“Negrada” e “baianada”: criminalização de “rolezinhos” gera explosão de racismo na internet

Enquanto muita discussão acontece nas redes, milhares de crimes de racismo que estão sendo cometidos na internet sobre os "rolezinhos"

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Enquanto muita discussão acontece nas redes, milhares de crimes de racismo que estão sendo cometidos na internet sobre os “rolezinhos”

Por Blog da Cidadania

A criminalização de que o movimento desorganizado dito “rolezinhos” foi alvo por ação de textos recriminatórios da grande imprensa e da decisão judicial que permitiu aos shoppings de São Paulo promoverem, sob critérios obscuros, triagem de quem podia ou não ingressar nesses empreendimentos comerciais gerou uma onda de racismo nas redes sociais.

Essa mesma criminalização dos “rolezinhos” foi a senha a estimular jovens a postarem comentários com termos como “Negrada” e “baianada” (forma como classe média paulista se refere a nordestinos) naquelas redes sociais sem demonstrarem qualquer preocupação

Em 1951, foi promulgada a Lei 1390/51, mais conhecida como Lei Afonso Arinos. Proposta por Afonso Arinos de Melo Franco, proibia a discriminação racial e a separação de “raças” diferentes que, até então, era aceita.

A lei Afonso Arinos acabou se revelando ineficiente por faltar rigor nas punições que previa mesmo em casos explícitos de discriminação racial em locais de trabalho, em estabelecimentos comerciais, em escolas e nos serviços públicos.

Em 1989, o governo José Sarney promulgou a Lei 7716/89, mais conhecida como “Lei Caó”. Proposta pelo jornalista, ex-vereador e advogado Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos, essa lei determinou a igualdade racial e o crime de intolerância religiosa.

Apesar de ser menos usada do que deveria, a lei 7716/89 inibiu fortemente o racismo explícito no país por tê-lo tornado inafiançável. Contudo, a leniência da Justiça mesmo com os casos mais graves continua estimulando o racismo aberto em vários setores da sociedade e, sobretudo, em regiões específicas do país – sobretudo no Sul e no Sudeste.

Onde andará o Ministério Público e a mesma Justiça que foi tão ágil em dar permissão aos shoppings para barrarem a entrada daqueles que essa “juventude” chama de “negrada” e de “baianada”? Com a palavra, o doutor Rodrigo Janot, Procurador Geral da República Federativa do Brasil.

Veja, abaixo, alguns dos milhares de crimes de racismo que estão sendo cometidos na internet enquanto você lê este texto.

 



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8 comments

  1. dijoseh Responder

    nos Estados do Piauí, Maranhão e Ceará, “negrada” não tem qualquer conotação racial, trata-se de uma forma de tratamento usada para denominar um grupo de pessoas. Na minha cidade não falamos “vamos, gente/pessoal”, falamos “vamos, negrada/negada”. Nessas poatagens tem que se ter cuidado em verificar a fonte e as pessoas envolvidas pra não se cometer o erro de classicar erroneamente a semântica local como ofensa racial. Fiquem a vontade pra verificar meu perfil no Twitter e verão que nunca fiz comentários de caráter preconceituoso, embora o autor do texto, por conta da expressão “negrada”, o tenha considerado como tal.

    1. ana Responder

      Todo esse seu texto não consegue eliminar nem tampouco justificar seu racismo e classismo quando vc afirma ter concordado com o fato dessas pessoas terem apanhado e que, deveriam ter tomado ainda mais “porrada”. Pq elas deveriam apanhar? Pq ocupam um espaço legitimo apenas pra classe média?! Ahh me poupe!

      1. Raul Responder

        Concordo plenamente com a Ana. E digo mais… Esse negocio de “aceitar” termos como “negada/negrada” como voce diz usual, só aumenta ainda mais de forma… Camuflada o preconceito racial.
        NAO, NAO É NORMAL.
        Talvez voce utilize. Talvez na regiao onde voce vive utilize. Mas isso nao vai deixar de ser racismo só pq vcs acreditam que diferenciar os outros pela cor da pele é normal.

    2. Thomas Responder

      Está mais do que claro que, nas postagens citadas pela reportagem, o uso da palavra “negrada”, dentre outras, está carregada de preconceito/racismo devido ao contexto das frases.

  2. ana Responder

    Meu querido vc pode não gostar de funk, assim como seus avós deveriam odiar o rock acreditando q ele era a encarnação do diabo, agora por favor, dizer que este é responsável por produzir o crime?! Só rindo! Vc não demonstra condições básicas, minímas de fazer qualquer tipo de análise sobre a produção da criminalidade no Brasil, e não é porque não seja um “sociólogo, esquerdinha”, é porque é um acéfalo, alienado que não controla nem a politica, nem os meios de produção, nem a midia e por estes mecanismos é totalmente controlado e reproduz ideias de coxinha mal informado. Mau educado é vc, que percebe-se não ter noções minimas de historia, nem de relações economicas e politicas, mau educado é vc, que compreende apenas uma cultura como legitima pq dela faz parte. Seus comentários são tão absurdamente patéticos, superficiais, equivocados que dá pena, olha que falta faz uma educação de qualidade.

    1. Anderson Responder

      O quanto falta de EDUCAÇÃO nesse país. Ser negro, ser baiano, buscar opções de lazer que para muitos está vedado apenas a quem tem poder de consumo não faz destes criminosos. Ser arruaceiro independe da naturalidade, criminalizar a possibilidade de entretenimento e o livre direito de ir e vir da população menos abastarda, que são maioria, isso sim é crime.
      Não pagarei com falso bairrismo, porque tenho amigos e amigas em diversos estados e com certeza não fazem parte dessa corja mal educada, infeliz e preconceituosa.

  3. gouveia Responder

    Parabens ana, vc foi certeira e disse tudo, esses brancos ignorantes, achando que o lugar de negro, pobre, nordestino é preso dentro de uma jaula, eles reproduzem esse discurso aprendido provavelmente em casa, todos os espaços sociais tem que ser ocupado por todos,qusndo vou em shoppings feitos para a classe media branca, tambem percebo certos olhares para comigo afirmando, o que esse crioulo esta fazendo aqui?mas eu uso o fair play, porque os caes ladram e a caravana passa….

  4. gouveia Responder

    Aos brancos racistas digo: fodam-se vcs


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