AMB se inspira nos EUA e quer estimular deserção de cubanos

A nova investida da entidade médica brasileira contra o Mais Médicos se articula com programa dos EUA para asfixiar relações internacionais de Cuba

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A nova investida da entidade médica brasileira contra o Mais Médicos se articula com programa dos EUA para asfixiar relações internacionais de Cuba

Por Najla Passos, da Carta Maior

O Programa de Apoyo a Médicos Extranjeros, criado pela AMB, facilita a ida de médicos cubanos aos EUA (Foto: Flickr Pan American Health Organization)

A Associação Médica Brasileira (AMB) acaba de lançar um programa para estimular a fuga dos cubanos que atuam no Mais Médicos para os Estados Unidos. A nova cartada da entidade para enfraquecer uma das mais populares iniciativas do governo Dilma está divulgada em destaque no site da entidade.

Batizada de Programa de Apoyo a Médicos Extranjeros, a iniciativa reivindica preocupações humanitárias, mas seu objetivo claro é assegurar assistência jurídica e logística ao médicos da ilha comunista que almejam acessar o Cuba Medical Professional Parole, programa idealizado governo norte-americano para asfixiar ainda mais as relações internacionais de cooperação da ilha comunista.

Lançado em 2006, o Cuba Medical Professional Parole foi criado em parceria pelos departamentos de Estado e de Segurança Nacional dos Estados Unidos para atrair profissionais de saúde cubanos de formações diversas que atuavam no mundo, fazendo larga propaganda positiva para a ilha. Nos seus primeiros 4,5 anos, conseguiu garantir a deserção de 1.574 médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros que atuavam em 65 países, conforme balanço publicado em janeiro de 2011 no The Wall Street Journal.

Só no mesmo ano de 2011, porém, havia 37 mil médicos cubanos atuando em 74 países do mundo, a maioria na Venezuela, por meio do acordo firmada por Hugo Chaves com fidel Castro que dava a este último a preferência na aquisição do almejado petróleo da estatal PDVISA. O índice de deserções, portanto, foi considerado pífio, principalmente se considerado o investimento estatal norte-americano no programa, que envolveu toda a sua rede de embaixadas e contou com investimentos financeiros diretos.

Ainda assim os desgastes diplomáticos para os países envolvidos foram inevitáveis. Médicos cubanos que atuaram na Venezuela interpelaram a PDVISA, em escandalosos processos que invadiram as cortes internacionais. Uma matéria da TV Estatal Cubana classifica o Cuba Medical Professional Parole Program como uma das mais mesquinhas iniciativas diplomáticas já criadas pelos Estados Unidos, desde o bloqueio econômico à ilha.

Confira aqui o vídeo

No Brasil, o efeito do programa norte-americano sobre os cubanos que atuam no Mais Médicos é baixo. Pelo menos até o momento. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta semana, apenas quatro cubanos abandonaram o programa brasileiro desde o seu lançamento, em julho do ano passado. Está confirmado que pelo menos um, Ortelio Guerra, desertou e fugiu para os Estados Unidos, com a ajuda de uma suposta ONG internacional.

Não está computado na lista o caso amplamente divulgado pela mídia da médica Ramona Rodriguez, que pediu “asilo político” ao DEM, principal partido da oposição que questiona o Mais Médicos, enquanto aguarda visto norte-americano para encontrar o marido em Miami. Esta semana, ela foi contratada como assessora da AMB, por um salário de R$ 3 mil.

De qualquer modo, as investidas tanto dos médicos brasileiros quanto do governo dos Estados Unidos contra os cubanos preocupa o Palácio do Planalto. O Mais Médicos é a grande aposta do PT para as eleições presidenciais e do governo de SP, cujo ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é o candidato do partido. É também um alento para a população brasileira, ao garantir 9,5 mil médicos em 2.779 municípios, o que significa uma cobertura de saúde para 33 milhões de pessoas.

Esta semana, os ministros da Saúde e da Casa Civil se reuniram mais de uma vez para discutir estratégias para enfrentar as ameaças ao Mais Médicos. Nesta quinta (13), o Ministério da Saúde publicou uma portaria definindo as regras para registro do abandono do programa, que garantem rápida substituição dos desistentes. A principal preocupação, porém,  é com o pagamento repassado aos médicos cubanos, inferior ao dos demais profissionais que atuam no programa e, por isso, considerado fator facilitador para a deserção.

Os médicos inscritos individualmente no Mais Médicos, brasileiros ou estrangeiros, recebem R$ 10,5 mil por mês, enquanto os cubanos, contratados via parceria entre Brasil, Cuba e Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), recebem US$ 400 no Brasil. Outros US$ 600 depositados em suas contas, em Cuba, que podem ser acessados no retorno. Os cubanos também mantém suas carreiras de Estado e todas os direitos trabalhistas decorrentes.



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