAL não tem que ser na universidade, tem que ser no emprego. Por isso sou a favor de cotas raciais em empregos.
    Só que ai, seria bem mais eficiente, principalmente para os negros porque eles compõe a maioria pobre no país, as cotas serem unicamente sociais, dessa forma você olha de forma igual quem passa pelas mesmas dificuldades, ou seja, um pessoa pobre e favelada e uma pessoa negra e favelada.

    Terceiro: caso não tenha percebido eu sou mulher, portanto passo pelas mesmas dificuldades que qualquer outra mulher nesse país patriarcal e misógino e eu sou POBRE sim, favelada sim, e foi analisando o contexto onde vivi que penso dessa forma. Então acredito que não é mudando minha etnia que mudaria minha opinião.

    1. Leilane Responder

      Perfeito o seu raciocínio, Paola!

  19. Paola Barioni Responder

    Jorgilene, primeiro queria dizer que já passei um dia em uma prisão, aliás, já passei alguns, pois sou estudante de direito, acabo por fazer visitas em presídios e vi que a maioria compõe de negros e pardos.
    Segundo: sou pobre, moro em uma favela, e por nenhum momento eu falei que não existia racismo no Brasil, ele existe, infelizmente.
    Porém, como você já passou em vestibulares bem sabe que na hora de SELECIONAR o aluno não tem como diferenciar o aluno negro do branco porque o examinador não sabe dizer quem é quem. Então, na hora de examinar a prova não há racismo e sim DESIGUALDADE SOCIAL. A maioria dos pobres no Brasil são negros e é por isso que eu sou a favor de COTAS sociais, dessa forma eu estou automaticamente favorecendo o negro, mas não esquecendo do branco igualmente pobre. Pois alguns se esquecem que a mesma escola que o negro pobre frequenta é a mesma que o pobre branco também, então, em tese, eles tem o mesmo acesso limitado ao ensino de qualidade.
    Se o racismo se dá no momento de admitir o trabalhador, a cota racial tem que ser na hora da admissão do trabalhador. Agora, se a admissão do aluno é feita analisando seus conhecimentos, tem que se favorecer aquele que não teve o mesmo acesso ao conhecimento.

  20. Paola Barioni Responder

    Por nenhum momento disse que COTAS servem para roubar.
    Disse que o ideal das cotas é ser temporário. Porque quando eu tenho cotas é porque o eu tenho algum deficit.
    Se eu tenho cotas raciais é porque o meu país é racista.
    Se eu tenho cotas sociais é porque o meu país é desigual.
    Eu não quero cotas ad eterno. Quero igualdade.
    E você? Quer cotas ad eterno?

  21. Junior Gouveia Responder

    Isso é resultado de uma ação sistemática de sociedades capitalistas, que é a marginalização da pobreza, para segregação das massas resultante da concentração da renda e sucateamento da mão de obra.

  22. Alexandra Ferreira Responder

    Por todos os argumento do texto, pareceu-me uma defesa das cotas em favor dos pobres, desprovidos de ensino de qualidade, bem como com outras dificuldades de cunho econômico. A implementação de cotas para alunos pobres oriundos de escolas públicas mostra-se como medida de extrema justiça. Paola Barioni expressou muito bem os argumentos de que também me valho. Fui menina pobre, moradora de uma comunidade muito pobre, na cor da pele diz-se que sou branca, mas minha mãe não é, eu também poderia ser negra. Então posso dizer que, sim, ja passei, nao um mas a maior parte de meus dias na “cadeia”. Sonhei com a universidade Federal, mas lá não havia vaga para mim. Então fui trabalhar e depois conseguir estudar praticamente sozinha ate passar em um concurso público do Ministerio Publico. Só então tive condições de ingrssar em uma faculdade, privada. Termino o curso direito este ano. E mesmo passando “pela referida cadeia” e, talvez por isso mesmo, discordo da implementação de cotas raciais.

