Por criticar comentário de Sheherazade, jornalista é ameaçada de morte

Cilene Victor, professora de jornalismo e comentarista do Jornal da Cultura, passou a receber ameaças virtuais e por telefone após cobrar autoridades sobre postura da âncora do SBT

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Por Ivan Longo

A jornalista e professora universitária Cilene Victor da Silva vem recebendo ameaças desde que se manifestou sobre o comentário de Sheherazade. (Foto: reprodução/Facebook)

“Vai procurar o que fazer!”, “Leva o bandido pra casa”, “Esquerdista e fumadora de maconha”, “vagabunda”. Estes são somente alguns exemplos das dezenas de xingamentos que Cilene Victor da Silva, professora universitária e jornalista, vem recebendo desde que manifestou sua crítica em relação ao comentário da âncora do SBT Brasil, Rachel Sheherazade, veiculado no último dia 4. Além das afrontas virtuais, Cilene recebeu nesta quinta feira (6) pela manhã, duas ligações anônimas de ameaças de morte. Em uma delas, a pessoa do outro lado da linha afirmou que “daria um tiro na cara da jornalista” na saída do metrô Butantã, local em que passa com frequência.

As ameaças começaram nesta quarta feira (5) logo depois que Cilene se manifestou no Facebook em relação ao comentário da jornalista do SBT sobre o adolescente de 15 anos que foi preso nu, com um cadeado de bicicleta, em um poste no bairro do Flamego, no Rio. Sheherazade classificou o garoto como “marginalzinho” e ainda defendeu a postura das pessoas que prenderam o menino ao poste. Em seu post, a professora universitária cobrou o Ministério Público Estadual, a Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, a direção do SBT e também os próprios jornalistas a fazerem algo quanto ao comentário.

Segundo Cilene, a âncora do SBT cometeu dois crimes se utilizando da chancela da liberdade de imprensa. O primeiro é que, em seu comentário, Sheherazade fez apologia e incitação à violência. O segundo é se referir a um adolescente como “marginalzinho”, o que fere diversos artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Post em que Cilene cobrou as autoridades pelo comentário de Sheherazade. (Reprodução Facebook)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Logo após sua postagem, um perfil como nome de Denise Fermino comentou na publicação defendendo a jornalista do SBT e xingando a professora universitária. Pouco tempo depois, um perfil com o nome de Rachel Sheherazade postou um pedido de denúncia do perfil de Cilene. No post, a suposta Sheherazade pede para que seus seguidores denunciem o perfil da professora universitária pois a mesma estaria “ insuflando seus seguidores” contra ela, numa tentativa de intimidar sua liberdade de expressão. O perfil ainda pede para que a denúncia seja por “incitação ao ódio”.

Post do perfil de Raquel Sheherazade pedindo para que os seguidores denunciassem Cilene. A partir daí, começaram as enxurradas de críticas e xingamentos contra a professora universitária. (Reprodução Facebook)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A partir daí, Cilene começou a receber uma enxurrada de xingamentos e ameaças que colocam em risco sua integridade física e moral. A jornalista relatou à Fórum que já não consegue contar quantas ameaças recebeu tanto de maneira pública quanto privada através da rede social. Além disso, diversas fotos do seu perfil foram denunciadas.

Cilene vai registrar boletim de ocorrência contra as ameaças mas, mesmo diante do risco, afirma que não tem medo. “Acredito que essas ameaças sejam uma maneira de desviar o foco do problema, que é a barbárie do abuso da chancela de liberdade de imprensa para cometer crimes como esse”, revelou Cilene.

Diversas entidades já vêm se manifestando. O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro divulgou nesta quarta (5) uma nota de repúdio em que “se manifestam radicalmente contra a grave violação de direitos humanos e ao Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros representada pelas declarações da âncora Rachel Sheherazade durante o Jornal do SBT”. O SBT, por sua vez, através de sua assessoria de imprensa, declarou que “a emissora respeita a liberdade de expressão de seus comentaristas, porém ressalta que a opinião é da mesma, e não do SBT”.

