Sou mulher negra o ano inteiro

Por Jarid Arraes O Dia 20 de Novembro já passou e é provável que, para muitos, com ele tenha se esvaido toda a memória da importância que a Consciência Negra carrega consigo. A...

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Por Jarid Arraes

O Dia 20 de Novembro já passou e é provável que, para muitos, com ele tenha se esvaido toda a memória da importância que a Consciência Negra carrega consigo. A reflexão sobre o racismo e o combate ao preconceito racial está além das expectativas por uma data, mesmo que seu simbolismo seja necessário e profundamente importante. No entanto, um questionamento surge: as vozes negras estão sendo verdadeiramente ouvidas? De quem são essas vozes?

Indo além das limitações impostas por uma mentalidade extremamente centralizada no sudeste do Brasil e trazendo fortes provocações dentro de um Feminismo Negro e nordestino, Karla Alves fala – em vídeo – sobre a vivência do ativismo negro no interior do Ceará e os incômodos com o Feminismo que ignora recortes de raça.

É tempo de dar a palavra para mulheres que possuem muito a dizer e ensinar, mas que são barradas por uma cultura que pretere o Nordeste e sua importância política.

Fiquem com o depoimento abaixo, gravado de forma amadora, mas repleto de assertividade:



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4 comments

  1. Cristiane Sanzoni Responder

    Privilégios? Políticas públicas de afirmação e reparação não são privilégios, são o que é devido aos que foram explorados e continuam sendo preteridos em nosso país.

    Aliás, só o racismo explica essa necessidade de comentar algo atacando diretamente uma pessoa que luta por igualidade como é o caso dessa mulher Karla. Falar diretamente apontando o dedo e dizendo que não é mais do que obrigação?! Quem é você pra falar assim?!

    1. Rejane Responder

      Com certeza, mais um, apavorado com a ideia de perder o que não conquistou, o que não lhe pertence, pq é fruto de exploração e de muita roubalheira. Pra tipos como estes, devemos manter nossos olhos bem abertos. Pq eles continuam sendo capazes de tudo!

      […] porque a maioria ficará pobre assim como os brancos???

      Onde será esse país que ele vive???

      1. Navalha na carne Responder

        Sei q as pessoas não vão pra enfrentamentos q poem em risco suas confortáveis e arbitrárias convicções, mas…

        Faça o teste, se tiver coragem, jorge luiz e cia.

        “Aplique o Teste do Pescoço em todos os lugares e depois tire sua própria conclusão. Questione-se se de fato somos um país pluricultural, uma Democracia Racial e se somos tratados iguais perante a lei?!”

        1. Andando pelas ruas, meta o pescoço dentro das joalherias e conte quantos negros/as são balconistas;

        2. Vá em quaisquer escolas particulares, sobretudo as de ponta como; Objetivo, Dante Alighieri, entre outras, espiche o pescoço pra dentro das salas e conte quantos alunos negros/as há . Aproveite, conte quantos professores são negros/as e quantos estão varrendo o chão;

        3. Vá em hospitais tipo Sírio Libanês, enfie o pescoço nos quartos e conte quantos pacientes são negros, meta o pescoço a contar quantos negros médicos há, e aproveite para meter o pescoço nos corredores e conte quantos negros/as limpam o chão

        4. Quando der uma volta num Shooping, ou no centro comercial de seu bairro, gire o pescoço para as vitrines e conte quantos manequins de loja representam a etnia negra consumidora. Enfie o pescoço nas revistas de moda , nos comerciais de televisão, e conte quantos modelos negros fazem publicidade de perfumes, carros, viagens, vestuários e etc

        5. Vá às universidades públicas, enfie o pescoço adentro e conte quantos negros há por lá: professores, alunos e serviçais;

        6. Espiche o pescoço numa reunião dos partidos PSDB e DEM, como exemplo, conte quantos políticos são negros desde a fundação dos mesmos, e depois reflitam a respeito de serem contra todas as reivindicações da etnia negra.

