Homens ao mar no PSDB! Chamem os tubarões

O PSDB se prepara para jogar homens ao mar. Eduardo Azeredo e José Aníbal são sérios candidatos a serem expulsos. São considerados figuras difíceis de defender

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O PSDB se prepara para jogar homens ao mar. Eduardo Azeredo e José Aníbal são sérios candidatos a serem expulsos. São considerados figuras difíceis de defender

Por Antonio Lassance, na Carta Maior

Cúpula do PSDB em crise (Foto: Orlando Britto)

O PSDB encara 2014 com o otimismo de um Titanic frente a um iceberg. Seus dirigentes continuam dando declarações de que não irão afundar de maneira alguma. Mas a verdade é que sentem o frio percorrer a espinha. As más notícias das pesquisas de opinião sobre as eleições presidenciais são o de menos. Aquilo que realmente os apavora é o ataque sofrido ao que têm de mais caro, Minas Gerais e São Paulo, sua república particular do café com leite.

Em 2014, terão pela frente, de um lado, o julgamento do seu próprio mensalão, o original e que deu origem à série, no Supremo Tribunal Federal – STF. De outro, sofrerão as investigações da Polícia Federal sobre o trensalão paulista – denúncia de cartel, superfaturamento de obras públicas e pagamento de propina a dirigentes em altos postos de comando no governo paulista. Perto do propinoduto dos paulistas, o mensalão mineiro é brincadeira de criança.

Sabedores de que têm sérias avarias no casco, já existe um plano B. É simples, curto e grosso. Se houver pressão da opinião pública que aprofunde ainda mais a desmoralização que já vêm sofrendo, e se não conseguirem suficiente blindagem midiática e do Ministério Público, terão que sacrificar alguns de seus membros para serem devorados.

Vão, portanto, desovar em alto mar a carga que considerarem podre. Pretendem se livrar do peso morto e, ao invés de lançar botes e coletes salva-vidas, o plano dos comandantes é usar megafones para alertar os tubarões, dizendo: “olhem eles ali! Encham o estômago e nos deixem em paz”. Quanto mais forem fustigados, mais carne estarão dispostos a sacrificar.

Eduardo Azeredo e José Aníbal são sérios candidatos a serem expulsos. Ambos são considerados figuras isoladas e difíceis de se defender. São os primeiros da fila para andar na tábua. A coisa se complica quando se fala em Aloysio Nunes, que é muito ligado a José Serra e a Fernando Henrique. Mas há informações de que a Polícia Federal tem documentos suficientes para colocá-lo em péssimos lençóis.

A alta cúpula do tucanato sabe que houve corrupção em larga escala. O que não contava é que isso se tornasse tão evidente. Já se avalia que algumas provas do escândalo são incontestáveis e que haverá delatores suficientes para enrascar algumas de suas maiores lideranças até o pescoço, com crueza de detalhes.

Na fissura do salve-se quem puder, o PSDB quer evitar a estratégia adotada pelo PT. O PT assumiu que houve irregularidades, mas rechaçou peremptoriamente a prática de crimes. Se solidarizou com os acusados e atacou quem os condenou. Os tucanos que estão com os nomes jogados na lama serão abandonados – lama é apenas uma maneira de dizer, trata-se de algo bem pior.

O partido que ajudou a envenenar o poço agora vê que não pode reclamar de beber da água. A tentativa de se distinguir dos petistas será vendida como um ato de desprendimento em relação aos seus malfeitores. A questão, no entanto, não tem qualquer fidalguia.

A acusação mais grave que os petistas sofreram no STF foi a de atentar contra o Estado democrático e o funcionamento das instituições. Segundo o delator, Roberto Jefferson, o dinheiro amealhado teria sido distribuído a parlamentares de partidos para a compra de votos no Congresso – por isso o apelido de mensalão. E os tucanos? O que poderão dizer de um escândalo envolvendo a construção de um metrô que teve, como destino final, dinheiro guardado em contas bancárias na Suíça? Não é política. Tem cara, cheiro e cor de enriquecimento. Não é poder, é dinheiro. Não é mensalão. É propina.

