Mujica diz que não “dará bola” a críticas da ONU sobre legalização da maconha

Relatório divulgado por órgão vinculado à Organização das Nações Unidas caracteriza a despenalização da droga como "uma tendência perigosa"

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Relatório divulgado por órgão vinculado à Organização das Nações Unidas caracteriza a despenalização da droga como “uma tendência perigosa”

Por Redação

“A ONU, que é tão velha, está puxando a nossa orelha. E vamos dar tanta bola para isso como dão as grandes potências quando tomam suas decisões”. Foi o que disse o presidente uruguaio, José “Pepe” Mujica, sobre as críticas da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) à política de legalização da produção e venda de maconha no Uruguai.

A Jife, vinculada à Organização das Nações Unidas, apontou em seu relatório anual, divulgado na última segunda-feira, que a lei uruguaia “marca uma tendência perigosa” e viola os tratados internacionais sobre drogas. A afirmação faz referência à Convenção Única sobre Entorpecentes, assinada por 186 países – inclusive o Uruguai – em 1961.

Segundo o documento, a utilização da cannabis é liberada apenas para fins medicinais e científicos. O projeto de lei aprovado no país de Mujica em dezembro último legaliza o cultivo e a comercialização para qualquer finalidade. As atividades relacionadas à erva serão reguladas pelo governo para evitar a formação de grupos econômicos que lucrem com o negócio.

Pepe rebateu as críticas dizendo que Junta “está longe” e que é o povo uruguaio quem tem que decidir. “[A Jife] Não tem ideia do que é a sociedade uruguaia nem do que são as tradições do Uruguai”. E continuou:”Vamos ganhar esse jogo. Vamos mostrar qual é o caminho das reformas”.

Apesar do posicionamento contrário à legalização da maconha, Raymond Yans, presidente da órgão, mostrou-se disposto a manter uma “estreita cooperação” com o Uruguai a fim de debater sua política de descriminalização.

*Foto: Andrea Mazza



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