Ativista gay é apedrejado em praça do Uruguai

Adultos incitaram crianças a atacar Kevin Royk, que gravava um clipe na área pública

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Adultos incitaram crianças a atacar Kevin Royk, que gravava um clipe na área pública

Por Isadora Otoni

“Começaram a me chamar de preto, marica”, disse Kevin (Reprodução/Youtube)

Kevin Royk, cantor e ativista dos direitos LGBT no Uruguai, foi apedrejado no último domingo (12) enquanto gravava um clipe na praça Seregni, em Montevidéu. Dois adultos empunhavam pedaços de pau e incitavam cerca de quatro crianças a atacarem o artista e sua equipe de produção. “Os adultos disseram que eu estava despido, que eu não podia estar ali, mas eu estava vestido como mostra o vídeo”, contou Kevin. “As crianças começaram a me chamar de preto, marica, e coisas que não posso reproduzir porque me envergonham. Depois vieram mais adultos e começaram a golpear mais forte, mas ninguém teve lesões graves”.

O cantor estava acompanhado de aproximadamente 10 pessoas produzindo o vídeo da canção “SuperFlúo” e, coincidentemente, também gravavam cenas para um documentário chamado La Tribu, que aborda a violência na rua contra diferentes tribos urbanas. Kevin se assustou com o episódio e declarou que não é uma situação constante, mas ainda acontecem vários casos de violência contra as minorias.

“Os afros e LGBT seguem sendo vulneráveis na sociedade, e não podemos seguir assim, avançando por um lado e retrocedendo em outros. A praça é um lugar público, um grupo só não pode se apoderar de um lugar, muito menos dessa maneira”, desabafou. “Ainda existem casos de assassinatos de pessoas trans que não foram esclarecidos”.

Apesar das iniciativas progressistas do governo de Uruguai, a população ainda avança lentamente em questões sociais. “Uruguai está em avanço, temos lei de aborto, lei da maconha, matrimônio igualitário, mas na rua, tudo está igual”, lamentou Kevin. “Necessitamos da aplicação das leis aprovadas”. Para o artista, a resolução do problema está na educação dada às crianças, já que parte da população ainda segue discriminando e atacando sem motivo.

Em 2013, Kevin esteve no Brasil para participar da 13ª Feira Cultural LGBT, em São Paulo. No evento, o cantor apresentou o show “Go Glama” com dois dançarinos. O artista também possui contato com o ativismo LGBT da Argentina, onde já integrou a programação da Marcha do Orgulho LGBT de Buenos Aires.



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8 comments

  1. Antonio Responder

    juventude hitlerista?

  2. Guest Responder

    Não foi pedra ao chão… definitivamente, NÃO! Jogaram pedras no artista como está muito bem registrado no vídeo. Isso é ‘apredejamento’ sim! E é de uma violência inaceitável, principalmente se estimulada ali mesmo por adultos que, muito provavelmente, vão dizer que as crianças não jogaram pedras no artista – aliás, pode chamá-lo ser humano também, se isso não lhe ofuscar mais ainda a visão. Pedras na Geni… como diz a canção-denúncia de uma sociedade podre, hipócrita e vendida a valores inaceitáveis que visam DEPREDAR o ser humano segundo consensos e negações doentias. O curioso é que estou trabalhando uma animação justamente para essa canção do Chico Buarque e me aparece essa reportagem. Já havia feito a cena do apedrejamento e fiquei perplexa de como é exatamente aquilo que imaginei (ou seja, violência é violência, que é um lugar comum), mas não havia tantas crianças na cena que criei. E, que triste, assistir uma sociedade que grita ‘preto’ e ‘maricas’ afinada por um ódio que é pura ignorância. Deve ser a mesma que grita ‘pobre’, ‘mulher’, ‘aleijado’ e outras palavras de guerra afins. Nota: o tal sujeito que fez o comentário é um brasileiro… Ou seja, a violência não tem fronteiras e sua motivação é linguagem única.

  3. Dora Galesso Responder

    Não foi pedra ao chão… definitivamente, NÃO! Jogaram pedras no artista como está muito bem registrado no vídeo. Isso é ‘apredejamento’ sim! E é de uma violência inaceitável, principalmente se estimulada ali mesmo por adultos que, muito provavelmente, vão dizer que as crianças não jogaram pedras no artista – aliás, pode chamá-lo ser humano também, se isso não lhe ofuscar mais ainda a visão. Pedras na Geni… como diz a canção-denúncia de uma sociedade podre, hipócrita e vendida a valores inaceitáveis que visam DEPREDAR o ser humano segundo consensos e negações doentias. O curioso é que estou trabalhando uma animação justamente para essa canção do Chico Buarque e me aparece essa reportagem. Já havia feito a cena do apedrejamento e fiquei perplexa de como é exatamente aquilo que imaginei (ou seja, violência é violência, que é um lugar comum), mas não havia tantas crianças na cena que criei. E, que triste, assistir uma sociedade que grita ‘preto’ e ‘maricas’ afinada por um ódio que é pura ignorância. Deve ser a mesma que grita ‘pobre’, ‘mulher’, ‘aleijado’ e outras palavras de guerra afins. Nota: o tal sujeito que fez o comentário é um brasileiro…

  4. Cora Responder

    claro, pra ser grave eles precisariam ter sido enterrados até o pescoço e então apedrejados até a morte, não é?

    apedrejamento é um gesto de intolerância muito simbólico e deveria deixar todos muito chocados e preocupados. estamos no séc. xxi e não no séc. ii depois de cristo.

  5. JPaulBeaubier Responder

    Sério que é tudo que você tira disso?

  6. Luc Responder

    É verdade, Luis. Eles devem fazer sempre isso, de gritar e jogar pedras no chão. Serem jogadas na direção de Kevin e ter acertado seu corpo foi apenas uma coincidência, não deve ter sido proposital. E maricas é uma forma carinhosa que eles utilizam entre si, com seus pares. Os pais devem chamar seus filhos de maricas e vice-versa.

  7. Saulo Aquele Lindo Ottoni Responder

    Você não viu a pedra quase acertando a câmera, ou você não assistiu o minúsculo vídeo todo.

  8. Juliana Felix Responder

    Não sei como isso ainda existe… Inaceitável.


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