“Vivemos tempos de conotação fascista”, diz Erika Kokay; assista

Em discurso no plenário na Câmara dos Deputados, Erika Kokay respondeu o discurso de Carlos Heinze, o qual classificou como "criminoso"

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Em discurso no plenário na Câmara dos Deputados, Erika Kokay respondeu o discurso de Carlos Heinze, o qual classificou como “criminoso”

Por Redação

 

Para Erika Kokay, discurso de Carlos Heinze é “criminoso”

Na última quinta-feira (13) a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) foi a plenário responder o discurso do deputado Carlos Heinze (PP-RS) que, em uma audiência pública de ruralistas, afirmou que “índios, gays e quilombolas são tudo o que não presta”. Kokay declarou que o discurso de Heinze é criminoso, que vivemos “tempos de conotações fascistas” e que, como o Brasil ainda não viveu o luto da ditadura e da escravidão, constrói a democracia nos “tropeços”.

“O presidente da frente parlamentar da agropecuária disse, de forma criminosa, que índios, gays e quilombolas são tudo o que não presta. Eu quero dizer a este deputado que o que não presta é a homofobia, o que não presta é o racismo, o que não presta é a desigualdade, o que não presta é esse sentimento”, protestou Kokay.

A parlamentar, em fala emocionada,  disse que não é possível que o parlamento permita “um discurso que incita o ódio”. A deputada denunciou que Carlos Heinze convocou os “latifundiários a se armarem” para se “defenderem” dos índios. De acordo com a deputada, o que os ruralistas querem é, mais uma vez, “arrancar as terras dos índios”.

Por fim, Erika Kokay  que existe “um projeto de poder” dentro do Congresso Nacional que “pressupõe o rompimento com a laicidade e a hierarquização dos Direitos Humanos”. A deputada avisou que ela e seus pares vão buscar todas as maneiras para que tal discurso não se repita e que é preciso evitar que esse tipo de fala se naturalize.



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1 comment

  1. Neninho de Obaluae Responder

    CRENJA

    CENTRO DE RESISTÊNCIA JAGAS ANGOLA

    União, Solidariedade, Saber e Luta!

    E-mail crenja@uol.com.br

    BRASIL… ZIL… ZIL!

    O Brasil não é um país complexo, como alguns costumam afirmar,
    e sim complicado, confuso e de má índole. O princípio de tudo isso todos sabem,
    os europeus na ganância de adquirir de graça gêneros e as matérias-primas que
    necessitavam para os teus desenvolvimentos puseram-se ao Mar, invadindo,
    saqueando e dominando territórios alheios, e dessa forma dominaram boa parte do Planeta. Do Mundo ainda estão tentando com suas incursões planetárias. E no
    curso desse processo surgiu o Brasil…

    Essa história, eu creio, que seja por demais conhecidas,
    pelo menos esta versão. A de que aventureiros heroicos dominaram e mataram
    povos considerados por eles inimigos, bárbaros e pagãos. Quanto aos índios, por
    exemplo, criaram o estigma de que eram até mesmo vadios, que em posse deste
    monte de terras permaneciam dolentemente pescando apenas uns peixinhos para se alimentar e dormir o resto do tempo em tuas redes. Somente bem recentemente, de uns 20 anos para cá, que começaram a admitir que os mesmos tivessem cultura própria. E em relação a nós negros a história continua distorcida e enviesada. Atualmente, como sabujo do capital internacional o Brasil procura aproximação com o continente africano e reconhece-o como civilização, hipocritamente é claro, no entanto, internamente continua a nos tratar como dolentes e boçais.

    A partir da década de 70 tem início aqui aquilo que
    preferiram denominar de movimento negro. Há toda uma fantasia nessa pretensão
    que até hoje não foi desvendada e nem tão quanta suficientemente esclarecida, a
    de que se foi o negro brasileiro ou não quem teve a iniciativa. Eu assevero,
    não foi! Digo isso com toda a autoridade que tenho de ser um de seus pioneiros.
    Que, aliás, posso comprovar documentalmente. Não, não precisem ficar
    preocupados, pois que não estou preocupado e nem pretendendo disputar nenhum posto de liderança. Como que se pode ser líder de algo que não existe? O
    movimento negro brasileiro é uma farsa, no que eu me posiciono com a mesma
    autoridade na afirmação. Bem, já escrevi esta história várias vezes, mas como
    também sei que o brasileiro tem memória curta, sendo que o negro brasileiro
    nenhuma, e que não sou eu quem o digo, está nos anais, portanto acho
    conveniente repeti-la.

