Manifestantes portugueses exigem política de esquerda e soberana

Contra políticas da União Europeia e de Portugal que “inferniza a vida e hipoteca o desenvolvimento do país”, portugueses vão às ruas por melhores condições de vida e exigência de melhores salários e de...

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Contra políticas da União Europeia e de Portugal que “inferniza a vida e hipoteca o desenvolvimento do país”, portugueses vão às ruas por melhores condições de vida e exigência de melhores salários e de oferta emprego

Por Correio do Brasil e Vermelho

O foco central de diversas mobilizações em Portugal tem sido a política de direita do governo de Pedro Passos Coelho
Fonte: Correio do Brasil

Na capital portuguesa, Lisboa, e em mais duas dezenas de cidades de todos os distritos e regiões autônomas, o dia nacional de luta levou às ruas milhares de pessoas contra a exploração e o empobrecimento, contra a política de direita e o terrorismo social, pela demissão do governo português e a antecipação das eleições legislativas, por uma ruptura com o memorando da troika de credores internacionais e uma alternativa de esquerda e soberana.

A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) saudou as lutas realizadas mais recentemente e valorizou os seus resultados, mas exortou os trabalhadores a manterem e intensificarem a resistência, tanto durante o mês de fevereiro (por aumentos salariais e pela satisfação de outras reivindicações laborais e sociais) como na semana de luta e protesto que vai realizar-se a partir de 8 de março.

Além disso, a confederação instou os portugueses a manterem-se em luta também na ação por “trabalho digno com direitos”, na semana de mobilização que deve culminar no Dia Nacional da Juventude.

No prosseguimento da luta, a central destaca as comemorações populares dos 40 anos do 25 de Abril (da Revolução dos Cravos, de 1975, que derrubou a ditadura) e do 1.º de Maio em liberdade. E avança, desde já, que as eleições para o Parlamento Europeu terão que ser também um momento para exibir o “cartão vermelho” aos executores de uma política que, na União Europeia e em Portugal, “inferniza a nossa vida e hipoteca o desenvolvimento do país”.

A mensagem político-sindical do dia nacional de luta ficou expressa na intervenção de Arménio Carlos e dos dirigentes distritais da CGTP-IN e numa resolução, ratificada pelos participantes nas manifestações. O foco central de diversas mobilizações em Portugal tem sido a política de direita do governo de Pedro Passos Coelho, em sintonia com o plano da troika Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional de corte dos gastos públicos (sobretudo sociais), enquanto beneficia grandes grupos.

A degradação das condições de vida, o agravamento das desigualdades, a exigência de melhores salários e de emprego com direitos, a determinação de não abandonar a luta foram igualmente bem visíveis nas palavras de ordem gritadas por todo o país, nas faixas e nos cartazes exibidos nas ruas e praças e nos sinais de compreensão e solidariedade de muitos dos que, no sábado passado, ainda ficaram só vendo os manifestantes passarem.

É necessário unidade

– O momento que vivemos exige a união de esforços e vontades, para defender os nossos interesses de classe, nesta luta, que não para, pela defesa dos nossos direitos e da nossa dignidade e pela construção de um Portugal de progresso e justiça social – salientou Arménio Carlos, na Praça dos Restauradores, para onde desfilaram, desde o Cais do Sodré, milhares de trabalhadores dos distritos de Lisboa e Setúbal.

Contrariando constantes e insistentes pressões e manobras de sentido inverso, o secretário-geral da CGTP-IN sublinhou que “a ação do movimento sindical que somos – um movimento sindical dos e para os trabalhadores, dos jovens (com e sem vínculo laboral precário), dos desempregados, das mulheres, dos pensionistas e aposentados – implica o alargamento e a intensificação da luta, a partir dos locais de trabalho, de resposta aos problemas concretos e imediatos, para abrir caminho à construção de uma verdadeira alternativa, de esquerda e soberana, forçar a derrubada deste governo e a convocação de eleições antecipadas para acabar com a política de direita.”

 



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