Marcha dos insensatos: general propõe golpe militar

Em blogue, militar da reserva sugere "eventual intervenção militar". Há uma clara insubordinação à Constituição e ao governo, que deveria ser respondida. É espantoso que o Ministério da Defesa e o Ministério da Justiça permaneçam mudos

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Em blogue, militar da reserva sugere “eventual intervenção militar”. Há uma clara insubordinação à Constituição e ao governo, que deveria ser respondida, e é espantoso que o Ministério da Defesa e o Ministério da Justiça permaneçam mudos

Por Pedro Pomar e Rodrigo Vianna no Escrevinhador

Independentemente das avaliações que faça sobre o alcance real da latente rebelião da extrema-direita militar (e civil) frente à Comissão Nacional da Verdade (CNV) e à própria existência da gestão Dilma, o governo federal não pode se omitir diante da propaganda e convocação de um golpe militar, ou seja, de um movimento armado que pretenda derrubá-lo.

Trata-se de um governo constitucionalmente eleito e em pleno exercício de suas atribuições. Não pode admitir que generais, da ativa ou da reserva, se deem ao direito de disparar mensagens pelas redes sociais (e presumivelmente por outros meios) convocando colegas de farda e apoiadores civis a derrubar o governo.

Pois bem: é exatamente isso que vem acontecendo. Um general de brigada reformado, Paulo Chagas, acaba de postar mensagem no blogue Sociedade Militar em que prega um golpe militar, utilizando como pretexto a recente decisão do STF de absolver os réus da AP 470 do crime de formação de quadrilha!

“A debacle [derrocada, ruína] da Suprema Corte, desmoralizada por arranjos tortuosos que transformaram criminosos em vítimas da própria Justiça, compromete a crença dos brasileiros nas instituições republicanas”, diz o general Chagas, para quem esse fato soma-se “às muitas razões que fazem com que, com frequência e veemência cada vez maior, os Generais sejam instados a intervir na vida nacional para dar outro rumo ao movimento que, cristalinamente, está comprometendo o futuro do Brasil”.

Prossegue o militar golpista, agora fazendo alusão aos acontecimentos da Venezuela: “Os militares em reserva se têm somado aos civis que enxergam em uma atitude das Forças Armadas a tábua da salvação para a Pátria ameaçada, quando não são eles próprios os alvos do clamor daqueles que já identificam nas imagens dramáticas da capital venezuelana a cor fúnebre do nosso destino”.

Acrescenta, adiante, que ao “exercerem seu direito legal de opinar e criticar, os militares da reserva diferem entre si na forma, na intensidade e na oportunidade de uma eventual intervenção militar que venha a dissuadir as pretensões mais ousadas dos dissimulados adeptos da versão ‘bolivariana’ do comunismo de sempre, todavia, são coincidentes e uníssonos no rebatimento de acusações mentirosas que, divulgadas de forma criminosa, visam a criar na sociedade o receio de ter os militares como fiadores da democracia”. O que seria uma “eventual intervenção militar”, se não um golpe de Estado?

Civis ingratos?

O general também se queixa daqueles civis que segundo ele desejam uma ação militar, mas não saem em defesa da Ditadura iniciada em 1964: “Todos querem que os Generais ‘façam alguma coisa’, mas ainda são poucos os que se dispõem a fazer o que está ao seu alcance. Poucos são os que adotam atitudes concretas e manifestam-se pública, individual e coletivamente, em defesa dos governos militares, escrevendo para os jornais ou protestando contra a hipocrisia e as más intensões [sic] das ‘comissões da verdade’”.