    Não resta a menor dúvida de que Karl Marx foi um gênio
    economista, mas se revolucionário há de se pensar. Ele conseguiu magistralmente
    desvendar todas as contradições do sistema capitalista, e inclusive fazer
    previsões… No entanto não conseguiu traçar uma rota segura para que o seu
    engenho fosse aplicado, o socialismo. Disse ele que o mesmo só seria socialista
    de fato quando fosse aplicado em todo o Planeta. Um plágio grotesco do Governo
    Mundial, dos Iluminati. Isso sem contarmos que seja impossível, pelo menos para
    o socialismo que prega a nivelação de classes sociais. Os Iluminati talvez o consigam o intento de governo único no planeta, já que fica anualmente com 60% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial. São 13 famílias que comandam outras 287 e que são donas já de quase tudo, a mídia, o mercado financeiro, os governos locais. Segundo informes internéticos, já concluíram 90% de teus planos. E fica quase impossível de fazê-lo retroceder. Enquanto que o socialismo se não está prestes a agonizar sofre de sérios estertores em todos aos lugares que se instalou.
    Tornando-se apenas um vago discurso de pessoas mal-intencionadas ou
    supostamente espertas. Não, eu não estou dizendo que o socialismo seja uma
    teoria errada ou equivocada, na comparação entre os dos sistemas é indiscutivelmente o mais justo. O problema não está nela, na teoria socialista, e sim nos próprios socialistas. Mormente aqui no Brasil, onde os brasileiros ainda insistem em se dizer não racistas, mas perpetuam a prática, e debocham de nossa consciência, se for que exista. Aqui no Brasil é assim, aqui basto dizer eu sou ou não sou que no teu entender está tudo esclarecido e resolvido. Óbvio, que se tiver
    status para tal. E os demais têm que engolir. Por isso o Brasil também está
    repleto de “socialistas”, que o fazem somente da boca pra fora. E o capitalismo
    também não fica de fora, outrora fora chamado de selvagem – coitados dos
    índios! – e hoje é criminoso mesmo, na realidade dado a corrupção. Eu confesso
    que não sou nenhum expert em socialismo, mas a coisa é evidente e aviltante em demasia.

    Quando iniciamos nossa epopeia antirracista todo mundo que
    surgia era socialista, e o discurso destes até convenciam. Diziam que no
    capitalismo nós não teríamos quaisquer possibilidades dado que não tínhamos
    capital, o que fazia sentido, e que nem nunca o conseguiríamos, o que era
    também verdadeiro, acertado e evidente, mas o problema ali era que ninguém se
    comportava como socialista, bastava que surgisse algum dinheiro para a entidade
    que o pau comia e o dinheiro sumia. E este “hábito” persiste até os dias atuais,
    mas o discurso socialista continua inalterável. Virou assim uma espécie de 171
    do Código Penal brasileiro, estelionato. Pelo menos o é assim no que chamam de
    movimento negro. O problema é que o negro absorveu toda a tática racista e
    ganancista do branco, de achar que todo negro, mormente os pretos, sejam
    imbecis. E a tática também é a mesma, basta perguntar, ocê estudou? Em que
    colégio ou faculdade? E se você for preto pode ter estudado até na puta que o
    pariu que ninguém acredita. Bem, outro mito criado. E este não foi aqui no
    Brasil, o de que estudar significa apenas se for a escolas convencionais. Este
    diploma deveria servir apenas para se arrumar emprego, como dizem ter uma
    profissão, mas no final acabou mesmo é sendo sinônimo de sabedoria, e lógico
    que privilégio, já que nas escolas não há vagas para todos. E nem nós outros
    temos tempo para ficarmos o dia todo estudando para competir com as classes
    dominantes. Além da discriminação, que o negro também não pode ter estudos,
    pois que fica mais difícil dominar. Óbvio também que não seja desculpa para que
    não se estude, pois que existem alternativas, por exemplo, o autodidatismo. É
    mais difícil e demorado, disso não há a menor dúvida, dado que as escolas têm
    métodos didáticos pré-estabelecidos, no entanto há como se driblar as
    dificuldades, pois que com um pouquinho de boa-vontade e esforço há de se chegar lá. Não terá com certeza certificado de curso superior e tão quanto nem títulos acadêmicos, no entanto, um antídoto poderosíssimo para se livras de prováveis ciladas que a vida promove a todos. E é necessário fazê-lo para entender melhor e direito este golpe ocidental denominada civilização e sociedade… Ou então, apelar para o que a maioria faz ou tenta fazer, de aderir, mesmo que enfrentando enormes dificuldades, humilhações, sacrifícios e discriminações.