  23. Juliana Responder

    Mesmo onde há cotas, o percentual de negros em faculdades ou no serviço público é ainda mínimo, desproporcionalmente longe do percentual de negros na população. Sou a favor das cotas, mas o sistema de cotas não basta para resolver o problema de desigualdade…

  24. Weslei Oliveira Responder

    Ao discutirmos as cotas não devíamos esquecer que estas são mecanismos de encobertamento da incompetência gerencial e um pano de fundo para mascarar a corrupção brasileira que flagela ano após ano não só a educação, mas a saúde e a segurança. Não sou a favor de cotas, sou a favor de boa educação para todos e acredito que era isso que deveríamos estar discutindo e cobrando.
    Na minha opinião as cotas, seja na educação ou qualquer outra área só serve para fortalecer o preconceito social e o tratamento desigual entre classes.

  25. Alexandre Vilela Responder

    Boa noite a todos! Sou contra cotas para negros. Pra mim, as cotas são a falência de um IDEAL de igualdade e democracia. Tenho uma visão diferente da de vocês, vejo as cotas para negros de maneira desestabilizadora, e não sou contra porque são para os negros, e sim porque estão sendo oferecidas para uma etnia específica sobrepondo as demais. Ou seja, discordamos na base dessa conversa sem nenhum preconceito sutil ou velado. Concordo com o magistrado em quase tudo. Também acho que os argumentos contra as cotas em sua maioria são pífios e superficiais. É preciso analisar a realidade. Mas tem pontos de vista que me fazem discordar. Existe hoje no Brasil uma grande massa sem oportunidades assim como a raça negra, e que estão em igualdade em relação à falta de oportunidades. Fala-se muito de história dos negros e equidade, e sabiamente diz-se que o brasileiro tem cultura de esquecimento. Mas não devemos nunca esquecer do martírio vivido pelos negros dentro do contexto histórico! Sou a favor de divulgar erros do passado para que nunca mais sejam esquecidos e praticados no futuro. O muro de Berlim foi deixado um pedaço, museus para lembrar do holocausto foram criados, entre vários outros exemplos. O mesmo pode ser feito aqui, mas de maneira muito mais atuante, para isso podem ser criados museus voltados para época da escravidão, reforçar o ensino público e privado com matérias contando a história do Brasil com viés contra preconceito, evoluir o conceito do “dia da consciência negra” para um “dia contra o racismo e preconceito”, reforçar as leis contra racismo e cobrar punição ferrenha aos preconceituosos. Enfim, parece mais fácil fazer uma mobilização gigantesca para cotas de negros, do que de fato diminuir e colocar o negro em igualdade a todos combatendo o preconceito e a disparidade social em sua raiz. Força política existe, isso tá comprovado!!! Agora, se temos poderes inoperantes, não é através de imposição (sim, acredito que as cotas são), que vamos evoluir. Pra mim, é continuar fechar os olhos para a realidade que está muito além da raça!!!!! É fechar os olhos para a pobreza no Brasil! Não existem nomes, história, textos, contexto, que me faça pensar o contrário, pois até os grandes nomes também são contestáveis. Dentro do que acredito, não tenho dúvidas nenhuma que estamos prolongando e reforçando o preconceito na sociedade com as cotas para negros. Quando contestam minha afirmação que as cotas segregam, é só ir ao dicionário e ver o significado da palavra segregação. Dentro da sociologia é: “Forma de dissociação que se realiza quando unidades similares, obedecendo ao mesmo impulso, se concentram, distanciando-se, ao mesmo tempo, de outras unidades consideradas diferentes ou divergentes. Essa separação ou distância social e física é oriunda de fatores biológicos e sociais: raça, riqueza, educação, religião, profissão, nacionalidade¨.. . E pra completar, preste atenção em uma das definições de segregação racial “separação ou isolamento de uma raça ou grupo étnico por residência forçada ou voluntária em determinada área, ou por barreiras de comunicação social, como estabelecimentos de ensino separados ou outras medidas discriminativas” Ou seja, o sistema de cotas para negros na sociedade atual é uma segregação explícita em busca de uma equidade, mas que sobrepõe a direitos de outras pessoas, ou seja, o conceito de equidade, neste caso, torna-se falho, vendo que as cotas prejudicam outros indivíduos e não torna a situação mais justa, transferindo o mesmo problema para a mãos de outros no futuro. Isso já que estamos falando em nome de uma reparação que divide uma sociedade por sua raça, passando por cima e esquecendo de outras pessoas de outras raças que também precisam de ajuda e não tem oportunidade, não por não serem negras, mas por causa da falácia do sistema público-político. Os próprios índios são prova disso. Mesmo dizimados, não tem os mesmos direitos de cotas dos negros, não tiveram força politica. Essa parte da história ninguém quer lembrar. Os defensores das cotas partem do principio de cor, de raça, e de fato somos “diferentes”, mas é justamente por pensar que somos diferentes, e por colocarmos em prática leis como estas que de fato nos tornam diferentes, onde surge o preconceito, também sutil e velado outras vezes exacerbado. É onde essa grande merda chamada preconceito se perpetua!!! Não existe justiça quando se pratica uma injustiça e a equidade simplesmente tora-se imoral. Cotas para negros não deveriam existir. COTAS PARA POBRES COM BOAS NOTAS, SIM! E por causa dessa própria história que os negros querem tanto reparar, caso as cotas fossem divididas em sua totalidade apenas por classe social, pensem comigo, OS GRANDES BENEFICIADOS SERIAM OS NEGROS! Pois de fato, são a maioria dos desprestigiados do sistema. Mas aí sim teríamos algo JUSTO!!! E não precisaríamos de nenhuma busca por equidade em um futuro, pois interesses de uma raça não seriam sobrepostas a outras. (essa comparação nem deveria existir e entrar em discussão, de raça) As cotas para obesos, idosos, deficientes e por classes sociais, essas sim deveriam ser ampliadas!!!!! Essas sim, estamos falando de seres humanos em geral. Não considero que estes exemplos não se comparam em nenhum momento com as cotas para negros. As cotas, daqui uns anos, no meu modo de ver, serão assunto de discórdia muito maior, pois inseridas em um contexto político, econômico, ficará difícil dar um passo pra trás, o poder é podre, o ódio do ser humano é latente. As cotas para negros, no meu modo de ver é um grande erro! Cotas em 100% para pessoas de baixa renda, essas sim, apoio com 100% de consciência tranquila, sabendo que não estarei passando por cima de ninguém. É com todo respeito que compartilho minha ideia com vocês. Abraço a todos!

