FHC desenterra dogmas neoliberais

Ex-presidente sugere que o neoliberalismo dos anos 90 deve nortear a política brasileira

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Defendendo o retorno do “alinhamento automático” com os EUA e Europa, o distanciamento dos países dos BRICS e o processo de integração na América Latina, ex-presidente sugere que o neoliberalismo dos anos 90 deve nortear a política brasileira.

Por Altamiro Borges, em seu blog

Em sua coluna no jornal Estadão deste domingo (5), o ex-presidente FHC abriu o jogo. Ele propôs, sem meias palavras, o retorno ao receituário neoliberal – o mesmo que quase quebrou o Brasil em seu triste reinado e levou a uma das mais graves crises do sistema capitalista mundial – e ainda do complexo de vira-latas diante dos EUA. Especula-se que o grão-tucano foi sondado para ser vice de Aécio Neves, o cambaleante presidenciável do PSDB, numa chapa puro sangue que repetiria a dobradinha café-com-leite – São Paulo e Minas Gerais. Seria ótimo para explicitar os projetos em disputa no Brasil. É bom guardar o texto de FHC, antes que ele peça para esquecer o que escreveu, como importante peça da campanha de 2014.

Entre outras medidas “urgentes”, o ex-presidente prega que “é óbvio que a política externa brasileira precisará mudar de foco, abrir-se ao Pacífico, estreitar relações com os EUA e a Europa, fazer múltiplos acordos comerciais, não temer a concorrência e ajudar o País a se preparar para ela… Não devemos ficar isolados em nossa região, hesitantes quanto ao bolivarianismo, abraçados às irracionalidades da política argentina”. O texto parece ter sido escrito por algum assessor de Barack Obama, talvez com o objetivo de conseguir apoio financeiro das multinacionais estadunidenses!

Fonte: midiaindependente.org

Ou seja, FHC defende abertamente o retorno à política de “alinhamento automático” com os EUA e o distanciamento dos países dos Brics e do processo de integração soberana da América Latina. No seu governo, esta orientação colonizada travou o desenvolvimento do país e reduziu a diversidade dos parceiros comerciais. Caso estivesse em vigor em 2008, quando os EUA afundaram na recessão, o Brasil ficaria pendurado na brocha. A política externa soberana do ex-presidente Lula, mantida na essência por Dilma Rousseff, foi um dos fatores fundamentais para evitar que a crise mundial tivesse o impacto de um tsunami no Brasil. Mesmo assim, FHC finge-se de morto e prega o retorno ao passado.

Já no que se refere à política interna, o grão-tucano repete os velhos dogmas neoliberais. Defende que “já é hora de baixar os impostos” – dos capitalistas e não os descontados na folha de pagamento dos assalariados – “e de abrir mais a economia”. É a velha tese do Estado mínimo – mínimo para os trabalhadores e máximo para o grande capital. Em seu triste reinado, a tal abertura da economia quase quebrou a indústria e outros setores produtivos, reduzindo o mercado interno de consumo e resultando em recordes de desemprego. Já a carga tributária foi elevada para os assalariados e os banqueiros e grandes corporações empresariais receberam inúmeros socorros, como o famoso Proer.
FHC ainda insiste que é preciso acelerar o processo de privatização. “Noutros termos, fazer com competência o que o governo petista paralisou nos últimos dez anos e o atual, de Dilma Rousseff, se vê obrigado a fazer, mas o faz atabalhoadamente, abusando do direito de aprender por ensaios e erros, deixando no ar a impressão de amadorismo e dúvida sobre a estabilidade das regras do jogo. Com isso não se mobilizam no setor privado os investimentos na escala e na velocidade necessárias para o país dar um salto em matéria de infraestrutura e produtividade. Mordido pelo DNA antiprivatista e estatizante, persiste o governo atual nos erros cometidos na definição do modelo de exploração do pré-sal”.

Com o artigo intitulado “Mudar o rumo”, o grão tucano tenta desenterrar velhos dogmas neoliberais. Estas ideias destrutivas e regressivas já causaram três derrotas seguidas do PSDB nas eleições presidenciais e transformaram FHC num dos políticos mais rejeitados da história do Brasil. Ao final do texto, o ex-presidente afirma: “É preciso redesenhar a rota do país. Dois terços dos entrevistados em recentes pesquisas dizem desejar mudanças no governo. Há um grito parado no ar, um sentimento difuso, mas que está presente. Cabe às oposições expressá-lo e dar-lhe consequências políticas”. Concordo plenamente! A oposição demotucana e os novos oposicionistas devem, de fato, levar estas propostas para a TV.



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3 comments

  1. Marcelo Almeida Responder

    Por que FHC não se candidata a vice? Seria muito divertido vê-lo sendo esmagado por Dilma!

