Edward Snowden é eleito personalidade do ano por leitores do The Guardian

“Ele entregou seu futuro para os valores democráticos, a transparência e a liberdade”, diz leitor

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“Ele entregou seu futuro para os valores democráticos, a transparência e a liberdade”, diz leitor; em segundo lugar ficaram os ativistas do Greenpeace que protestaram contra exploração de petróleo no Ártico russo

Tradução: Ítalo Piva

Uma votação entre os leitores do jornal britânico The Guardian elegeu o ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA), Edward Snowden como a personalidade do ano de 2013. Leia abaixo tradução dos principais trechos de matéria de Mark Rice-Oxley, Leila Haddou and Frances Perraudin, do The Guardian.

Edward Snowden acabou em Moscou, onde agora vive em um estado curioso de limbo à lá Julian Assange (Thierry Ehrmann – Abode of Chaos / Flickr)

Snowden, que vazou cerca de 200 mil arquivos detalhando a espionagem telefônica e online feita pelos Estados Unidos, foi eleito pela esmagadora maioria das mais de 2 mil pessoas que votaram.

Snowden recebeu 1.445 votos. Em um segundo lugar distante, de uma lista de 10 candidatos elaborada por jornalistas e editores do Guardian, vieram Marco Weber e Sini Saarela, os ativistas do Greenpeace que lideraram o protesto na plataforma contra a exploração de petróleo no Ártico russo. Eles receberam 314 votos. O Papa Francisco, com 153, ficou pouco à frente do blogueiro e ativista contra pobreza Jack Monroe, que teve 144.

É estranho agora considerar que pouco mais de seis meses atrás ninguém tinha ouvido falar de Snowden, e poucos fora dos Estados Unidos sabiam o que a abreviação NSA significava. Mesmo que a privacidade online já começasse ser um tema de debate, poucos tinham ideia de quanto poder os governos e seus auxiliares secretos tinham para pesquisar, separar, colher e analisar informações digitais de milhões de cidadãos privados.

Tudo isto mudou em maio quando Snowden deixou o Havaí com destino a Hong Kong. Lá se encontrou com os jornalistas do Guardian Glenn Greenwald e Ewen MacAskill, e a cinegrafista independente Laura Poitras, entregando materiais que estourariam a boca do balão sobre tecnologias de espionagem, algumas das quais eram mais estranhas que ficção cientifica: um programa gigantesco para monitorar atividades digitais direto dos servidores de algumas das maiores companhias de tecnologia americanas; o grampeamento de cabos de fibra ótica para colher vastas quantidades de dados entrando e saindo do Reino Unido; um programa para obter os arquivos telefônicos de milhões de americanos; um enorme esforço para quebrar os códigos criptográficos do sistema que é a base da segurança da internet.

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Assim, Snowden certamente transformou sua própria vida, e não para melhor. Forçado a fugir, ele acabou em Moscou, onde agora vive em um estado curioso de limbo à lá Julian Assange, incapaz de se movimentar por medo de prisão, extradição para os EUA e uma potencial longa sentença, se a de 35 anos dada a Manning for algum indicio.

É seu sacrifício próprio, tanto quanto suas revelações que impressionaram a maioria dos leitores que votaram nele. “Ele entregou seu futuro para os valores democráticos, a transparência e a liberdade”, disse Miriam Bergholz. Colin Walker escreveu: “Precisamos de mais pessoas como ele, que têm a coragem de esquecer suas próprias vidas para lutar pela liberdade de outros. Cá entre nós, a vida dele acabou já que mesmo que volte aos Estados Unidos vai se deparar com décadas na prisão, o sacrifício pessoal que ele fez é imenso.” Um leitor que se identificou apenas como “irememberamerica” disse que votou em Snowden por sua “coragem extraordinária e exemplar, e pelo valor histórico desse ato de rebeldia. Com cada passo, ele demonstrou uma integridade e presença mental magnífica. Ele é um grande patriota americano e internacional.”

Alguns leitores sentiram que as ações dos ativistas do Greenpeace foram tão corajosas quanto, se não mais corajosas do que as de Snowden. “Enfrentar a prisão, como Snowden corre o risco, em defesa da privacidade é uma coisa,” diz CaptainGrey. “Enfrentar lesões corporais ou até a morte em defesa do planeta, como ativistas do Greenpeace em muitos casos fazem, é uma coisa completamente diferente,” disse ele, ao votar para Weber e Saarela.

Outros falaram bem do Papa Francisco, Waris Dirie e Jack Monroe. Iriscepero escreveu: “Estou votando na Waris Dirie pelo seu trabalho contra a mutilação genital feminina. É uma maneira horrível e brutal de se controlar mulheres, que leva muitos riscos à saúde, algo que tem que acabar. Eu sinto que esse assunto não recebe a devida atenção por causa das nacionalidades que normalmente estão envolvidas nessa pratica.”



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