Porque Andrea Matarazzo é tão blindado pela Folha?

Jornal dá em manchete lista de subornos pagos pela Alstom, em 1998, para "a Secretaria de Energia"; mas não cita nome de tucano e nem coloca foto

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Vereador do PSDB mostra poder sobre jornal da família Frias; nesta segunda-feira 20, Folha de S. Paulo dá em manchete lista de subornos pagos pela Alstom, em 1998, para “a Secretaria de Energia”; mas não cita nome de tucano e nem coloca foto

Por Brasil 247

(Imagem: Brasil 247)

O jornal Folha de S. Paulo despreza nesta segunda-feira 20 a inteligência de seus leitores. Em manchete de primeira página, o jornal anuncia: Documento da Alstom Revela Lista de Subornos.

O furo dos jornalistas Mario Cesar Carvalho e Flávio Ferreira, porém, sofreu um golpe de edição. Com todos os eleitores à espera da revelação imediata dos nomes presentes na lista anunciada, como seria de se esperar, o jornal procura escondê-los até o limite do possível. Principal acusado, Andrea Matarazzo tem seu nome citado apenas entre as 40ª e 41ª linhas da reportagem publicada na página A4. Nenhuma citação a ele é feita na primeira página. Não houve foto dele nem na capa do jornal nem internamente. O nome do secretário de Energia à época dos fatos aparece apenas mais uma vez, grifado, na última linha de uma nota explicativa para a reprodução de um documento.

No caso, Matarazzo é o principal suspeito de ter recebido nada menos que R$ 1,56 milhão em propina. Apreendida na sede da Alstom na França, a lista indica que “integrantes da Secretaria de Energia e três diretorias da EPTE foram subornados” em 1988, para que a multinacional francesa conseguisse um aditivo contratual de US$ 45,7 milhões. Para isso, a Asltom registrou na lista apreendida que 3% do total do valor do contrato foi para a “SE” – Secretaria de Energia. Mas, para a Folha, o chefe da “SE” na época não merece ser destacado em suas páginas. Na prática, Andrea Matarazzo recebe, assim, um tratamento bastante amigável por parte do jornal.

ARTICULISTA DE DESTAQUE – Melhor ainda. Mesmo debaixo do grosso escândalo, Matarazzo é tratado pelo jornal, no dia a dia, como se anda tivesse a ver com o que está acontecendo. No sábado 18, o mesmo Matarazzo que mal aparece como principal suspeito de ter sido corrompido pela Alstom assina artigo na página 3 do jornal, na seção Tendências/Debates, versando sobre os rolezinhos.

“O seu, o meu, o nosso ‘rolezinho'”, perpetrou Matarazzo em resposta à pergunta do jornal sobre o tema. Só escreve ali quem é convidado ou se oferece ao jornal dos Frias. Pode ter ocorrido, no caso dele, as duas situações simultaneamente. Em tempo: no pé do texto, onde o articulista apresenta seu currículo, Matarazzo omite ter sido secretário de Energia da gestão Mario Covas.

Matarazzo, graças também a este tipo de blindagem da mídia, elegeu-se em 2010 como o vereador mais votado de São Paulo. Dentro do PSDB, ele sempre fez parte da cúpula decisiva em São Paulo. Secretário de Energia no governo de Mario Covas, ele privatizou a Cesp, considerada uma estatal modelo no setor de energia. Sabe-se agora que, além de comandar o negócio, Matarazzo pilotou uma “SE” que aparece na lista da Alstom de propinas.

Amigo pessoal do ex-governador José Serra, um antitabagista que não se importa de ter fumaça de cigarro soprada em sua face por Matarazzo, o ex-secretário foi nada menos que o principal tesoureiro da campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Há suspeitas de que o dinheiro do propinoduto da Alstom em São Paulo possa ter servido a esse projeto e arrecadação.

A Folha, é certo, faz questão de não contextualizar o personagem Andrea Matarazzo no universo dos tucanos em São Paulo. Essa é outra grande piada de mau gosto com seus leitores. Piadista por excelência, o colunista José Simão, da própria Folha, talvez possa explicar mais essa brincadeira com a cara dos leitores do jornal.



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