Prossegue o general, conclamando maior apoio civil ao golpismo: “No momento atual, a causa da democracia não dispensa o concurso de ninguém. Seria portanto uma importante contribuição se todos os civis que têm as Forças Armadas como última razão da liberdade e a garantia dos fundamentos constitucionais pusessem suas opiniões a público, em artigos, manifestações, textos, ‘cartas do leitor’ e outros recursos do gênero e não apenas em comentários restritos à leitura dos poucos profissionais da mídia que ainda ousam remar contra a correnteza ou dos escribas de mídias sociais que, mesmo comprometidos com a causa, têm apenas seu limitado e débil sopro para tentar enfunar as velas da embarcação”.

Causa da democracia? “Última razão da liberdade”? Ora, o Brasil vive um período de relativamente ampla liberdade política, pelo menos nos marcos da institucionalidade. Tanto é que até provocadores de extrema-direita como o deputado federal Jair Bolsonaro, ex-capitão do Exército, movimentam-se à vontade. Mas voltemos ao texto do general.

“As pessoas de bem, informadas, estão com medo do futuro, acuadas até para reagir e para manifestarem-se pacificamente”, continua Chagas. “Não basta, portanto, pedir uma atitude dos militares, é preciso que os civis esclarecidos e convencidos do perigo ostentem massivamente suas posições e opiniões e que contribuam para magnetizar a agulha que definirá o novo rumo a ser tomado”.

Nova “Marcha com Deus”, novo golpe?

O militar não explica por que as “pessoas de bem” estariam “acuadas”. Quem as está acuando? Mas o “novo rumo” proposto fica claro no trecho final de seu texto: “As ‘Marchas da Família com Deus Pela Liberdade’, programadas para o mês que inicia, são um bom começo para esta soma de esforços e para reafirmar o que, há cinquenta anos, fez com que o Brasil fosse visto e admirado como a ‘Nação que salvou a si própria’!”.

Em suma, o general está propondo um novo golpe. Novamente contra um governo legítimo, como ocorreu em 1964 contra João Goulart. E as mensagens de apoio que ele vem recebendo, na linha expressa de “Eu apoio a intervenção militar”, e mesmo de um ex-fuzileiro naval que se coloca “à disposição”, sugerem que sua mensagem foi devidamente compreendida.

Quando dezenas de generais das três Armas assinaram e divulgaram virulentos manifestos contra o governo, em 2012, o ministro da Defesa, Celso Amorim, anunciou que haveria punições. Não houve. De lá para cá, generais da ativa e da reserva continuam a a rosnar ameaças, a dar declarações a propósito de assuntos que não lhes dizem respeito, e a proferir insultos contra a CNV. Caso o governo continue fingindo que nada acontece, estará incorrendo novamente em grave omissão.

Há uma clara insubordinação à Constituição e ao governo, que deveria ser respondida. É espantoso que o Ministério da Defesa e o Ministério da Justiça permaneçam mudos. Parece que a Defesa foi “capturada” pelas Forças Armadas, como se costuma dizer de agências nacionais que passam a ser controladas pelos interesses econômicos que deveriam ser fiscalizados e controlados por elas.

Desse modo, permite-se ao fascismo fardado e civil articular-se à vontade e crescer, criando ameaças reais à sociedade brasileira. A Polícia Federal, que vem sendo utilizada para reprimir povos indígenas, e a Agência Brasileira de Informação (Abin), sempre tão atenta aos movimentos sociais de esquerda, não conseguem enxergar o perigo fascista?

O governo petista, também nesse tema, parece submeter sua ação inteiramente ao cálculo eleitoral: se a extrema-direita é minoritária, para que gastar capital político confrontando o discurso golpista?

No próximo dia 22, a extrema-direita promete sair às ruas. Para o general Chagas, a tal “Marcha” seria apenas “um bom começo”. Para a esquerda e os democratas em geral, será o momento decisivo para avaliar: Dilma e Celso Amorim fazem bem ao fingir que nada está acontecendo? Ainda que as Marchas do dia 22 reúnam pouca gente, parece absurdo que um governo legítimo e as forças políticas que o apóiam assistam inertes ao avanço do golpismo.