  26. Lucio Responder

    Li o texto e não me convenceu. Começou com uma citação fraca “Antes de pedir prisão de alguém deveria passar um dia na cadeia”. Antes de cometer crime olha dentro da cela.
    O regime de cotas para negros é discriminatório, deveríamos ter Cotas para Necessitados, que é praticamente o que o Dr. Willian defende, e não o cota racial. Deveríamos muito mais que isto ter uma escola pública fortalecida e voltada para os necessitados. Nas poucas boas escolas públicas brasileiras acabam estudando os bem nascidos. Tem que ser para os necessitados e com qualidade e professores bem remunerados, estruturas melhores que as particulares. O governo é rico, já temos uma distribuição de renda nos impostos que levam 54% da produção. Então este rico governo que é nosso é que tem obrigação de fazer escola compatível à necessidade da educação do seu povo. Quer fazer programa eleitoreiro, que pelo menos abranja todos que necessitam e não uma parcela e com poder bipolar de colocar negro contra branco ou qualquer raça que seja.

  27. silvana mara dias souza Responder

    Parabéns pela coragem, sinceridade e honestidade. É de gente assim, que é capaz de reconhecer que estava errado publicamente que este país está precisando.

  28. Marcelo Laranjeiras Responder

    Pelo texto, as cotas devem ser para aqueles que vivem uma “deficiência” econômica. Qual a justificativa de ter cota para negro e cota para pobre? quem sofre na sociedade é o pobre que não tem oportunidade. Se a maioria das pessoas que fazem parte da classe menos favorecida são negras, então os negros já estarão sendo favorecidos pela cota para estudantes de escolas públicas. Até o momento não vi qualquer opinião que pudesse ser plausível e de fato justificar a cotas para negros.