Os petistas estão indignados e querem seus dirigentes de volta. A condenação de José Dirceu, Genoíno e Delúbio uniu até quem passou a vida fazendo oposição a eles dentro do PT. Os tucanos estão divididos e querem defenestrar aqueles que foram pegos com a mão na massa, pelo menos seus operadores, porque já sabem que deles não podem esperar qualquer reciprocidade partidária.

O PT trata seus três mosqueteiros como heróis – o quarto, João Paulo Cunha, está a caminho. O PSDB está fazendo sua lista de párias para publicá-la a qualquer momento.

Realmente, são duas coisas completamente diferentes. Enquanto o PT cospe fogo, o PSDB se prepara para engolir espadas.

(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB).



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5 comments

  1. pablomartinsbalieiro Responder

    Se não for condenado, tudo bem então? Bem, é exatamente isso que o psdb vem fazendo desde 199x, quando ELE MESMO coordenava a corrupção nos níveis estadual e federal. Sejamos francos: QUE O PSDB AFUNDE NA COVA QUE CAVOU!!!

  2. mdollis Responder

    É uma pena q o PT não faça o mesmo. O partido acobertou e protegeu todos os membros envolvidos em escandalos indubtaveis. Até mesmo os condenados de forma definitiva ainda são membros do partido e tratados como herois pela militanca nada confiável.

    1. Ricardo Pinto Responder

      Se o crime fosse por um “projeto político”, como inventaram, isto seria motivo para defendermos estes membros. Como sabemos que é uma invenção que acoberta um crime eleitoral, apesar de nos envergonharmos, nos sentimos injustiçados. Mas o PSDB tem mesmo são enriquecedores com o dinheiro público o que os deixa abaixo até mesmo da operação de caixa dois. Que chafurdem na lama!!

      1. mdollis Responder

        Isso parece briga de irmãos, quando a mãe briga com um filho q fez algo errado, ele se sente injustiçado pelo fato de o outro tb ter feito mas não ter sido flagrado.

        Se os crimes tivessem ocorrido em função de um projeto politico, a coisa seria pior, isso seria um golpe. O motivo q alega ser justo para defender os criminosos é ainda mais nefasto do que qq outro poderia ser. Mas, alegasse, q não foi por um projeto politico específico. Então os crimes foram cometidos como uma ação rotineira, que ocorre em vários outros partidos e em todas as esferas de poder. A diferença é q escancararam muito, não fizeram nem força pra disfarçar, e envolveram gente de mais.

        Quando ao enriquecimento ilicito, tudo o q se sabe sobre o PSDB ainda é pouco perto do que se sabe sobre o PT. O primeiro e principal caso absurdo é o próprio Lula e seu filho, q de forma pouco explicada saltaram de um padrão classe média pra megamilionários.

        Eu não voto no PSDB, tb não voto no PT, eu voto em candidatos (muitos deles do PT), e quando menos ligado ao núcleo partidário, mas valor o candidato tem pra mim.

        Para que o PT continue crescendo em popularidade acredito q o nucleo intelectual e os formadores de opinião devam abandonar a estratégia no maniqueísmo, onde prescipitadamente as coias são julgadas certas ou erradas, boas ou más, apenas em função do partido que as faz. Esse tipo de coisa não irá afugentar os militantes fanáticos, mas aos poucos tem criado antipatias em quem tem uma visão mais ponderada, não apoia ninguem incondicionalmente, mas ainda tem um titulo de eleitor, como é o meu caso.

  3. Ricardo Pinto Responder

    Esta estória de compra de votos é por si mesma ridícula, mas como diz o texto: “O partido que ajudou a envenenar o poço agora vê que não pode reclamar de beber da água.”.
    Quem inventou de transformar caixa dois eleitoral em intentona comunista que pague o preço.


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