Aliás, a reação ao golpismo deveria reunir também os setores democráticos da oposição – gente séria que, à esquerda ou ao centro, não aceita que o país caminhe de volta para uma ditadura militar.



No artigo

18 comments

  1. Cadu Resende Responder

    Eu acredito que todos tem o direito de falar e querer o quiser de um pais democrático como o Brasil é, acredito que temos o direito de desejar e tentar fazer com que seus os mesmos virem realidade, agora o que o resto da sociedade tem que fazer é ficar atenta, tem que impedir que coisas que já sabemos que não são boas, que fazem a todos sofrerem como foi a ditadura militar no Brasil, agora, as eleições estão ai, em pais democrático que tem o poder é o povo, basta a nós darmos um rumo adequado ao Brasil.

  2. Bhalij Responder

    Concordo com o texto onde reafirma a necessidade do Governo Federal, em nome da democracia, intervir diretamente nos que querem um regime de exceção. Liberdade de expressão é uma coisa, querer derrubar um governo legítimo, eleito pela maioria do povo brasileiro é outra coisa?! Crime, no mínimo de traição!

  3. Roger Responder

    Uma das principais funções da democracia é a proteção dos direitos humanos fundamentais, como as liberdades de expressão, de religião, a proteção legal, e as oportunidades de participação na vida política, econômica, e cultural da sociedade. Os cidadãos tem os direitos expressos, e os deveres de participar no sistema político que vai proteger seus direitos e sua liberdade.
    Então porque um General ñ pode expressar seu direito constitucional de livre expressão? Porque afinal quem vai decidir é o povo.

  4. Andre Responder

    Com relação a “setores democráticos da oposição”, na minha opinião, eles não estão preocupados com o rumo dessas manifestações ou do país como um todo. Eles estão preocupados é em tirar o PT do governo para depois articularem a maneira mais ignóbil de se apresentarem como salvadores da pátria.

  5. SERGIO GOVEA Responder

    A matéria é pertinente.

    Há, entretanto, um ponto a ser questionado. A ABIN é um órgão repleto de militares, mas as demandas da presidência parece que são atendidas e a aparente inépcia do governo pode nem ser tão grande assim.

    Eu lembro o acontecido em 2012 e , naquela época, eu me perguntei…”Ora, como fazer uma comissão da verdade sem antes combater as atrocidades impunes que a imprensa comete todos os dias, apostando na ignorância política da população” ? A força, a seiva de todos o radicalismo antidemocrático está justamente na desinformação das pessoas. Gente bem informada não daria a menor chance aos fascistas. Então, a instalação dessa comissão vai na contra mão da politização de uma enorme parcela da população. podemos até subestimar esses generais, mas não podemos subestimar a ignorância política.

    1. rograme@yahoo.com.br Responder

      Ora ao DESGOVERNO não interessa um “POVO” INSTRUIDO. Não interessa resolver os “problemas ” do BRASIL.E a IMPRENSA? Bom, esta COMPRADA a peso de OURO e as nossas CUSTAS vai apenas veicular os que seu “dono” mandar. E nós, CIDADÃOS que tenta inutilmente mostrar para as pessoas o que está acontecendo no PAIS não somos ouvidos, não temos créditos.É UM PAIS de TOLOS! “IDIOTAS” que só querem levar VANTAGENS.E ai caminhamos a passos largos para o COMUNISMO. POBRE POVO, TRISTE BRASIL!

  6. Corvo Responder

    O brasil ta ferrado

  7. Mário Maturrão Responder

    Ele deve estar senil, e ainda gastamos uma fabula para sustentar esses individuos que nada fazem de útil para a população pobre!

  8. Glauber Responder

    Concordo sobre a importância de manutenção do Estado Democrático, mas achei o texto da Redação tendencioso ao se indignar, sem necessidade, com a carta do militar da reserva.