    A descoberta do Brasil, indubitavelmente, foi um golpe.
    Primeiro assaltaram os índios e tentaram lhes escravizar, depois descobriram
    que era também leucoderma e desistiram, de escraviza-los, mas tomaram as tuas
    terras com os argumentos que acima citei. Eles, os europeus, segundo disseram viriam trazer civilização e progresso… Bem, estamos esperando até hoje! Até agora somente quem progrediu foi o capital, que sustenta o capitalismo e a burguesia que também por suas vezes estão capengas e claudicantes e em eternas e cíclicas crises. Mas isso Marx já havia prenunciado e previsto. Enfim a tal sabedoria ainda nos está devendo profundas e enormes explicações, mormente a de sua própria existência nesse Planeta.

    No que os capitalistas e descendentes europeus se apegam é
    no tempo, passaram-se vários séculos e gerações desde o princípio. E também na
    falta de memória do povo e das novas gerações. Os mais velhos morreram todos ou quase todos, mesmos os das antigas mais novas de gerações. E quem deveria
    elaborar estes registros deveriam ser os historiadores, que, aliás, já os temos
    também vários historiadores negros, mas todos estão tranquilos ganhando os teus
    dinheirinhos, ou não, e defendendo um sistema furado e arcaico, na velha tática
    de que contra força maior não se luta, adere-se. E a desculpa atual é a de que
    o socialismo também não deu certo. Então fazer o que? Ora! Esperar o caos… Ou
    revolucionar de fato.

    As classes dominantes estão receosas, mas não temerosas,
    pois que ainda têm esperanças de encontrar água em algum planeta distante, e em caso de perigo imigrar para lá e esperar que nós outros sucumbíssemos. Esse
    plano é antigo, tem pelo menos dois séculos, e está publicado nas ficções
    científicas que levam o rótulo de educativas. O bem-estar do Planeta não lhes interessa e só o que importa são os teus lucros, herança lasciva ainda da era leucoderma.

    O mundo evoluiu, dizem alguns e os demais concordam, talvez
    apenas por falta de contra-argumentação, no entanto em detrimento, custo e
    prejuízo da natureza, que ora revoltosa reage. As classes dominantes não se
    importam, pois que ainda cultivam a esperança de encontrar meios de
    sobrevivência em outros Planetas. Ainda acreditam que o capital compra tudo,
    até a vida. Em contrapartida temos uma massa de miseráveis que nada mais tem a almejar que a própria morte, que é o destino de todos, seja rico, ou seja,
    pobre, somente que a do pobre é precoce.

    Desde criança que se ouve que não se pode agredir a
    natureza, por que um dia ela virá à forra. Mas pelos motivos que expus acima as
    classes dominantes não respeitam o avisou e nem sequer dá a devida atenção, que também, aliás, foi anunciada e avisada pelos teus próprios cientistas, que
    dizem tanto respeitar a exultam. E também há de se ressaltar que as classes
    médias também fazem parte das dominantes. E a diferença que as faz da população pobre e a de somente terem mais informações, dado ao fato de terem frequentado escolas. Só isso, que para os que habitam o cume da pirâmide social não faz a mínima diferença. As classes médias apenas são vestibulandas àqueles que postulam ingressar à burguesia, mas também por falta de opções ignoraram as regras de boa vivência humana. O mais importante é ostentar… E ostentam física, moral e psicologicamente.

