Rolezinho: ato em SP vai “denunciar o caráter racista” de shoppings

Para um dos organizadores, repressão é tentativa de "impedir a presença de jovens, moradores de periferia, na sua ampla maioria negros" nos centros comerciais

760 5

Para um dos organizadores, repressão é tentativa de “impedir a presença de jovens, moradores de periferia, na sua ampla maioria negros” nos centros comerciais

Por Igor Carvalho

Rolezinho em Itaquera (Foto: Reprodução/Facebook)

Marcada para o próximo sábado (18), às 12h, uma manifestação contra a repressão dos shopping centers ao movimento conhecido como “rolezinho”, realizado por jovens das periferias de São Paulo. Segundo Juninho Jr., do Círculo Palmarino, um dos organizadores do ato, a intenção é “denunciar o caráter racista das ações que vem sendo promovidas pelos shoppings de São Paulo.”

A manifestação seguirá até a entrada do shopping JK Iguatemi, um dos mais ricos da capital paulista, que no último sábado exigiu os documentos de frequentadores do local e até dos funcionários que trabalham nas lojas para evitar o “rolezinho”. Menores de idade desacompanhados não puderam frequentar o espaço.

O “rolezinho”, para Juninho, é a consequência do ideal de consumo propagado pelas elites, frequentadoras assíduas dos shoppings. “A burguesia propaga cotidianamente que para você ser alguém, ser reconhecido, é necessário ter e consumir, e o funk ostentação dialoga com esse sentimento. Porém, enquanto esses jovens sonharem com carros de luxo, roupas de marca, lá na periferia, tudo bem, o problema é quando eles desejam ocupar os espaços que tradicionalmente só são ocupado pelo andar de cima, ai gera uma contradição que a elite não consegue responder senão pela repressão.”

No último sábado (11), a Polícia Militar chegou a usar gás lacrimogêneo e bala de borracha para dispersar o “rolezinho” em um shopping de Itaquera. Três jovens foram detidos.

Confira a entrevista com Juninho Jr.

Fórum – Qual o objetivo do ato?
Juninhor Jr. – O objetivo do ato é denunciar o caráter racista das ações que vêm sendo promovidas pelos shoppings de São Paulo, que tentam impedir a presença de jovens, moradores de periferia, na sua ampla maioria negros, que estão sendo impedidos de realizar os seus encontros chamados de “rolezinho”.

Fórum –  Na concepção dos organizadores, o que significa o “rolezinho” e, mais ainda, porque a repressão?
A burguesia propaga cotidianamente que para você ser alguém, ser reconhecido, é necessário ter e consumir, e o funk ostentação dialoga com esse sentimento. Porém, enquanto esses jovens sonharem com carros de luxo, roupas de marca, lá na periferia, tudo bem, o problema é quando eles desejam ocupar os espaços que tradicionalmente só são ocupado pelo andar de cima, ai gera uma contradição que a elite não consegue responder senão pela repressão, expondo abertamente a segregação social, territorial e racial que existe no seio da sociedade brasileira.

Fórum – Por que o movimento foi criminalizado?
A criminalização contra expressões culturais da comunidade negra não é novidade, já sofremos isso com a capoeira, religiões de matriz africana e comunidade tradicionais, contra o samba, contra o rap, e a bola da vez é o funk. Os rolezinhos e o funk ostentação estão longe de serem movimentos que propõem mudanças sociais, mas não podemos negar que são expressões das contradições da sociedade que vivemos, profundamente desigual, onde poucos têm muito e a grande maioria vive com muito pouco, sem acesso à cidadania plena e direitos como educação, saúde, transporte, cultura e tantos outros problemas que enfrentamos.



No artigo

5 comments

  1. juju Responder

    rodrigo, nesses rolezinhos ficou comprovado (inclusive por eles próprios, através de fotos no facebook) que certos grupos de participantes se juntavam àqueles, que, digamos, queriam só passear mesmo, e aproveitaram para realizar furtos. ou seja, os rolezinhos instauraram um clima de pavor generalizado. quem é que gosta de ser assaltado? por favor, me apresente essa pessoa, pois não a conheço.agora vamos a mais fatos: o brasil é um país de desigualdade social, que no nosso caso, esta intimamente relacionado também a questões de etnia. os afrodescendentes são historicamente aqueles que fazem parte da maioria mais pobre da população. também relacionado ao índice de criminalidade está a associação deste à renda e condições de vida do cidadão: é a luta de classes e a falta de oportunidades. é uma coincidencia? no caso do brasil, não. é a realidade do país. é muito ingenuo da sua parte achar que barram pessoas negras e digamos ” com caracteristicas de ladrão” se podemos dizer assim, (roupas, jeito de andar e falar, etc), e reduzir isso apenas à racismo pura e simplemente. os negros são barrados por que, infelizmente, esse ainda é o perfil da maioria das pessoas que está nas periferias. é o perfil da maioria das pessoas que cometem crimes. é o perfil do pobre marginalizado do brasil. existem brancos ladrões e pobres? sim. mas historicamente, não é esse o grupo que está na maioria. o que eu quero dizer, é que: não é por que uma pessoa nasceu negra que ela é uma criminosa, mas no caso do brasil, devido às nossas condições sociais e à nossa história, calhou de ser justamente o negro o grupo social que mais representa quem precisa estar no crime para sobreviver. pergunte a quem já foi assaltado um dia, se quando vem andando sozinho na rua, não tem medo de pessoas mal vestidas, mal encaradas, pobres e/ou negras. desculpe, mas essa é a realidade nua e crua do brasil!!!! não é tudo tão preto-no branco, tudo deve ser analisado dentro de um contexto.

  2. juju Responder

    tiago, não dá para ser assim tão mesquinho com esse grupo de pessoas, pois historicamente, eles sempre foram marginalizados pela sociedade. não estão onde estão hoje por causa de preguiça ou fracasso pessoal, é que sempre teve um grupo muito mais forte e poderoso no poder, e quem é pobre nunca teve vez para crescer e se desenvolver como deveria ser justo.

    1. anônimo Responder

      será… Sendo assim um cara que nasce pobre nunca poderá ter nada.

      1. juju Responder

        poderá sim, mas me diga, quem terá mais chances: uma pessoa que nasceu de uma família tradicional, com dinheiro para investir em sua educação, ou um que nasceu na favela, que quer estudar, mas não tem $? claro que ele consegue, mas não com as mesmas facilidades de quem já está lá no topo…

  3. juju Responder

    e muita gente confunde lugar público com lugar coletivo. shopping não é lugar público. é um lugar privado, para uso coletivo. praça, parque…sim é público.


x