  9. Ordep Responder

    Olá!
    É tenebrosa a idéia mesmo porque ainda nem nos livramos dos fantasmas da última ditadura, não conseguimos o que outros países da América do Latina já fizeram com seus ditadores e verdugos dando-lhes o tratamento devido, emfim.
    Isso porque ainda convivemos em uma sociedade dominada por uma classe opulenta, ultraconservadora
    em que as estruturas sociais de poder político e econômico estão a serviço dessa e por elas foram forjadas. É notório também a forma como se deu a nossa redemocratização a saber, um acordo de cima e por cima, sem a participação do povo e isso é histórico em todos os momentos decisivos deste nosso país. Na realidade não houve um rompimento e sim um acordo com a permanência no poder público de agentes políticos que foram coniventes com a ditadura de 64.
    Neste contexto, não é difícil encontrarmos pessoas que admiram a cultura militar e a tortura. Tenho testemunhado opiniões entre o povo mais simples até àqueles que conhecem a horrenda história ditatorial brasileira porém, por estarem num sistema alienado e alienista não dispõem da percepção do quanto é nocivo e inconstitucional tal regime.
    O gigante ainda dorme em ” berço esplêndido.”

    1. Roxelle Responder

      EXATO. Quando você diz que o povo não teve participação, fala a verdade. A Constituição de 88 deveria ser repensada, já que o povo ainda estava atônito, se perguntando “quem matou Odete Roitmann”. Isso que você comentou, caro Ordep, que historicamente o povo não foi chamado ao debate pelos que estão no poder, é uma peça-chave da história de alienação do povo brasileiro, que ninguém consegue enxergar.

  10. Miguel Responder

    Você já viu, por exemplo, algum membro do IRA ou do ETA ser eleito para presidente da República, ou mesmo para 1o ministro ?

    E nem verá, pois estão sendo procurados pelas polícias locais, FBI e Interpol .

    Somente em paises de merda essas bandas terroristas conseguem alcançar os governos ….

    Não demora muito e lá vão eles e mostram mais uma vez o que são, né .

    É fácil: compare a situação atual da segurança pública, educação e saúde com a de 1964 – 1985…

    Se quiser ainda, compare o crescimento econômico atual com o do mesmo período .

    Quer saber pra quem os militares foram ruins? E sei porque vivi aquele momento :

    O governo militar foi ruim apenas para terroristas e comunistas de merda que ogora infestaram o poder .

    LEIA A CRÔNICA DE NELSON RODRIGUES:
    A REVOLUÇÃO DOS IDIOTAS …

  11. Oliveira4 Responder

    Voces deveriam apontar soluções para a atual situação política e social do BRASIL, o SUS é um corredor da morte, nossos jovens não sabem ler, escrever, falar,somar, diminuir,dividir, multiplicar, todo ano faço aniverssário, e todo ano tenho greve de professores, rodoviários, bancários, saúde, e todo ano pessoas entre elas idosos que deveriam ser tratados com respeito e carinho, ficam refens de um sistema corrupto, sofrendo com algum tipo de infermidade sem ninguem dar a mínima importância.
    E ai vem voces faltando com respeito, agredindo e chingando pessoas que querem simplesmente a atenção que lhe foi prometida.

  12. Alex Responder

    O que esta demasiadamente podre deve ser descartado para que se transforme em algo novo e melhor. Não adianta tentar remendar ou consertar algo que está demasiadamente estragado. Deve-se limpar o terreno e com novo adubo teremos frutos sadios nas próximas gerações. Os aculturados estão impregnados devido as esmolas oferecidas pelo PT e somam a maior parte das intenções de voto para as próximas eleições. Se por via democrática os formadores de opnião não conseguirão extirpar a lavagem cerebral que fizeram nesta maior parcela de votantes somado a irracionalidade do voto obrigatório não resta outra opção. Com uma ditadura provisória sem os erros do passado quanto ao cercimento de direitos humanos e que seja ponte para uma nova e verdadeira democracia , que venham os militares. Parem para refletir sobre a segurança pública,, saúde, educação (0) , impunidade e o que resta para piorar ? Se viveram como eu na época dos militares não olhem para os carros importados e a hipocrisia do falso poder de compra dos escravos de Banqueiros. Fora PT, MDB,  e todas as ervas daninhas deste país. Que venham os militares !

