Quer participar dos Advogados Ativistas? Não leia a Veja

O coletivo se recusou a colaborar com matéria da revista, mas se manifestou publicamente em rede social para dar suas respostas sem risco de deturpação

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Em sua página no Facebook, coletivo respondeu com ironia a perguntas feitas pela revista

Por Redação

O coletivo Advogados Ativistas, que presta assistência jurídica durante as manifestações de rua em São Paulo, foi procurado pela Veja para uma entrevista. Por considerarem que o veículo tem a má intenção de “desinformar, mentir e difamar aqueles que realizam trabalhos relevantes”, seus integrantes resolveram não colaborar com a matéria.

Como os jornalistas da revista afirmaram que a reportagem seria publicada de qualquer maneira, os Advogados Ativistas decidiram se manifestar publicamente e divulgaram, nesta sexta-feira (14), as respostas em sua página no Facebook.

Abaixo, segue a entrevista:

Veja: Como surgiram os Advogados Ativistas?
Advogados Ativistas: Advogados Ativistas sempre existiram, apenas uma parte deles se uniu.

Veja: Há lideranças?
AA: Não.

Veja: Quais são as causas mais emblemáticas pelas quais o movimento já lutou desde junho de 2013?
AA: Principalmente a defesa da Democracia e da Constituição, as quais vêm sendo incessantemente violadas.

Veja: Quais são suas bandeiras?
AA: Não carregamos bandeiras.

Veja: O que é necessário fazer para participar?
AA: Não ser leitor da Veja é um bom começo.

Veja: Hoje há quantos advogados ativistas?
AA: O suficiente.

Veja: Os senhores atuam apenas em São Paulo ou em outras cidades brasileiras? Se sim, em quais?
AA: Através da internet somos capazes de levar informação para qualquer lugar.

Veja: Em redes sociais do grupo há publicações, como fotos de protestos em cidades como o Rio de Janeiro. Vocês viajam para atuar em causas fora da cidade?
AA: Advogados Ativistas possuem amigos em muitos lugares. Se for preciso viajar, viajaremos.

Veja: Como vocês se mantém?
AA: Somos advogados, ora.

Veja: Quanto tempo do dia se dedicam ao ativismo?
AA: Não o quanto gostaríamos, mas quando o fazemos a dedicação é total.

Veja: Pode definir o conceito de advocacia “pro bono”?
AA: É a advocacia gratuita para o bem do povo. Bastava jogar no Google, essa foi fácil. 

Veja: Quais os obstáculos que enfrentam para garantir o direito de ampla defesa dos manifestantes?
AA: A Veja, por exemplo, é um dos obstáculos, pois criminaliza qualquer forma de pensamento diferente do seu.

Veja: Os senhores declararam que sofreram intimidação na OAB-SP no último protesto em São Paulo, de que forma isso aconteceu?
AA: Sofremos intimidação de um grupo inexpressivo, o qual falou indevidamente em nome da classe. Como explicado pelo Presidente da Ordem, a atitude destes não reflete o pensamento da entidade. Assunto superado.

Veja: Advogados ativistas já deram declarações de que a OAB-SP não está cooperando com o trabalho de vocês e se portando de maneira governista. Como é a relação entre os senhores e a entidade? Os senhores publicaram um artigo afirmando que a entidade criminaliza a ação de vocês. De que maneira isso acontece?
AA: A política de relação com outros grupos ou entidades é discutida internamente. No entanto, informamos que o Presidente da OAB/SP, em conjunto com o Presidente da Comissão de Prerrogativas, apresentaram nota pública em defesa de nosso trabalho, disponibilizando, inclusive, amparo emergencial caso cada um de nós tivesse seu ofício prejudicado.

Veja: Os senhores já receberam honorário de algum cliente que atenderam nas manifestações?
AA: Não visamos lucro algum, mas podemos começar a receber quando a Veja informar quem paga a tal “Bolsa Manifestação”.