    O mundo das classes é matematicamente controlado, menos o
    povo na procriação, que é necessária política de contenção de natalidade para
    que não inflacione mais a sociedade, é logo controlada, ou pelo menos há a
    intenção de fazê-lo, e se ainda nada der certo apela para o genocídio, onde a
    violência policial é apenas uma ponta do iceberg. Mas como controlar uma massa
    que segue apenas o seu instinto natural de crescer e multiplicar-se, a
    procriação? Métodos anticoncepcionais, que além de caros, não estão presentes
    nos momentos oportunos de libido. Então que se procriem para que a natureza os
    crie… Ou que os homens os matem. Mas se a natureza faltar à morte é a consequência mais prática, natural e certa. Quanto aos inconvenientes sociais? Bem, isso fica por conta dos exércitos e das polícias, sejam elas militares ou cíveis. Afinal foram criadas para isso mesmo, para defender e preservar a segurança, óbvia das classes dominantes.

    E nesse cenário dantesco e esquizofrênico vivemos nós negros
    africanos da diáspora. Também eu já estou cansado de falar que nós entramos nesta história estúpida de civilização ocidental à nossa revelia. Não nos importa, ou pelo menos não devia importar, se nossos antepassados foram ou não comprados de
    outros africanos. Isso sim é passado, E estão mortos os que o cometeram a
    perfídia e nós não podemos mais cobrá-los. O que eu estou cobrando é o presente
    evidente que nós não podemos mais modificar o passado, assim como que não
    podemos pagar os erros cometidos nele como que fosse de nossa responsabilidade e patente. No passado éramos “cientificamente” considerados inumanos, e hoje,somos considerados de maneira diferente? E por que a definição branca sempre deva prevalecer? Ora, já cometeram erros demais, o que comprometem as tuas sapiências. Data vênia, nós também, coletivamente, cometemos os nossos erros só que somente contra nós mesmos. E diga-se, até agora nada fizemos para repará-los, continuamos seguindo as regras ditadas por nossos inimigos. Não são todos os brancos que são ruins? Bem, o que isso importa ou modifica? Os brancos bons além de ser minoria ainda se omitem, mormente na questão racial, ficando portanto, nas mesmas condições e responsabilidades dos maus. E ainda com o agravante de que se beneficiam com a discriminação racial e nossa desgraça, e de todas as formas e maneiras.

    O movimento negro brasileiro surgiu para erradicar todos os
    preconceitos e discriminações, pelo menos este era o discurso dos “socialistas”
    militantes negros da época. Outra hipocrisia, pois que as discriminações e
    preconceitos se instalaram, desde o começo, dentro do próprio seio do
    movimento. Este que por sua vez também não foi iniciativa do negro, nem aqui,
    nem nos Estados Unidos e nem tão quanto na própria África. Foi tudo armação da
    Internacional Socialista, criada por Karl Marx, em 1848. Alguma dúvida basta
    consultar a História.

