Ucrânia: na cidade “independente” de Lviv, policiais ajoelham e pedem perdão

Enquanto no leste do país se fala em separatismo e alinhamento com a Rússia, município no extremo oeste declara "autonomia" do governo federal

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Enquanto no leste do país se fala em separatismo e alinhamento com a Rússia, município no extremo oeste declara “autonomia” do governo federal, até que a estabilidade retorne à Ucrânia

Por Redação

Policiais ajoelhados no momento em que pediam perdão (Foto Reprodução)

A imagem de pelo menos cem agentes da tropa de choque ucraniana – os “Berkut” (Águias) – pedindo perdão aos manifestantes oposicionistas do governo do presidente-em-fuga, Viktor Yanukovich, ontem, na cidade de Lviv, é realmente bela. Mas há mais por trás dessa história.

A cidade de Lviv localiza-se no extremo oeste do país, quase na fronteira com a Polônia – consequentemente, na fronteira com a União Europeia. Não é de se estranhar que seja considerada um dos bastiões do nacionalismo ucraniano e que, por anos, tenha em seus habitantes e comerciantes os críticos mais ferozes a Yanukovich.

Nessa semana, após violentos conflitos que resultaram em morte em Kiev, a cidade se declarou autônoma do governo. Treze dos manifestantes mortos eram da região de Lviv. Com a escalada de violência na capital ucraniana, manifestantes furiosos forçaram sua entrada em delegacias de polícia, escritórios municipais e até uma base militar na cidade. Após os manifestantes incendiarem diversos prédios do governo, as forças de segurança na cidade simplesmente desapareceram.

Na esteira de toda essa violência, uma nova ordem surgiu na cidade na forma de “unidades de autodefesas de cidadãos”. Os voluntários recebem ordens apenas do prefeito, Andriy Sadovyy – provavelmente um dos mais poderosos prefeitos no mundo, uma vez que sua cidade não se reporta a ninguém mais em nível federal. Como a capital está a 540 quilômetros de distância, as forças de segurança estão em fuga e uma solução para a crise parece distante, os cidadãos da Lviv pegaram em armas e agora a lei está em suas mãos

Lviv, no extremo oeste da Ucrânia, já fez parte do Império Austro-Húngaro e da Polônia
(Foto WikiCommons)

“O único chefe a quem presto contas é à comunidade local”, disse ele. Apesar disso, o prefeito sustenta que essa autonomia é apenas temporária – principalmente agora que as forças pró-Ocidente tomaram controle do parlamento. No entanto, Lviv permanecerá autônoma até que seus habitantes enxerguem alguma estabilidade, na forma de um novo presidente e um serviço de segurança renovado por todo a Ucrânia.

Mesmo com seu futuro tendo pouco a ver com um alinhamento ucraniano total à Rússia – a cidade inclusive já fez parte do antigo império Austro-Húngaro – a ideia de uma partição da Ucrânia é totalmente inaceitável para Sadovyy.



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