Evangélicos querem evitar “guerra religiosa” com os católicos

Na última década, aproximadamente 16 milhões de brasileiros deixaram o catolicismo e se transferiram para as mais diversas igrejas protestantes

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Na última década, aproximadamente 16 milhões de brasileiros deixaram o catolicismo e se transferiram para as mais diversas igrejas protestantes

Por Dermi Azevedo, da Carta Maior

Os líderes das principais Igrejas Evangélicas Pentecostais no Brasil querem continuar a atrair católicos romanos e adeptos de outras denominações para seus quadros sem provocarem, contudo, uma “guerra religiosa” no país.

Esse tem sido um dos assuntos principais das reuniões entre pastores da Assembleia de Deus, a maior Igreja pentecostal do Brasil com aproximadamente 16 milhões de adeptos (cerca de 37% da população evangélica brasileira). A meta principal desses pastores é a de avançarem mais no terreno católico, depois de terem conquistado um terço da população brasileira. Na última década, aproximadamente 16 milhões de brasileiros deixaram o catolicismo e se transferiram para as mais diversas igrejas protestantes.

A religião tradicional perdeu a sua força e a Igreja Católica não conseguiu, até agora, dar conta do atendimento aos pobres dos bairros periféricos urbanos (Wikimedia Commons)

De acordo com o recenseamento de 2011, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os evangélicos representavam, em 2010, 42,3 milhões de fiéis (cerca de 22,2 % da população). Paralelamente, o numero de católicos romanos passou de 73,6% em 2000 para 64,6% em 2010.

Essa meta de expansão foi fixada pelos chefes dessas Igrejas, reunidos em Belém-PA, em outubro passado, durante a festa do Círio de Nazaré. Paradoxalmente, pela primeira vez a Igreja Católica Romana aceitou uma proposta dos pentecostais para que a Assembleia de Deus participasse oficialmente do Círio que reuniu, somente em 2013, 2 milhões e 100 mil romeiros. A Assembleia de Deus encarregou-se de colocar os seus serviços de saúde à disposição dos participantes do evento.

Fatores

Os especialistas em religião que acompanham sistematicamente o fenômeno das mudanças religiosas no Brasil apontam vários fatores para essa transformação: o primeiro deles é a busca de sentido para a vida por partes de amplos setores da população que trocaram o campo pela cidade, sobretudo a partir do século XX. A religião tradicional perdeu a sua força e a Igreja Católica não conseguiu, até agora, dar conta do atendimento aos pobres dos bairros periféricos urbanos. Várias mudanças passaram a acontecer no interior do Catolicismo, independentemente das diretrizes oriundas do Vaticano. Uma delas é a mudança do perfil social e pastoral do clero, em um processo acompanhado pela ascensão dos leigos que passaram a ocupar novos papéis de liderança nas comunidades paroquiais. O pentecostalismo católico passou também a adotar, nos seus cultos, a mesma doutrina e a mesma linguagem seguida nos templos pentecostais.

Doutrina

A visão religiosa tradicional é mantida tanto no pentecostalismo evangélico quanto no católico, sobretudo no que se refere a Deus e ao Satanás, ao céu, à terra, ao inferno, ao pecado e aos castigos divinos. O pentecostalismo em expansão no Brasil reúne tanto as Igrejas tradicionais como a Assembleia de Deus, quanto Igrejas-empresas como é o caso da Igreja Universal do Reino de Deus e da Igreja Internacional da Graça de Deus, entre centenas de outras denominações. Um dos desafios colocados agora para a Igreja Católica é o de saber como dialogar com igrejas concorrentes: como, por exemplo, a CNBB vai interagir com Igrejas que tentam de todos os modos atrair os seus adeptos?



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