Eleições no Equador: oposição de direita reconquista principais cidades

Presidente Rafael Correa afirmou que uma derrota em Quito poderia abrir um período de instabilidade política no país, por conta de uma extrema direita unida

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O presidente Rafael Correa, cuja popularidade supera os 60%, afirmou  que uma derrota em Quito poderia abrir um período de instabilidade política no país, por conta de uma extrema direita unida

Por Opera Mundi

Mauricio Rodas (de camisa azul), comemora eleição para a Prefeitura de Quito. Ele obteve quase 60% dos votos
Fonte: Opera Mundi/EFE

A oposição de direita venceu as eleições deste domingo (23/02) para as prefeituras de Quito, Guayaquil e Cuenca — as três principais cidades do Equador — o que representa um revés para o presidente Rafael Correa desde sua chegada ao poder, em 2007. De acordo com o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, porém, a soma dos votos totais foi favorável ao governo.

Em Quito, cidade de 2,2 milhões de habitantes, o opositor Mauricio Rodas, de 39 anos, obteve 58% dos votos, contra 40% para o atual prefeito, Augusto Barrera, segundo as projeções baseadas na boca de urna. Ao lado de Correa, o prefeito de Quito admitiu a derrota: “reconhecemos e estamos encarando diretamente os resultados atribuídos” pelas projeções, disse Barrera na sede da Aliança País.

O presidente, que chegou a pedir licença de suas funções para se dedicar às eleições,  também reconheceu “o importante revés na capital, algo que será preciso analisar”, mas destacou que a Aliança País conquistou vários governos provinciais nas eleições deste domingo.

Rodas, eleito em Quito pela coalizão Suma Vive, pediu uma “transição ordenada” e felicitou Barrera por “reconhecer democraticamente” o resultado. “Quito não é apenas de uma cor, é de todas as cores. Hoje venceu a dignidade” dos cidadãos, proclamou Rodas para centenas de partidários reunidos na sede de seu partido.

Em Guayaquil, com 2,3 milhões de habitantes, o prefeito opositor, Jaime Nebot, será reeleito com 60% dos votos, contra 38% para Viviana Bonilla, 30 anos, candidata de Correa, ainda de acordo com as projeções. Cuenca, a terceira cidade do Equador, com 712 mil habitantes, foi conquistada pela oposição com a vitória de Marcelo Cabrera com 51% dos votos, contra 46% para o atual prefeito, Paul Granda.

Além de 221 prefeitos, os equatorianos elegeram neste domingo 23 governadores e 1.035 vereadores, para mandatos que serão concluídos em maio de 2019.

“Nova direita”

Correa, cuja popularidade supera os 60%, afirmou durante a campanha que uma derrota em Quito poderia abrir um período de instabilidade política no país e que a perda da capital colocaria em risco a “Revolução Cidadã”, como denomina seu projeto de governo socialista. Para Correa, esse novo campo político que busca se consolidar no país enxerga a prefeitura de Quito como plataforma para projetar suas ambições presidenciais.

“Haverá risco para nosso projeto se a capital cair nas mãos da extrema direita. A revolução está ameaçada pelo assédio de toda a direita unida – que tem financiamento nacional e internacional -, por assessores estrangeiros e por uma campanha suja impressionante”, advertiu Correa antes das eleições.

Rodas foi integrante da juventude social-cristã do Equador, força política de direita que elegeu León Febres Cordero (1984-1988), acusado por uma comissão da verdade de ter instalado um regime de torturas, desaparecimentos forçados e terrorismo de Estado.

O político recebe orientações de Moisés Naim, membro do diretório do norte-americano NED (Fundação Nacional para a Democracia), da Junta Diretiva do Banco Mundial e ex-ministro da Indústria e Comércio de Carlos Andrés Perez, na Venezuela, conhecido por levar a cabo um governo neoliberal.

A ponte aconteceria por meio do “think thank” Ethos, baseado no México e fundado por Rodas em 2008. Karg cita a agência de notícias equatoriana Andes, que informa que Naim é membro do conselho da Ethos.



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