        7. Gire o pescoço 180° nas passeatas dos médicos, em protesto contra os médicos cubanos que possivelmente irão chegar, e conte quantos médicos/as negros/as marchavam;

        8. Meta o pescoço nas cadeias, nos orfanatos, nas casas de correção para menores, conte quantos são brancos, é mais fácil;

        9. Gire o pescoço a procurar quantas empregadas domésticas, serviçais, faxineiros, favelados e mendigos são de etnia branca. Depois pergunte-se qual a causa dos descendentes de europeus, ou orientais, não são vistos embaixo das pontes ou em favelas ou na mendicância ou varrendo o chão;

        10. Espiche bem o pescoço na hora do Globo Rural e conte quantos fazendeiros são negros, depois tire a conclusão de quantos são sem-terra, quantos são sem-teto. No Globo Pequenas Empresas& Grandes Negócios, quantos empresários são negros?

        11. Nas programações das Tvs abertas, acessível à maioria da população, gire o pescoço nas programações e conte quantos apresentadores, jornalistas ou âncoras de jornal, artistas em estado de estrelato, são negros. Onde as crianças negras se veem representadas?

        Aplique o Teste do Pescoço em todos os lugares e depois tire sua própria conclusão. Questione-se se de fato somos um país pluricultural, uma Democracia Racial e se somos tratados iguais perante a lei?!

        * Você descobriu mais alguma coisa? Envie-nos para acrescentarmos a esta lista.

        * * Este teste me foi ensinado pelo amigo Francisco Antero, e tenho adaptado no meu dia a dia. Foi assim que eu comecei a perceber todas as desigualdades existentes no meu país e mudei a minha opinião à respeito das Cotas Raciais para Negros e Índios.

  2. YASMIM Responder

    Eu fui tirada do seio de minha mãe e trazida para uma terra distante, onde fui explorada, escravizada,oprimida, usada. 300 anos silenciada, num país nitidamente racista que pouco se importou comigo desde o momento que coloquei os pés aqui pela primeira vez há muitos anos atrás, até os ias de hoje.
    Sempre fui vitima de piadinha,de comentários que me expunham ao ridículo, me acusaram muitas vezes de oportunista , alegando que eu me aproveitava que meu povo era “sofridinho” pra conseguir privilégios.
    Que raio de privilégios que falam??
    Eu sofri na pele dia após dia a violência de um povo elitista que sempre me considerou inferior, sempre me foi dada as piores colocações por causa da minha cor. Eu sempre fui considerada disponível por ter nascido negra, e para alguns mulher negra é fácil e boa de cama. Os meus irmãos sentiram na pele a força da chibata cheia de ódio. Minhas irmãs foram estupradas pra dar origem essa “miscigenação” que o Brasil tanto glorifica.
    Daí aparece uma alma caridosa e me liberta. Não mesmo, ai começou minha labuta, desde quando uma negra que passou a vida na beira de um fogão e esquentando na noite a cama do patrão tem vez nesse país?
    Desde quando um negro que era explorado no engenho de cana teria oportunidade de um trabalho digno como qualquer outra pessoa?
    O racismo hoje foi transformado pelos racista em oportunismo e mal entendido , mais não pra nós homens e mulheres negros que sentimos na pele e na alma a força da discriminação que é vigente em nossa sociedade.
    Já me explorara demais, me silenciaram demais, me usaram demais. Agora eu vou gritar, ou melhor eu vou berrar, eu vou informar, vou incomodar, e ajudar as informações a serem passadas como elas realmente são, eu e meu povo vamos escrever a História do negro nesse país já que nossa historiografia não contribuiu conosco (falo isso porque sou historiadora). Nós lutamos arduamente por respeito e liberdade, sem amarras, JÁ QUE A ABOLIÇÃO VEIO E NÃO NOS LIBERTOU.


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