  29. João Responder

    Conto não concordando com cota racial mas sim em cota social. Temos que dar maiores chances aos pobres (uma grande parcela negra), que é o que o texto fala o tempo todo.

  30. Elias Gonçalves Responder

    Pelos comentários fica fácil perceber que há pessoas com medo de perder privilégios; pessoas que ficam olhando para si (se eu consegui, eles também devem); pessoas que se incomodam com a “chegada” de negros em espaços antes ocupados por brancos. Sou totalmente a favor dos cotas, raciais, sociais e para índios.

    1. Leandro Responder

      Ora, se a pessoa possui um grau financeiro superior fica claro que em ambas as hipóteses ela iria perder o “privilégio” no qual menciona. Não vejo razão para esse tipo de pensamento, a não ser um: se vitimizar para obter vantagem indevido e imoral!
      Sou contra cotas, mas aceitaria a social.

  31. Leandro Maromba Responder

    Bela visão Drº Willian. O bonito na vida é isso: diversidade, inclusive a diversidade de opinião, somada obviamente, com a possibilidade de exercitá-la.
    Porém, acredito que está havendo um grande equívoco da sua parte, com todo o respeito.
    Não sei se tem o hábito de ir em locais pobres realmente, ou até mesmo nas cadeias.
    Porque vemos inúmeros brancos nesses lugares, apesar dos negros serem maioria, confesso.
    O que quero dizer é que um branco já injustiçado não pode sofrer nova injustiça pelo sistema.
    Outra coisa, no Brasil pouco brancos têm as mesmas condições que o senhor. Não é a maioria, nem a maioria de brancos possuem tal condição.
    Apesar da maioria de ricos e classe média serem brancos.
    Sou a favor sim de cotas, sobretudo para estudar, porém que isso seja feita por indicativos socioeconômicos, não raça.
    É muito mais justo, mais humano, menos DISCRIMINADOR.
    No mundo jurídico impera o brocardo que diz ser melhor absolver mil culpados do que condenar um inocente. Fazendo uma simples analogia, cotas por raça seria o mesmo de condenar alguns inocentes (brancos totalmente desprovidos de meios de subsistência).

    Sem acepção de raça, mas levando em conta a classe social das pessoas, o que obviamente os negros seriam os maiores favorecidos.

    Me restrinjo a esses breves comentários.

  32. Leonia Chaves Responder

    Caro Sr. professor e Juiz (na inteireza da palavra),

    Só faltou incorporar essa reflexão para garantir o mesmo direito aos povos indígenas do Brasil! Trata-se de fato de uma política de ressarcimento!

  33. Maria Responder

    A ideia é inegavelmente boa, mas exageraram na dose e agora vive-se o revés da medalha…mais um pouco e será preciso criar cota para brancos n tão abastados com os citados….será a hora então de limitar um percentual para entrada de tais ricos (brancos ou negros), deixando as demais vagas para os mortais comuns…aliás fica um certo conflito entre ser ou n ser quando se ressalta que mesmo sendo de origem de família humilde conseguiu conquistar um propósito, como tantos outros…num tempo em q n existiam cotas…

  34. Amanda Mendes Responder

    Bravo! Tenho 31 anos, sou branca e de família pobre. Tenho graduação, 2 pós e estou terminando meu mestrado. Morei na zona rural até meus 12 anos, andava a pé 10 km todos os dias para ir e vir da escola, pois naquela epoca não tínhamos condução oferecida pela prefeitura. Trabalhei duro desde criança e trabalho até hoje. Descordo do senhor, pois eu também acho que tenho direito a ter bons estudos, não é porque sou branca que as coisas são mais fáceis, pra mim isso se chama esforço e objetivo traçado. Tudo o que tenho hoje foi suor do meu trabalho, logicamente que com uma forcinha do governo teria sido mais fácil. Então porque não oferecer condições iguais a todos independente de sua cor e raça? Enquanto tiver pretextos para ações como estas teremos um país medíocre, onde tudo será usado como desculpas. Sabe aquela história de que a maioria sempre ganha, então, eu e mais um monte de branquinhos fazemos parte dela também e não gostamos nem um pouco de como somos tratados.