Abaixo, o vídeo do comentário polêmico de Rachel Sheherazade, veiculado no último dia 4 no SBT.



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16 comments

  1. Eduardo Responder

    Olha o comentario de @rachelsherazade entre Justin Bieber x Marginalzinho do Poste #2cores2medidas http://youtu.be/dI2enm6JB9g

  2. Guest Responder

    Acho tão hipócrita nós brasileiros. Quando somos assaltados/estuprados/furtados/lesados desejamos com todo furor que ao marginal aconteça tudo o que há de pior no mundo. Ai, quando alguém fala isso publicamente já está incitando o ódio e blá blá blá. Quando um marginal morre é só ler os comentários, que todos parabenizam quem matou. E agora por que alguém expressou sua opinião, esta deve perder o emprego e ser ajuizada uma ação contra ela. Pergunte a qualquer família que foi sequestrada se a comissão/órgão dos direitos humanos o procurou para dar algum tipo de apoio, agora visite a família de um marginal e faça a mesma pergunta. Não existe lado mais fraco, na verdade o lado mais fraco é aquele que trabalha de 04 da manhã até as 20h, por um salário vergonhoso mas, que não tem vergonha de ser honesto. Se achou ruim: adote um marginal!!

  3. Rodrigo Xavier Responder

    Visualizando o vídeo em que fala do Justin Bieber e no que fala do menino acorrentado vemos uma diferença gritante na tonalidade de voz e no conteúdo. Para o primeiro prega compreensão, no segundo já o taxa de marginalzinho.
    Entretanto, não me parece uma apologia à violência. Ela diz ser “compreensível” que os cidadão tenha essa atitude em virtude do Estado ser omisso e de não haver confiança nas instituições que são destinadas a proteger o cidadão.
    Mas também é compreensível um jovem querer roubar. Na verdade tudo é compreensível. Só falta vontade política para transformar o compreensível em solucionável.
    Tomas Hobbes, em “Leviatã”, indica que nos organizamos em sociedade e nos submetemos ao um Poder por necessidade de preservação, para assegurar nossa segurança da ameaça interna e externa. A ficção legal perde sua força quando não há essa segurança por parte do Estado. Sendo assim, volta-se ao estado do Direito Natural, onde tudo é válido, depende só de quem é o mais forte para impor a sua vontade.
    A jornalista do SBT não incita a violência, faz uma crítica quanto ao Estado omisso. E essas são as consequências.

  4. fabiano Responder

    concordo com o Luiz

  5. Dioni Alves Responder

    Não vi nada de apologia a violência no comentário da jornalista, ela está certa, e vocês senhores que acham que ela está errada, mudarão de ideia quando a violência bater sua porta.
    A bandidagem ta grande e infelizmente ninguém mais tem sossego, o Estado está realmente omisso.

  6. Flávio Monteiro De Sousa Perei Responder

    Atacar a liberdade de expressão é fácil! Agora, quando o oponente se mobiliza para impedir vinganças rasteiras, aí já é perseguição. A maldade está sempre nos olhos de quem vê.

  7. Jerry Araújo Responder

    O pensamento da maioris da população é o mesmo da época das carvernas. Tudo deve ser resolvido no “bang-bang”, no “olho por olho, dente por dente”. Isso é horrível. Ninguém quer passar a mão na cabeça do rapaz, mas um cidadão utilizar meios de tortura como modo de justiçamento torna tão bandido como o tal preso.