    As novas gerações precisam saber disso. Podem até contestar,
    porém, por favor, fundamente as mesmas, por que de conversa fiada eu,
    pessoalmente, já estou de saco cheio. Ora, afinal são 40 anos de militância. Se
    reconhecida ou não, não me importa. O que importa é se que alguém se interessar
    eu trago tudo isso documentado e os militantes “históricos” não. Se não
    acreditam e acham que estou blefando, então vamos nós ao debate. Que, aliás, já
    tardou demais em acontecer. E não sou eu quem fugiu à luta, pois que desde a
    década de 90 que eu venho propondo, ao menos ao MNU, uma reunião para que possamos aparar certas e evidentes arestas. Mas, assim como em relação aos brancos, eu sou terrível e absurdamente ignorado. Têm medo do que? E quem que tem medo? Por certo que não sou eu, pois que como disse trago tudo devidamente documentado e arquivado. Aonde estudei? Ah, sim! Na Casa de Detenção de São Paulo, Penitenciária Central de São Paulo, Penitenciária de Avaré, Penitenciária Central de Piraquara, no Paraná, e fiz pós-graduação na Colônia Penal Agrícola do mesmo Estado. Foram 14 anos em dois processos julgados e condenados aqui em São Paulo. Bem, cada um estuda onde e como pode, o mais importante é estudar. Não? E qual o crime que cometi? Também tenho as cópias dos processos, que também, aliás, são documentos públicos, caso desconfiem que eu os tenha falsificados pode consultar ao momento que se dispor e quiserem nos Arquivos do Estado. E se houver objeção que entre com Habeas Data. Eu não me digo inocente, mas que a lei é muito clara a esse respeito ela é. E diz que o Estado tem que provar a culpabilidade de alguém para que possa privá-lo de liberdade. E ele não provou a minha. Achou até que não precisava, já que eu sou preto! Eu assumo, eu sou preto, mas não burro, talvez, apenas desamparado, pois era da executiva nacional do MNU na época, e ele me virou as costas, se tivesse me assistido na época, como ora faz aos condenados do mensalão, com certeza eu não teria ficado tanto tempo, foi arbitrário. Ou só branco tem presunção de inocência? Assim também já é demais! Bem, cada um é revolucionaria como pode! Porém, o movimento negro brasileiro não o é, em transitado e julgado. E é agora que vamos ver quem seja verdadeiramente bandido, nessa história toda. Está por horas e minutos. E me matar já não mais adianta… Já tiveram as tuas chances e desperdiçaram, melhor, perderam-nas… É o desafio.

    O negro brasileiro não precisa mais acordar já está morto,
    só se esqueceu de deitar. Só se ressuscitar, mas isso me parece uma tênue e
    fugida possibilidade. Não há mais como escapar do genocídio, pois que está até
    mesmo se miscigenando compulsória e espontaneamente. Acontece que acreditou no branco de que esta seria a sua única saída. E há muito que perdeu o senso de
    raça e de origem. E não adianta ficar encenando esta cena ridícula de
    afrodescendente, pois que já não sabe nem mais de que lado à África fica, ou
    mesmo que ela exista. Esse discursosinho também é pífio. O negro brasileiro só
    tem uma origem, as fétidas e famigeradas senzalas que abrigou os nossos
    ancestrais, isso para quem ainda os têm, honra e preserva em suas memórias… E
    biologicamente têm duas, tanto é afro descendente quanto euro, pois que assume
    a miscigenação. Portanto não adianta ficar alimentando esta farsa de movimento
    negro apenas para camuflar o genocídio contra os pretos na esperança de “negociar tuas sobrevivências junto aos brancos. O branco diz que a população ideal para o Brasil é de 80% branca, 07% índia, 0,0% negra e apenas 03% “mestiças”, a ênfase se dá por conta de lembrar que mestiço não é só filhos de brancos com negros. E agora, Brasil… Zil… Zil? Pelo menos chega de truculência e vamos à verdade, se for que quer de fato solucionar os teus problemas. Se for que quer se recuperar…

    Eu estou me dirigindo, objetivamente, aos intelectuais
    negros que além de esquizofrênicos são também pedantes, que arrogam a si
    próprios o conhecimento de toda a nossa problemática, propondo-nos soluções,
    mas que na verdade apenas estão preocupados com teus próprios seres e tirar
    algumas vantagens sobre a nossa desgraça. Porém, a História não contempla
    apenas algumas classes e muito menos os pérfidos, todos nós somos protagonistas dela, portanto também todos nós temos o direito de lutarmos por nossas vidas, nossos filhos, nossa família e bem-estar. Não é preciso nem Deus dizer isso, nós o temos naturalmente, o problema é somente encontrar os meios, pois que somos ainda impedidos pelos “poderosos”, que segundo se expressam podem tudo e mais que Ele.