  35. Amanda Mendes Responder

    Bravo! Tenho 31 anos, sou branca e de família pobre. Tenho graduação, 2 pós e estou terminando meu mestrado. Morei na zona rural até meus 12 anos, andava a pé 10 km todos os dias para ir e vir da escola, pois naquela epoca não tínhamos condução oferecida pelo governo. Trabalhei duro desde criança e trabalho até hoje. Tudo o que tenho hoje foi suor do meu trabalho, logicamente que com uma forcinha do governo teria sido mais fácil. Então porque não oferecer condições iguais a todos independente de sua cor e raça? Enquanto tiver pretextos para ações como estas teremos um país medíocre. Sou contra a cota para negros, pois sou a favor que todos tenham educação de qualidade e direitos iguais e isso basta.

  36. Wellington Inácio Responder

    Concordo com os comentarios da Paola Barione. Excelente!!!

  37. sabrina santos Responder

    ate então estava contra por causa da rejeição mas pensando melhor o preconceito não tem cor de pele e nem aparência física e muito menos status, se for para beneficiar aqueles que espera uma única oportunidade,estou de total acordo de cotas para negros.

  38. Ezequiel Responder

    Bem, queria deixar minha opinião a respeito do assunto. Primeiro lugar, fazer um comparativo em passar um dia “na cadeia” me parece um absurdo, ou seja, parece que está tratando os pobres como bandidos, se todos os pobres nesse país precisem roubar pra sobreviver acho que existiriam mais cadeias do que escolas, vai pra cadeia quem quer, claro com suas poucas exceções. Segundo lugar, a escola publica do branco e do negro são diferentes? Não, todos estudam na mesma “porcaria” de escola pública que nosso país oferece, claro a situação financeira na maioria dos casos, de ambas as raças, são diferentes. Muitas vezes, o branco não precisa trabalhar enquanto estuda, tendo assim mais “tempo” pra se dedicar aos estudos ou acesso a informação. Gostaria de deixar claro que a escola pública é igual para brancos, índios e negros, isso não justifica a questão de cotas. Sou a favor das cotas, para tentar amenizar o problema a curto prazo, mas me parece que nada esta sendo feito para resolver esse problema a longo prazo, nossas escolas públicas podem ser comparadas com presídios, não é necessário passar um dia “na cadeia”, sei disso porque estudei toda minha vida em escola pública, alunos não respeitam os professores, vandalismo pra tudo que é lugar, ausência de professores, violência, enfim, marginalidade total na maioria dos casos, reflexo da cultura de nosso país e descaso das nossas autoridades públicas.

  39. Rafael Pinto Responder

    Esse texto me parece bastante preconceituoso.

    O caminho lógico para afirmar a necessidade de quotas, por uma questão econômica, é muito claro. Mas a conclusão pela necessidade de quotas para negros é totalmente falsa…

  40. Paulo Responder

    Depois de ler esta argumentação, só posso concluir que é exatamente por isso que nosso judiciário ão funciona !
    Nele não há gente habilitada ….

  41. Almeida Responder

    Apenas para alinhar:
    Se a maioria é a favor de cotas em universidade para deficientes físicos, infelizmente estamos mais uma vez distorcendo o porquê e o pra que das coisas. As cotas em universidade devem existir sim, mas para aqueles que não tem acesso a um sistema de ensino de qualidade e APENAS para este segmento ENORME da população brasileira, ou seja, para aqueles que não tem condição intelectual de competir.
    Vamos agora caso a caso:
    Cotas para negros, indigenas e demais “minorias”: quer dizer que a cor de pele influencia no nível intelectual? Acho que não.
    Cotas para deficientes físicos: Será que a pessoa que não tem mobilidade física integral também tem deficiência intelectual? Acredito também que não.
    Concordo plenamente com a manutenção de cotas em universidade para alunos de rede pública (desde que SIM, haja um prazo limite para acabar).
    E não se enganem. Em um país como o Brasil, onde as políticas públicas são implementadas não para acabar com os problemas e desigualdades, mas sim para ludibriar este povo fraco intelectualmente enquanto a fonte do problema permanece.