  8. Marcelo Rodrigues Responder

    ué… é só apagar o tal “perfil do face”… o povo perde muito tempo com bobagem…

  9. Marcelo Rodrigues Responder

    tipo… você realmente pensou nas bobagens que escreveu, ou ficou maluco de repente e saiu teclando o que aparecia na cabeça ? Putz…

  10. Marcelo Rodrigues Responder

    Eu fico pensando… você que está aí, raivosamente bronqueado com a opinião da jornalista do SBT, pensaria do mesmo jeito se quem estivesse atado ao poste fosse, sei lá, o Champinha ou então o cara que arrastou o menino João Hélio pelas ruas (lembra? Você ficou chocado na época, não é ?) . E a Suzane Richtofen … será que, nem por um segundo, você não desejou que justiceiros pegassem esses assassinos antes da Justiça ? É… brasileiro tem mesmo memoria curta …

    1. Gabriela Reis Responder

      Caro Marcelo,
      Entendo suas colocações e acho proveitoso que vc tenha relembrado essas histórias chocantes como meio de nos fazer refletir.
      De fato, sendo humanos temos por impulso pedir por “equiparação” do mal que sofremos quando somos vítimas de alguma violência.

      Não obstante, “equiparação” é um valor que nos encaminha a um estado de barbárie e buscando nos distanciar dessa situação, desenvolvemos o estado de direito (a longos e duros anos) cujo objetivo é alcançar “justiça”. No entanto, para que “justiça” seja feita de fato, precisamos julgar uns aos outros da maneira mais imparcial o possível, e é justamente por isso que não cabe ao cidadão realizar essa atividade.

      Desse modo, nós nos organizamos na forma de estado e dividimos o poder, outrora único e indivisível, em três esferas e elegemos grupos de pessoas para que exerçam essas atividades. Assim, em prejuízo de uma justiça absolutista na qual uma única pessoa cria leis e regras e julga os demais, nós temos hoje no mundo ocidental um formato legislativo e judiciário mais complexo cujo norte desse exercício são os valores de “liberdade” e “igualdade”.

      Desse modo, ao causar algum dano a alguém, o sujeito é punido única e exclusivamente com a castração de sua liberdade, evitando assim que o Estado trate de maneira desigual diferentes cidadãos em diferentes situações.

      Por fim, gostaria de ressaltar que a crítica que insistimos em fazer ao sistema judicial brasileiro é raríssimas vezes feita com fundamentações históricas e filosóficas bem colocadas. Uma postura que roga por retaliações e punições em praça pública é retrógrada, sendo quase feudal.

      Devemos sim manter nossa justiça atualizada, precisamos sim questioná-la o tempo todo, MAS precisamos manter em mente que devemos olhar para frente, para o futuro. Se há falhas no sistema penitenciário e judiciário, há então a demanda por mudanças e o espaço para repensar as possibilidades.

      1. Geraldo Responder

        Gabriela Reis, adoro àqueles que estão a favor da jornalista, odeio aqueles que estão contra, porém respeito, mas para você que usa um vocabulário formal e muito bem elaborado, porém de pouca clareza para o nível educacional do POBRE POVO BRASILEIRO, QUE NÃO RESIDE EM CONDOMINIOS FORTIFICADOS,E NEM ANDAM DE CARRO BLINDADO, uma frase de JESUS CRISTO.
        ” ASSIM, PORQUE ÉS MORNO E NÃO ÉS QUENTE E NEM FRIO VOMITAR-TE-EI DE MINHA BOCA “.

  11. PEDRO Responder

    RAQUEL SHEHERAZADE, eu não to nem ai pra quem diz dela!!, éla uma pessoa que o brasil merece ter. Hoje o brasil nem lei tem muitos menores porai fazem o que e fica porisso, menor de 12 anos, matou , estrupou,. LUGAR DE MARGINAL É NA CADEIA, SER ACHA QUE MINHA OPINIÃO NÃO CONCORDA QUE OUTRAS PESSOAS VÃO PRA GLOBO , POR QUE LUGAR DE OTARIO FILHA DA PUTA É NA GLOBO, QUE FICA ALIADO DOS CORRUPTOS E ATÉ DOS TRAFICANTE, SE A POPULAÇÃO QUE VER MAS SEGUNÇA , SAUDE , RESPEITO EM VEZ DE FICA FALANDO DE MAS , VAMOS AJUDAR ELA A MOSTRA AOS GOVERNOS BRASILEIRO QUE O JORNALISMO DO SBT PODE CONTAR COM A MINHA PARCIPAÇÃO E DA POPULAÇÃO BRASILEIRA QUE ESTAMOS DO LADOS DELES !!!!!!!!!!!

