Inquérito revela tortura dentro da PM do Rio na formação de policiais

Um recruta morreu após ser submetido a “excessos por parte dos instrutores”, admitiu o secretário Beltrame

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Um recruta morreu após ser submetido a “excessos por parte dos instrutores”, admitiu o secretário Beltrame

Por Redação

Paulo Aparecido Santos de Lima (Foto: Arquivo Pessoal)

O inquérito que investiga a morte do recruta Paulo Aparecido Santos de Lima, após ter participado de treinamento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap) da PM do Rio de Janeiro, concluiu que o jovem foi torturado dentro da unidade.

O fato ocorreu em novembro de 2013. Lima foi internado com manchas avermelhadas pelo corpo e com complicações nos rins, que o obrigaram a ser submetido a sessões de hemodiálise. Segundo relatos, colhidos no inquérito, recrutas são obrigados a beber água das cisternas utilizadas por cavalos, o que teria gerado infecção intestinal em um dos alunos.

Há relatos, ainda, de exercícios exagerados e “pegadinhas” conduzidos pelo capitão Renato Martins Leal da Silva e os tenentes Sérgio Batista Viana Filho, Jean Carlos Silveira de Souza e Gerson Ribeiro Castelo.  Os quatro devem ser indiciados por crime de tortura seguido de morte.

Em entrevista ao jornal Extra, o delegado Carlos Augusto Nogueira, responsável pela investigação, condenou a ação dos militares. “Os fatos são graves e merecem uma resposta imediata do poder público. Instaurei inquérito para investigar se houve tortura e todos os relatos apresentam proximidade com esse tipo penal.”

O secretário estadual de Segurança Pública José Mariano Beltrame classificou como homicídio a morte de Lima. “Nesse episódio, sem dúvida nenhuma, houve excesso por parte dos instrutores.”



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