    Alguns parecem mesmo lunáticos mas não confundam com todos

  13. willys Responder

    Na condição deplorável em que o nosso país se encontra com essa gestão que ai esta, no que se diz respeito a saúde,educação,segurança,com uma carga tributária absurda eu já podia parar por aqui,mas como eu não nasci hoje posso opinar,em dizer que no tempo em que vivíamos no governo dos militares,comparando com atual era bem melhor,sou a favor do retorno dos militares no poder,iríamos ter ordem,progresso,disciplina,ética,honestidade,pudor,saúde,segurança,educação e etc . QUE VENHAM OS MILITARES.

  14. Mauro Miranda Responder

    Caros Senhores,

    Li o artigo com pausado cuidado e de forma bastante refletida. Dele depreendi que o posicionamento dessa redação, não comunga com a isenção jornalística que se pretende e espera de um meio de comunicação e informação, se não, vejamos – longe de afirma-los socialistas aos moldes “bolivarianos”:

    1 – Se percorrermos a história com a acuidade necessária não encontraremos o “Golpe Militar”, tão pouco, a “Revolução de 64”, pois que, estes termos subvertem a real definição e natureza dos acontecimentos daquele março de 1964. Encontraremos sim, “Golpe de Estado” e “Contra Revolução de 64”. Isto, porque o “golpe” não foi um “raio que desceu de um céu sem nuvens” em forma de um “Exército ou Forças Armadas”: Jango “estava atolado, sem projeto, pilotando a olho nu a crise do país” – inflação de 80%, crescimento pífio em 1963, etc, gerando crescente insatisfação popular; e, já às vésperas do 31 de março: “Jango não queria dar ordens, estava apavorado diante do incêndio que ajudara a provocar, horrorizado com a hipótese de uma guerra civil que não desejava”. O fato é que amplos segmentos da população apoiaram o “Golpe de 1964”: os governadores de Minas, Rio, São Paulo, Juscelino Kubitschek, os principais partidos, diretorias dos sindicatos corporativos, lideranças empresariais, diretores e funcionários das grandes empresas estatais e privadas, membros das universidades e das academias, de jornalistas dos principais meios de comunicação, lideranças políticas e importantes entidades da sociedade civil, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB). Para só citar alguns parcos exemplos. Rememorando os apontamentos históricos, Ulysses Guimarães foi um dos líderes da Marcha da Família naquela oportunidade e, também apoiou o golpe, tendo feito parte, inclusive, da comissão do Congresso responsável por elaborar o primeiro Ato Institucional. A própria CNBB apoiou as tropas do General Olímpio Mourão Filho que marcharam de Minas – Juiz de Fora para o Rio. Portanto, configura-se, de “per si”, o “GOLPE DE ESTADO ou CONTRA REVOLUÇÃO DE 64”, pois, à época, era a vontade maior de uma nação atônita, unida no desejo de salvar a democracia, a família, o direito e a lei, em detrimento de um socialismo (comunismo) que assolava a América Latina e batia à nossa porta, veementemente.

