Pra burro velho, o negócio é capim novo mesmo!

Fiz parte de uma cooperativa habitacional que pretendia construir um conjunto de 200 casas, com pracinha, ruas agradáveis, espaço de lazer e uma boa área verde. Muito legal. E barato, pois o custo não incluía o alto lucro das construtoras

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Por Mouzar Benedito

Esta matéria faz parte da edição 129 da revista Fórum. Compre aqui.

Fiz parte de uma cooperativa habitacional que pretendia construir um conjunto de 200 casas, com pracinha, ruas agradáveis, espaço de lazer e uma boa área verde. Muito legal. E barato, pois o custo não incluía o alto lucro das construtoras. Pagamos um valor relativamente baixo, durante anos, primeiro para comprar o terreno e depois para construir o conjunto. Mas ele não saía do papel. A Secretaria da Habitação do estado sempre apontava algum “defeito” no projeto.

Chegou a um ponto que desisti. Tentaram me convencer a não sair da cooperativa, mas argumentei:

— Olha, nas assembleias, no início, eu ficava olhando as mulheres que iriam morar lá e imaginava quais vizinhas eu iria paquerar. Hoje, não tenho mais vontade de namorar nenhuma delas. Passei da idade de namorar mulher da minha idade.

Depois disso, fiquei pensando no preconceito de gente mais velha namorando jovens. Isso devia ser uma regra, e não exceção. Vale tanto pra homem quanto pra mulher. Homem de 18 anos de idade se excita até por perna de mesa. Então, pra jovem não haveria problema nenhum em namorar mulheres de 50 anos ou mais. E pra homem mais velho, o que atrai mesmo são mocinhas novas, viçosas.

Um exemplo interessante, se não de casamento, pelo menos como prática de iniciação sexual, está narrado no livro Tratado Descritivo do Brasil em 1587, escrito pelo português Gabriel Soares de Souza: “São os Tupinambás tão luxuriosos que não há pecado de luxúria que não cometam; os quais sendo de muito pouca idade têm conta com mulheres, e bem mulheres; porque as velhas, já desestimadas dos que são homens, granjeiam esses meninos, fazendo-lhes mimos e regalos, e ensinam-lhes a fazer o que não sabem, e não os deixam de dia, nem de noite.” É isso aí! Os homens já maduros não as querem mais? Pois elas se divertem com jovens e ainda lhes ensinam o que não sabem.

Hoje em dia, tem se visto atrizes da televisão já meio coroas namorando rapazes novinhos. Algumas pessoas torcem o nariz, mas tem lógica. Só que é uma coisa quase restrita às famosas.

Com homem, é um pouco mais comum ver um sujeito até velho mesmo com moças novas, mas isso acontece mais no interior, principalmente no Nordeste. Em outras regiões, isso tem acontecido, também, no meio de gente famosa. Políticos e artistas. Em Brasília, são muitos os casos de políticos que deixam a família em seus estados e arrumam uma namorada na capital.

Essa prática — não de pular a cerca, mas a de homem mais velho namorar moças — também devia ser comum em todo lugar. Já vi, por exemplo, um sujeito separado que sempre se encontrava com a filha, e ela às vezes estava com uma amiga. E ele começou a namorar a amiga da filha, casou-se com ela.

Enfim, acho perfeito o ditado popular que recomenda: “Pra burro velho, o negócio é capim novo”. Diria a mesma coisa pra “mula velha”. O duro é que o capim novo quase sempre prefere o burro novo. Quem passa dos 50 anos sempre é abordado por gente que quer lhe arrumar uma “companhia”: uma mulher ou homem da sua idade. Não funciona! Só se for para grandes discussões intelectuais, bailes da saudade, viagens em pacotes para terceira idade ou coisas do gênero.

O estranho é que até entre os próprios interessados há preconceitos. Um cinquentão com mulher nova vira assunto dos amigos: “Vai virar corno”. Mas ouvi um responder: “Melhor dividir um filé com outro cara do que comer um prato de chuchu sozinho”.

Certa vez, me fazendo uma massagem para diminuir a tensão, o massagista japonês, de quase 80 anos, me disse:

— Brasileiro muito cansado, chega aqui querendo massagem pra se recuperar, mas não tem jeito.

Segundo ele, as namoradas novas esgotam o sujeito. Têm um pique que ele não tem. Um cliente dele (claro que não me contou quem) com 55 anos arrumou uma namorada de 26 e vivia cansado. Ele criticava muito isso. Aí comecei a provocar:

— O senhor nunca deu seus pulinhos?

— Nunca! Casei virgem e só fiquei com “meu” mulher.

Provoquei mais, disse que ele não queria contar, e ele, brincalhão, respondeu rindo:

— Japonês igual agulha de máquina de costura: vida inteira um buraco só. F




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