Chile: pesquisas indicam vitória de Michelle Bachelet neste domingo

Pesquisa mostra candidata com mais de 60% do votos; seu programa prevê legalização do aborto, eutanásia e casamento igualitário

513 0

Por Marcelo Hailer

Foto: campanha Todos con Michele

Pesquisa divulgada esta semana aponta que a candidata socialista, Michele Bachelet (coligação Nova Maioria), venceria com 63,7% dos votos contra 36,3% da governista Evelyn Matthei (coligação Aliança pelo Chile). A pesquisa foi realizada pelo instituto Ipsos e pela Universidade de Santiago.

Porém, neste momento ambas as candidatas fazem forte campanha para convencer os eleitores que se abstiveram no primeiro turno (49%) a votarem. A mesma pesquisa que indica ampla vantagem de Bachelet no segundo turno, também diz que o número de eleitores que não pretendem votar vai se repetir.

Quem mais perde com a abstenção de eleitores é a candidata socialista, pois parte dos cidadãos que não pretendem votar moram nos distritos mais periféricos, o principal colégio eleitoral de Michelle Bachelet. Mas analistas locais afirmam que, mesmo com este número alto de eleitores ausentes, dificilmente a oposição perde esta eleição.

Reforma constitucional

A principal proposta da candidata pelo Partido Socialista do Chile, Michelle Bachelet, que já governou o Chile entre 2006 e 2010 e deixou o governo com uma aprovação de 80%, é a reforma Constitucional, que, segundo recente entrevista da candidata, deve ser apresentada já em 2014.

A reforma constituinte é composta de três eixos fundamentais: reforma tributária, educacional e constitucional. Os temas que mais devem causar polêmica são os eixos que defendem a legalização do aborto, eutanásia e casamento igualitário.

Alocados em Direitos Fundamentais, o texto que deve ser apresentado no ano que vem estipula que a “lei regule modalidades e prazos para a interrupção voluntária da gravidez”. Em outro ponto, onde se trata do “direito à vida, integridade física e psíquica”, o texto abre espaço para a prática da eutanásia. “O paciente adulto, mentalmente competente, tem o direito de dar ou negar seu consentimento para qualquer exame, diagnóstico ou terapia, assim como suspender um tratamento médico que o mantém vivo”, diz a proposta da candidata Bachelet.

A proposta também prevê o “respeito, a igualdade e a não discriminação e que se reconheça o direito igualitário ao matrimônio para que se construa uma família”. Ainda no tópico dos direitos fundamentais, propõe-se uma educação “gratuita como direito fundamental a todos cidadãos”.

Por fim, outro ponto que deve gerar bastante discussão é a cláusula que prevê reeleição presidencial. Hoje, o Chile possui mandatos únicos com duração de quatro anos.

Se aprovada no Congresso, a reforma Constituinte deve passar por um plebiscito.

Um governo em frangalhos

Eleito em 2010, Sebastián Piñera derrotou a Concertação, coligação que presidia o Chile desde o fim da ditadura, em 1990. Pode-se dizer que, à época, a eleição de Piñera se deu por um desgaste da coligação socialista que, rachada, lançou mais de um candidato (dissidente) à presidência.

O governo Piñera foi marcado por forte onda de protestos desde o seu início, principalmente pelas organizações estudantis, que se posicionaram radicalmente contra as reformas liberais de educação. Posteriormente, na data em que marcou um ano de seu governo, foi realizada a “Jornada de Manifestações”, liderada por várias frentes de lutas de classe que paralisaram o país.

Pode-se dizer que a única contribuição do governo liberal de Piñera foi a aprovação da lei Daniel Zamudio, que tornou crime a homofobia no Chile. Zamudio, 24, foi espancado até morte por um grupo de jovens. Piñera se empenhou pessoalmente para aprovar a lei e os agressores foram condenados à prisão perpétua.

Mas nem essa atitude progressista ajuda a candidata governista, Evelyn Matthei, ex-ministra do Trabalho, que, como postulante presidencial da situação acaba por carregar todo o ônus negativo do atual governo. E também o slogan de campanha não ajuda em nada. Sob a chamada “Si, se puede”, Matthei bate na tecla que representa um projeto que está acima das ideologias e que trabalha pelo Chile. Aqui no Brasil conhecemos bem este tipo de discurso.

Em todo caso, analisando o panorama chileno e o carisma de Michelle Bachelet, que tem uma popularidade idêntica a do ex-presidente Lula, fica difícil imaginar uma derrota, principalmente com o slogan de sua campanha “Todos Com Michelle”, uma campanha à esquerda, pelo Chile, mas com ideologia. Pensamos que não, mas isso faz toda a diferença.

 



No artigo

x