    2 – Não vejo e, tão pouco me curvo a concordar com o artigo, quando em três de seus parágrafos interpreta como essência de uma verdade incontestável:
    “Há uma clara insubordinação à Constituição e ao governo, que deveria ser respondida. É espantoso que o Ministério da Defesa e o Ministério da Justiça permaneçam mudos. Parece que a Defesa foi “capturada” pelas Forças Armadas, como se costuma dizer de agências nacionais que passam a ser controladas pelos interesses econômicos que deveriam ser fiscalizados e controlados por elas”.
    “Desse modo, permite-se ao fascismo fardado e civil articular-se à vontade e crescer, criando ameaças reais à sociedade brasileira. A Polícia Federal, que vem sendo utilizada para reprimir povos indígenas, e a Agência Brasileira de Informação (Abin), sempre tão atenta aos movimentos sociais de esquerda, não conseguem enxergar o perigo fascista”?
    “O governo petista, também nesse tema, parece submeter sua ação inteiramente ao cálculo eleitoral: se a extrema-direita é minoritária, para que gastar capital político confrontando o discurso golpista”?
    Contra argumentando: muito ao contrário, tanto a presidente Dilma Rousseff, quanto o ministro Celso Amorim (Defesa) foram bastante truculentos quando decidiram avançar contra um abaixo-assinado de militares da reserva que protestavam contra a censura a um manifesto assinado pelos clubes militares. A repercussão escarnecida por parte da imprensa foi “vergonhosa” por uma razão muito simples: há gente achando que o que está em julgamento é o direito dos militares darem um golpe! Isso é estúpido! É mentira que tenham contestado a autoridade de Amorim. Eles afirmaram, e com razão, que o ministro não tinha autoridade no caso específico — isto é, para obrigar os clubes a retirar do ar o manifesto. No mais, fizeram o que Lei 7.524 permite, a saber:
    O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:
    Art 1º Respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público.
    Reiterando, existe uma lei que permite aos militares da reserva se manifestar nos termos em que se manifestaram.

    3 – Concluindo: nesses quase trinta últimos anos muitos falam do regime militar que reprimiu com violência, matou, etc., e tal. Maior parte das vezes, sem maiores conhecimentos de causa, “por ouvi dizer”, “por ouvi contar”, ou, por estrita conveniência. Muito bem, Finda o regime militar e passamos a viver a apoteótica redenção: a “redemocratização nacional” começava. Novos tempos… Renovação das esperanças. Teria sido até muito bom e merecido, se realmente tivesse em algum momento sido verdade tangível.
    Pois é, de 1985 pra cá, praticamente trinta anos se vão. Somos milhões e milhões de brasileiros governados desde então, pelos maiores ladrões e facínoras, que espoliam a nação brasileira e tomam o país de assalto em nome de seus projetos mais espúrios, sem que de fato, nada façamos para impedir. Ah! Para não esquecermos: o caso do “impeachment do Collor”, a meu ver, é uma das mais flagrantes aberrações do cenário político pós-regime militar, posto que, o estado, por meio do legislativo maior, povoado por uma maioria de canalhas de iguala incontestável, inscreveu na história do Brasil o impedimento de um “par”, qual, bem antes renunciara ao poder. É risivelmente trágico, é triste!
    O fato é que, nesses últimos tempos não se matam alguns como naquele outro, matam-se milhares a cada mês pelo desprezível e desumano desatendimento à saúde, à educação e à segurança, dever do estado e direito da nação, garantidos em carta magna.
    Consequentemente, mais do que pensar e externar nossos sentimentos, apreensões e indignação, urge-nos crescer e nos capacitar para as mudanças que, já se fazem por demais tardias, em favor de nosso país e povo.
    Mauro Miranda
    Jornalista.

  15. guto Responder

    O texto é tendencioso. É parcial. A estória nunca tem só um lado, um ponto de vista.
    O que não se quer mais é essa situação de coisas, onde falta, principalmente, patriotismo por parte dos políticos. CORRUPÇÃO NUNCA MAIS!

  16. Judson Nascimento Responder

    O que torna legítimo um governo são suas ações. O povo escolhe o governo não correspondeu, então não é legítimo. Vai dizer que o governo do Fernando Color foi legítimo? Outra coisa : estamos caminhando para uma ditadura de qualquer jeito, se ocorrer uma intervenção militar à ditadura que está por vir, visto os resultados positivos para o país obteve na intervenção militar em 1964, fico com a intervenção militar!!


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