Veja: Quais são as principais orientações do Manual do Manifestante? Por quais mudanças ele já passou desde a primeira versão?
AA: O Manual está disponível na página do Advogados Ativistas e é de fácil compreensão. Recomendamos a leitura.

Veja: Os senhores declararam que já sofreram ameaças de morte. Pode descrever em quais situações e como essas ameaças se deram?
AA: A investigação está em andamento. É um trabalho para a polícia.

Veja: Os senhores foram apontados como advogados de Humberto Caporalli e Fabricio Proteus, apontados pela policia como adeptos à tática black bloc. Qual a posição dos senhores sobre os black blocs?
AA: Não generalizamos estereótipos e tão pouco criamos inimigos fictícios, isso é trabalho da Veja.

Veja: Na confusão das manifestações e porta de delegacias, é possível distinguir os manifestantes adeptos e não adeptos da tática black blocs?
AA: Não entendemos no que se aplica ao grupo esta pergunta.

Veja: Os senhores prezam pelo direito de se manifestar e defendem todos sem restrições?
AA: Ao contrário do que algumas pessoas (e a Veja) pregam, de acordo com a Constituição todos têm Direito a Defesa. Veja só que coisa (com o perdão do trocadilho).

Veja: Já se recusaram a defender algum manifestante?
AA: Nunca, inclusive se algum repórter da Veja for preso em alguma manifestação pode nos contatar que iremos defende-lo, já que o direito de defesa é para todos, mesmo que este veículo propague o contrário.

*Foto: Mídia Ninja



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5 comments

  1. Cris Responder

    Parabéns aos Advogados Ativistas ! Essa tal Veja vive, hoje, apenas de nome, todos sabemos disso . Aliás, quando li pela primeira vez essa porcariada publicada em formato de periódico , dando a entender que se trata de alguma coisa séria , não passa de um anedotário de 3a catagoria . Contudo, tem quem goste . Sempre achei as reportagens um tanto parciais, e cá pra nós , de um moralismo e contra-senso muito fora do esquadro pro meu gosto . Parabéns aos AAs ( Advogados Ativistas e Alcoólicos Anônimos , por que não, né ? heheheheh . . . .)

  2. Gil Responder

    Isso mesmo colegas leitores. Não leiam a Veja. Não leiam nada que não tenha sido aprovado por nós previamente. Vocês não precisam formar opinião. Vocês só precisam saber o que nós dissermos. Nós sabemos o que é melhor para vocês.
    Seja feliz na ignorância.
    Melhor do que se desesperar com a realidade.

  3. Raphael Responder

    Entrevistamos os Advogados Ativistas, e dessa vez nos responderam. Confiram a matéria no Correio da Cidadania.

    http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9448:submanchete210314&catid=72:imagens-rolantes

    Abraços

  4. Ralph de Souza Filho Responder

    Após esta, sem dúvida, prova de competência e altivez, cabe agora aos Advogados Ativistas, dar prosseguimento a duas ações que considero essenciais para a ampliação da Democracia Brasileira: A obtenção, via constituição, de um Plebiscito, com o objetivo de convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, soberana e exclusiva, na implementação de uma reforma política – eleitoral profunda, com o objetivo de desterceirizar a atividade, claramente refém do poder econômico – financeiro das empresas privadas. A ação seguinte, por que não concomitante, impulsionar e pressionar para que finalmente estruturemos e aprovemos uma Legislação dos Meios de Comunicação, dando continuidade ao projeto do SR. Franklin Martins, engavetado já há algum tempo, porém necessitando de um resgate urgente, para o bem maior do fortalecimento do estado de direito e do aprimoramento e aprofundamento do processo democrático.

  5. Antonio Carlos Conceição Responder

    Já sei o que fazer quando me aposentar, advogar pela humanidade, tal como fazem os AA.
    Parabéns pelo seu trabalho.
    Infelizmente meu cargo impede a advocacia.


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