“Por que o senhor atirou em mim?”: Protesto questiona mortes de jovens negros nas periferias

Frase dita por Douglas Rodrigues, antes de morrer, é o mote de manifestação contra a violência policial

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Frase dita por Douglas Rodrigues, antes de morrer, é o mote de manifestação contra a violência policial, que, segundo organizadores, tem cor e endereço

Por Igor Carvalho 

(Imagem: Divulgação)

“Por que o senhor atirou em mim?”, esta foi a última frase do adolescente Douglas Rodrigues, antes de morrer, vítima de um tiro disparado por um policial militar, na Vila Medeiros, zona Norte de São Paulo. A pergunta se tornou emblemática para os movimentos sociais que lutam para chamar a atenção para o número de negros mortos nas periferias. Na próxima quarta-feira (13), uma manifestação vai pedir o fim da violência policial.

No evento, criado no Facebook, mais de 1,3 mil pessoas confirmaram presença no ato, que partirá da Vila Sabrina, zona norte de São Paulo. Para divulgar a manifestação, alguns rappers como Dexter, Emicida, Flora Matos, GOG, Max BO, entre outros, gravaram um vídeo perguntando: “Por que o senhor atirou em mim?”

Confira o texto de divulgação do protesto:

“Por que o senhor atirou em mim?”, foi o que disse Douglas Rodrigues ao ser atingido no peito pela bala de um policial.
Disfarçada de acidente, a violência policial é dirigida. Tem cor e endereço, assim como Douglas, são jovens negros e de periferias.

Em 2010, no Brasil 49.932 pessoas foram vítimas de homicídio –> 70,6% delas eram negras.
Só na cidade de São Paulo, 624 jovens foram vítimas de homicídio em 2011 –> 57% eram negros.

Parece que em São Paulo, ser pobre, negro e morador de periferia é crime punido com pena de morte. Mas…. o Brasil não tem pena de morte e mesmo assim só a PM de SP mata mais do que a dos EUA.
A Polícia Militar obedece a um comando, que obedece a um Secretário que é subordinado a um Governador. Quem vai responder por tantos mortos?

Por que o senhor atirou em mim? Por que os senhores atiram em nós?

Ato:
Quando: Quarta-feira, 13.11 às 18h (saída do ato às 19h)
Onde: EE Professor Victor dos Santos Cunha – Rua João Simão de Castro, 280 na Vila Sabrina/Zona Norte

Leia também:
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A violência que tem idade e cor
Black blocs, o assassinato do menino Douglas e o inferno anunciado…



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1 comment

  1. rondino diferenca Responder

    Por que o senhor atirou em mim?
    Por que vocês atiram em nós?
    Por que você atira?

    primeiro levaram a vânia,
    estudante que ousou lutar,
    arriscar, sonhar e passar perto
    da corrupta e tirânica
    reitoria da usp,
    privatizada pela nomenclatura
    facista que roda(s)
    a serviço de serra
    contra a vida e liberdades
    mas eu, não me importei
    eu não era a vânia,
    uma vênus da filosofia
    argh!

    em seguida,
    um monte de fardad@s armad@s,
    levaram o amarildo,
    torturaram, covardemente,
    off course, fria e alegre(de)mente
    a ordem e a lei p(h)ode tudo
    sufocaram e mataram,
    mais unzinho, desses aí
    mas não me importei com isso
    eu também não era Amarildo
    viva a upp, a upp é morte!
    viva Na upp, a upp é morte!

    em treguida,
    policial aborda e atira
    no douglas martins17
    junto de seu irmão13
    que até agora pergunta(m)
    a tod@s policiciais,
    fardad@s ou não:
    por que o senhor atirou em mim???…
    sem resposta e sem foto
    do assassino fardado
    do estado estrago
    é, também não me importei, e daí?
    eu não era douglas e nem querubim
    e não faço parte
    deste povo chinfrim

    nesta última semana
    mais um golpe
    da pusilânime tropa
    tropa de choque e de achaque
    EM FORMA de bando e quadrilha
    que sem passar no vestibular,
    invadiu e pisoteou a usp,
    a educação e tod@s nós
    praça do reløgio
    das horas truculentas
    da sala da reitoria expandida
    a termo de coturno, spray pimenta,
    cassetetes, capacetes
    de seres dementes
    assassinam e mentem
    na fraqueza de sua moral-farda-suja
    de covardia, sangue furtado
    de vidas alheias aniquiladas
    “triste madrugada foi aquela”
    algemaram, xingaram, agrediram, torturaram, e forjaram flagrante
    em dois jovens estudantes
    joão vitor
    estudante trabalhador
    inauê taiguara (tupi-guarani)
    pesquisador estudante
    “Da tribo pujante,
    Que agora anda errante
    Por fado inconstante,
    Guerreiros, nasci:
    Sou bravo, sou forte,
    Sou filho do Norte;
    Meu canto de morte,
    Guerreiros, ouvi. “
    ah, dá licença, tenho mais o que fazer
    “o kiko tenho” a ver com isto?

    meu deus, meu deus,
    agora passaram dos limites
    levaram a mônica, a nossa mônica
    a dentucinha dos quadrinhos
    ai ai ai, e agora?
    prenderam meus sonhos de infância
    fazer o que? o que fazer?
    • COVARDES OS QUE ASSIM AGEM
    • COVARDES OS QUE SUSTENTAM E ASSINAM DOCUMENTOS A FAVOR DESTA NEFASTA “ORDEM”

    “E à noite, nas tabas, se alguém duvidava
    do que ele contava,
    Dizia prudente: – Meninos, eu vi!”

    rondino diferença, 15.11.2013


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