  2. Henrique Veloso Responder

    APENAS ALGUMAS OPINIÕES SOBRE O QUE É FUNDAMENTAL
    Em parte é ótimo colocar essa discussão e em parte também é necessário rever algumas coisas, engraçado isso, concordo com a descentralização do poder público e com a política do mercado aberto, embora, seja necessário rever o caso das privatizações, estas, que não podem ou como não devem ser realizadas no momento e, muito pelo contrário, necessitam de investimentos mais transparentes e com objetivos viáveis e um direcionamento para o mercado interno e externo. A proposta de abertura deverá ser realizada depois que os processos sejam destravados, como a burocracia e uma baixa considerável nos impostos, inclusive estaduais e municipais, além disso, também inclui as cobranças de IR acima de 10 salários mínimos, ou seja acima de R$ 7.000 (sete mil reais) sem falar no IPTU e IPVA e em outra política econômica e para as leis trabalhista ou previdência privada. O governo vai ter que propiciar essa abertura, como também, propiciar a baixa de produtos de energia e derivados de petróleo e não para por aí, precisa enxugar a máquina financeira e buscar alternativas para terceirização dos serviços públicos entre empresas nacionais. As perdas para o governo serão grandes e com uma baixa substancial no faturamento de impostos, embora, tendo menores riscos de causar uma desaceleração econômica pelo país. O fato que não é necessário privatizar, entretanto, não precisa também terceirizar mão de obra, mais em investir na formação de empresas nacionais (franquias), como acontece nos correios e na caixa econômica federal com as lotéricas. Melhorar os transportes públicos e aumentar consideravelmente a rede ferroviária por todo país interligando cidades, estados e regiões. Precisa melhorar também as linhas fluviais e reduzir a carga tributária sobre empresas de transporte de garga e truísmo. Isso é significante demais. Quase que impossível de conseguir pagar as contas com o auto endividamento do estado e com tanta saída de moeda para cumprir com as obrigações (metas econômicas). A minha opinião é observar que existem grandes falhas da administração pública no Brasil e em relação em manter as estatais, isso é, definitivamente, importante. Não teremos como sustentar o estado sem elas. Esse é o ponto certo! A questão também reside em enxugar o funcionarismo público em certas áreas e, em outra, aumentar, no caso da saúde, educação e segurança pública. A polícia deveria ser privatizada. Seria uma forma de equilibrar as despesas pública e melhorar o serviço, menos a federal e a civil, apenas, polícia estadual e municipal. Alguns órgãos deveriam se fundir e reduzir ou transferir parte dos funcionários para atuar em áreas mais necessárias e mais urgentes. Isso deve levar uns dez anos para ficar organizado e poder abrir o mercado, entretanto, se ele fizer dessa forma, estaremos desprotegendo nosso poder de fogo e nossa maior força para enfrentar as crises adiante, principalmente, a atual crise do país. O ponto é que a questão das aposentadoria poderiam encaminhar para o setor privado e, isso, com a proteção do estado e incentivos fiscais. Precisa criar uma linha de investimento no patrimônio público, ações do governo federal para estabelecer ganhos financeiros importantes para todos os brasileiros e estrangeiros e, também criar novos mecanismos para acionar investimentos em outros tipos de ações privadas. Fazer esse equilíbrio seria necessário. Acredito que alguns órgão seriam fechados e outros deveriam aumentar de tamanho, como na justiça brasileira e departamento de segurança pública. Também órgãos para gerir associações e grupos de pesquisa, principalmente, na área de meteorologia e bioquímica, defesa nacional e tecnologia espacial. Além de criar uma central de inteligência mista, parte privada e outra governamental. Tudo isso precisa ser realizado no Brasil a partir do próximo governo e, independente, que seja este ou aquele partido, caso não seja realizado com urgência isso tudo, a coisa toda vai para os cafundó de judas… O custo de vida do brasileiro precisa baixar, assim como os preços dos produtos, uma nova política para a área fiscal e novas estruturas para administração pública. Formulas melhores para os principais problemas, relacionados ao trânsito e ao transporte é muito importante isso. Focar nas estruturas para atender o turismo interno e também externo, em fim, determinar uma proximidade entre as regiões brasileiras, maiores oportunidades comerciais e melhor logística para o transporte de carga. Essa será outra estatal nacional e com participação de investidores brasileiros. Determinando quase uma parceria entre o governo e a iniciativa privada. Os portos também necessitam modificarem as estruturas e, talvez, se possa até privatizar algo nessa área. Caso isso possibilite reduzir consideravelmente o custo para o transporte naval dos produtos industrializados no Brasil.

  3. Neto Responder

    Termos taxativos como
    neoliberalismo, são carimbos caricaturais de quem gosta de querer simplificar
    de forma maniqueísta a complexidade das decisões em política e economia,
    estratégia de estado e desenvolvimento que a “esquerda” (se é que nessa altura
    do campeonato a mais de 200 anos da Revolução Francesa ainda se presta esse
    termo à algo útil) adora usar de boca cheia. Foi no governo FHC que o Brasil superou e
    enfrentou em condições super adversas três crises econômicas (que naquela época
    colocava um emergente de joelhos), estabilizou a moeda, controlou a inflação,
    fortalecou o sistema financeiro, viabilizou investimento importantes com a
    privatização (que os petistas agora precisam rebatizar com o termo concessões
    públicas e PPP para não parecerem concordar com os neoliberais), necessária num
    momento em que o Estado tinha capacidade muito mais reduzida do que hoje tem de
    investir, agiu de forma responsável no campo fiscal (lei de responsabilidade e
    renegociação das dívidas da união), criou as bases dos programas sociais que
    foram ampliados pelo PT, (bolsa escola) enfim. Foi lá que se plantou muito do
    que se tem de melhor no Brasil de agora e que o Lula usurpa como se fossem
    méritos daquilo que foi feito no seu governo. Não foi.. Essa história de falar
    que FHC quero o alinhamento automático com EUA é uma forçação de barra de quem
    tem no cérebro um alinhamento automático com Cuba. Existem muitos tons de cinza
    entre o preto que você escreve e o branco que parece querer defender.


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