“Estamos prontos pra morrer”, respondem indígenas à nova reintegração de posse

Segundo informações da Polícia Federal, a reintegração poderá acontecer na próxima quarta-feira (18). Indígenas afirmam que resistirão à ação policial

218 0

Segundo informações da Polícia Federal, a reintegração poderá acontecer na próxima quarta-feira (18). Indígenas afirmam que resistirão à ação policial

Por Ruy Sposati, no Brasil de Fato

(Foto: Reprodução/Facebook)

A Justiça Federal concedeu mais uma reintegração de posse contra os Guarani Ñandeva do Tekoha Yvy Katu, localizado entre municípios de Japorã e Iguatemi, fronteira do Brasil com o Paraguai. No total, quatro decisões contrárias à permanência dos indígenas na área, declarada em 2005 como terra indígena, onde incidem 14 propriedades rurais. O Tribunal Regional Federal a 3a. Região (TRF-3) recusou os agravos que pediam a suspensão das ações de despejo. Segundo informações da Polícia Federal, a reintegração poderá acontecer na próxima quarta-feira, dia 18. Indígenas afirmam que resistirão com a própria vida à ação policial.

“A nossa decisão é lutar até morte pela nossa terra Yvy Katu. Nem depois de nossa morte vamos sair daqui”, defende uma carta da comunidade, publicada nesta quinta-feira pelo Conselho do Aty Guasu. Acampados há 60 dias nos 7,5 mil hectares que ainda permaneciam em posse de fazendeiros, de um total de 9, 4 mil identificados pela Fundação Nacional do Índio (Funai), a retomada é a maior ocupação de terras da história dos Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul.

Em nota pública, o Conselho Indigenista Missionário apontou para o “risco de genocídio iminente (…) do que poderá ser um dos maiores massacres da história contemporânea deste país”, e cobrou um posicionamento da Presidência da República e o Ministério da Justiça. “Não é possível que o primeiro passo para a solução do problema seja a permissão do ministro da Justiça para que a Polícia Federal realize um genocídio em favor da elite agrária sul-mato-grossense.”

Polícia

A liderança Leila Guarani relata a postura truculenda da Polícia Federal na notificação da reintegração da Fazenda Remanso, na última terça, 11. “Ele [PF] não foi assim pra entregar, ‘lê aqui o papel que eu trouxe’.ra avisar só. Ele chegou apontando arma, violento, com abuso”, relembra. “Ficaram com arma apontada pra criança, pra mulher com criança no colo, dizendo eu vai ter que desocupar e voltar no 10%. A mesma coisa da outra vez”

No total, a Justiça concedeu reintegração em favor de nove propriedades, das 14 que incidem sobre a terra indígena declarada. As fazendas e proprietários são Luiz Carlos Tormena, dono da Fazenda Chaparral; Flávio Pascoa Telles de Menezes, da Fazenda Remanso; Agropecuária Pedra Branca, pessoa jurídica proprietária da Fazenda São Jorge; e Itamar Varago, Márcia Ana da Cruz Varago, Irany Aparecida Varago, Ilmara Varago Assis, José de Assis, Ivagner José Varago e Aparecida Conceição Prando Varago, famílias proprietárias da Fazenda São José, Estância Varago, Sítio São João, Sítio São Pedro, Chácara São Luiz e Sítio Santo Antonio.

“Eles falam em 14 propriedades. Pra nós é só um Tekoha Yvy Katu. Só pro fazendeiro tem nome diferente, tem vários nomes. Pra nós é só um”, explica Leila. “E nós vamo lutar até a última vida. Vamo derramar todo o nosso sangue. Estamos prontos pra morrer mesmo”.

“Nós vamos permanencer. Se for pra guerra, nós tamos prontos pra morrer. Nós não vamos sair mais. Nós não vamos abandonar mais essa terra, que demorou tanto tempo pra conseguirmos de volta. Já estamos esperando há muitos muitos anos. Agora, nós já estamos aqui. Nós vamos morrer tudo aqui”, conclui.



No artigo

x