  42. fabio junior Responder

    O problema hoje não é ser pobre e negro. O problema é ser branco e pobre. Se a questão é reparar as injustiças sociais, o que farão com aqueles que também não podem ir a disney, não tem um quarto, não tem brinquedos, estuda em uma escola que não tem professores e por um critério de cor de pele é excluído de uma política denominada de reparadora histórica de desigualdades. Por favor juiz federal! parece que você se esqueceu o que é ser branco e pobre. E a proposito eu também sou cristão!!!

  43. Marcia Paulo Responder

    Sou Moçambicana negra e a pouco deparei-me com este tema polemico que vem assolando e dividindo massas no Brasil.
    Primeiramente, tenho a dizer que as cotas socias ja englobam a polulação negra que constitui a maioria, contudo tal nãp me parece sufuciente uma vez que pelo nivel de preconceito, o pobre branco ainda tem mais oporutunidades que o pobre negro, dai a minha concordância com tal politica.

    Realmente a solução do problema está na melhoria do sistema educacional, contudo tal levaria anos e seriam mais décadas de falta de opurtunidades e descriminação para com os negros, como se os três séculos de escravidão, e posterior depreciação não tivessem sido suficientes.

    Tal politica pode sim, constituir retrocesso na luta contra o preconceito e dicriminação, contudo pela primeira vez somos colocados numa situação de primasia, cabendo a nós lidar com as consequênias , que me parecem apenas mais uma, num pais”cheio de consequências negativas com os negros”.
    E pela educação não me parece um preço taão alto assim,contando que isto ja constitui realidade.

    Os brancos que se sentem incofmados comtal, imaginem apenas os anos de inconformidade dos negros, e os negros que sejam contra , as cotas não concoram, e aqueles que pela implementação se vejam beneficiados, aproveitem a oputunidade, e provem que somos tão capazes como qualquer outro e a única coisa que não nos foi dada UMA CHANCE
    Vamos todos aproveitar esta chance de integração, em que pela posiçào de igualdade possam os brancos reconhecer a igualdade dos negros e os negros perceberem e mudarem a forma de pensar destes pela convivência .

    No final somos todos filhos de Deus

  44. avlad Responder

    discordo discordo,Não existe preconceito de pele ração,existe preconceito e por ser pobre. ninguém deveria ter privilegio. ser igualdade igualdade,entenderem o que e igualdade para todos. quando a pessoa tem alguma chances e não aproveitam arrumam desculpas.e a escravidão já passou a muito,os falsos e que gostam de tentar relembrar sempre,agora vou ter que pagar por atitudes de seculos passados.

  45. Marcus Teixeira Responder

    Caro William, creio que vc está confundindo o problema racial dos negros e o problema social dos negros. Pelo que vc escreveu, deduzo que os negros não precisam de ajuda por serem negros, mas, por serem pobres. Vc não está preocupado com os negros das classe A e B está? Mas, sim, com aqueles que não podem concorrer com os mais abastados. Assim, vejo as cotas sociais como extremamente válidas e necessárias para auxiliar a todos aqueles sem condições de alçar melhores posições na escala social. Já as cotas raciais são injustas na medida que privilegia o negro pobre em detrimento do branco ou do amarelo pobre. Que culpa tiveram essas pessoas de, além de serem pobres, terem nascido brancas? Será que são elas que devem pagar a tal dívida histórica com a população negra, cedendo suas vagas para os negros? Por que separar as pessoas, seja por qual motivo for, pela cor da sua pele? Isso só afirma e confirma as diferenças raciais, em vez de harmonizá-las, vc não acha? O racismo acabará no dia que exterminarmos TODOS os mecanismos que diferenciam as cores de pele no mundo, seja a que título for, estejam eles na sociedade, estejam dentro da cabeça de cada indivíduo, branco, pardo, amarelo ou negro.


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