  12. Everson Viebrantz Responder

    Faça esse favor pra sociedade, leve uns 10 pra tua casa…

  13. Geraldo Responder

    Gabriela Reis, adoro àqueles que estão do lado da jornalista, odeio os que estão contra, porém respeito, mas para você, que usa um vocabulário formal e muito bem elaborado, porém de pouca clareza para o nível educacional do POBRE POVO BRASILEIRO, QUE NÃO RESIDE EM CONDOMINIOS FORTIFICADOS, E NÃO ANDAM DE CARRO BRINDADO, uma frase de JESUS CRISTO :
    “Assim, porque és morno, e não és quente e nem frio, vomitar-te-ei de minha boca”.

  14. Márcio Responder

    Muitos acham que jornalistas podem expressar seus pensamentos sem que isso acarrete distorções na informação passada à população. Porém, se esquecem que a educação brasileira ainda está longe de ser ideal e que o senso crítico para analisar uma notícia e retirar dali o que é “realmente notícia” do que se trata apenas de “opinião” é bastante ausente. E é engraçado como a sociedade se porta: se alguém matou, furtou, roubou e estuprou, posso fazer o mesmo com ele. Mas, se eu fizer o mesmo, não me tornarei praticante do delito que abomino? Lendo os comentários, percebi um desconhecimento terrível sobre assuntos essenciais ao indivíduo e à sociedade brasileira, e grande parte disso se deve a jornalistas que expressam sua opinião sem o menor conhecimento de causa. “O Brasil não tem lei e os menores fazem o que querem”. Alguém aqui que pensa assim já se deu ao trabalho de pelo menos ver quantos artigos tem nossa Constituição de 1988, ou somente aguarda que nos transmitam o conhecimento através de jornais, revistas e tv aberta? Já leram o Estatuto da Criança e do Adolescente para ver, realmente, o que pode e deve ser cobrado do Estado para que as coisas mudem para todos e para a melhoria geral? Já prestaram atenção que, na mídia de TV aberta e revistas como Veja, uma notícia que cause comoção na sociedade sempre atrai outras semelhantes? Por que tal fenômeno acontece? Será que é porque a mídia faz crimes aumentarem ou porque é interesse de alguém que seu pensamento ignorante sobre o que opina prevaleça? Citaram aqui exemplos de crimes graves e que causam comoção nacional, como justificativa para “usar de justiça com as próprias mãos” e terminaram dizendo que brasileiro tem memória curta. Todavia, não fizeram questão de lembrar que jornalistas, desde 2009 ou 2010, se não me engano, não precisam mais serem formados em jornalismo para tal, o que significa que qualquer um pode passar a notícia da forma que lhe agradar. Coincidentemente, jornalistas que expressam sua opinião sem conhecimento proliferaram na TV aberta desde então! Para terminar, deixo aqui algumas perguntas e espero que os que se mostraram favoráveis à “justiça com as próprias mãos” me respondam com argumentação fundamentada, e não com achismos! Se o sistema prisional atual não consegue ser efetivo para quem tem mais de 18 anos, qual a vantagem de se reduzir a maioridade penal? Por que a jornalista em questão defendeu a ação de justiceiros para um jovem e abrandou suas palavras com relação aos delitos cometidos pelo cantor Justin Bieber? Porque, apesar de as estatísticas comprovarem que apenas 15% de menores infratores retornam a cometer delitos, diferentemente dos 87% de maiores que voltam à criminalidade, a mídia ainda insiste em dizer que os menores cometem mais crimes que os maiores pelo fato de ficarem sem punição? Aguardo respostas!


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