    E falando em Deus, tem que ficar mais clara esta estória de
    que Ele é brasileiro. Eu tenho comigo que depois que soltaram esta blasfêmia Ele
    nunca mais se preocupou conosco ou olhou, Já caiu até raios na cabeça da imagem de seu suposto filho predileto – que atualmente dizem ser o próprio -, no
    Corcovado, mas o brasileiro não se emenda, continua acreditando que Ele os
    protege. Se o faz de fato, somente aos abastados e brancos, por que o povo
    mesmo somente ora e se lamenta, já que nem o Céu mesmo lhe é mais oferecido.
    Até o papa Chiquinho veio aqui e explorou a blasfêmia. E com que intenção? Bem,
    não foi à toa que elegeram um novo papa, mesmo antes de o anterior ter
    falecido, dado que não tinha carisma e era austero. É que as classes dominantes
    sabem que o Mar não está pra peixe, e são necessários muitos exercícios e
    apascentar novamente os teus “cordeiros” acometidos pela febre de revolta.
    Sobretudo no Brasil, que não ganhou este nome aleatoriamente, mas que talvez
    fosse mera consciência. E não foi por falta de aviso! E verá de que nada
    adiantará os teus brutamontes treinados. O rojão Black Bloc foi apenas mais uma
    trágica e involuntária coincidência, que alguém terá que pagar, é claro, mas
    que também não sejam sós eles, pois que são também mártires, assim como o
    profissional de imprensa acidentalmente ferido e morto, pois que o rojão tinha
    endereço certo, a polícia, tradicionalmente também igual truculenta e violenta,
    só que defendida pelo Estado, que defende a absolve. Os atuais acusados não são culpados ou responsáveis por estes desmandos todos. Sim! São vítimas desta
    política absurda e desastrada que “alimenta” o mundo atual há séculos, senão
    milênios, deteriorando a vida de povos e famílias. Há de se encontrar e julgar os
    verdadeiros responsáveis. Que, aliás, não estão tão ocultos assim como pensam
    ou tentam aparentar… Assim como tuas verdadeiras e reais responsabilidades.

    Um general chinês, Su Tsu, em teu manual A Arte da Guerra,
    aconselha a não se encurralar o inimigo, mesmo que ele seja numericamente
    inferior e desarmado, sem lhe deixar ao menos uma possibilidade fugaz de fuga,
    segundo ele, nessas condições o inimigo pode adquiri forças inimagináveis, e
    podendo dessa sorte até mesmo vencer a guerra. Nós negros da diáspora já
    estamos encurralados há cinco séculos. E o que dirá os povos do restante do
    mundo, que já o está há muito mais tempo? Bem, mas cada um com seu cada um, a nossa luta é específica, como disse, nós entramos nesta luta a nossa revelia, e
    os demais nasceram nela sufocados por teus patrícios dominantes, portanto
    tiveram mais tempo para resolver ou aderir ao descalabro e barbárie na
    esperança de um dia superá-la… Mas infelizmente nós não temos nem mesmo estas falsas mesmas esperanças. Já nascemos condenados. E por quê? Pelo “erro” de nossos antepassados de terem sidos deixados ser capturados.

    Bem, Brasil… Zil… Zil, o tempo chegou. Chegou a hora de
    avaliarmos e cobrar tudo que nossos antepassados produziram e padeceram para
    fazê-lo. E não só a produção nacional, dado que a Europa só conseguiu desenvolver a tua Revolução Industrial e a Francesa com o capital arrecadando de tráfico de seres humanos, de nossos ancestrais africanos, que a maioria perecera durante o tráfico, tendo com túmulo o Oceano Atlântico. E que nós apenas por sermos teus descendentes herdamos todas as tuas mazelas, estigmas, discriminações e preconceitos produzidos pelo evento. Está na hora de acertarmos as contas. E não venham com desculpas de que estão em crises. Isso, na verdade, não é problema nosso e sim vosso. Vocês não são tão inteligentes? Então que resolvam! Nós queremos apenas o que é nosso por direito. E também chega de piadinhas piegas como aquela do presidente militar ditador Costa e Silva, que no auge de rompante ímpeto discursivo soltou esta “pérola”: ontem o Brasil estava na beira do abismo, mas, graças a Deus hoje já demos um passo à frente (?)… Teria sido mesmo piada ou gafe? Bem, isso que veremos ora.

    São Paulo, 16 de fevereiro de 2014.

    Ògán Neninho de Obálúwayié
    Coordenador do CRENJA

    PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!

    PELO DESOCUPAR IMEDIATO DO TERRITÓRIO HAITIANO!

    PELO CESSAR IMEDIATO DA VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA JOVENS E CRIANÇAS
    NEGRAS!

    PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMERICAS!
    Ps. Parabéns Deputada, pela denúncia.


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