Com fim de referendo na Crimeia, UE e EUA dizem que não reconhecerão resultado

Eleitores da região responderam se aprovam a reunificação do território como membro da Federação da Rússia e se aprovam a restauração da Constituição da Crimeia de 1992 e o estatuto do território como parte da Ucrânia

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Eleitores da região responderam se aprovam a reunificação do território como membro da Federação da Rússia e se aprovam a restauração da Constituição da Crimeia de 1992 e o estatuto do território como parte da Ucrânia

Por Danilo Macedo, da Agência Brasil

Terminaram por volta das 15h (horário de Brasília) as votações do referendo na Crimeia, ao Sul da Ucrânia, no qual os eleitores da região responderam se aprovam a reunificação do território como membro da Federação da Rússia e se aprovam a restauração da Constituição da Crimeia de 1992 e o estatuto do território como parte da Ucrânia. De acordo com o governo da região, o comparecimento às urnas superou os 70% previstos antes do início das votações.

Cerca de 1,5 milhão de eleitores puderam participar da consulta, que se iniciou às 8h (3h em Brasília) e se encerrou às 20h em 1,2 mil locais de votação. A crise diplomática envolvendo a península com 2 milhões de habitantes é considerada a mais grave da região desde o fim da Guerra Fria, no início da década de 1990. Entre os habitantes da Crimeia, 58,32% são russos, 24,32% são ucranianos e 12,1% tártaros da própria península, o que indica um favoritismo à vitória da reunificação à Rússia.

Os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, reforçaram hoje (16), em declaração conjunta, que os 28 países que compõem a União Europeia consideram que o referendo contraria a Constituição da Ucrânia e princípios do direito internacional. “O referendo é ilegal e ilegítimo e seu resultado não será reconhecido”, declararam Van Rompuy e Durão Barroso.

Os representantes europeus disseram que a solução para a crise deve ser baseada na integridade territorial, soberania e independência da Ucrânia e de sua constituição, assim como o respeito às normas internacionais. Eles defenderam que apenas o trabalho conjunto, por meios diplomáticos, incluindo discussões diretas entre os governos da Ucrânia e da Rússia, poderá levar a uma solução.

“Reiteramos a forte condenação da violação não provocada da soberania da Ucrânia e da integridade territorial e chamamos a Rússia a retornar as suas Forças Armadas para os números pré-crise e para as áreas de base permanente , em conformidade com os acordos relevantes”, disseram Durão Barroso e Van Rompuy, ao acrescentar que a situação será avaliada amanhã, em Bruxelas, quando serão decididas as medidas a serem aplicadas.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, também ressaltou hoje que os Estados Unidos não reconhecerão o resultado do referendo, o qual consideram ilegal. Ele também apelou à Rússia para que retire as forças militares da região e apoie as reformas constitucionais propostas pela Ucrânia.

[ATUALIZADO] O impasse entre os Estados Unidos, União Europeia e Rússia sobre o referendo popular na Crimeia, se intensificou hoje após a aprovação de sanções contra oficiais russos e ucranianos pelos dirigentes de Washington e Bruxelas. As medidas incluem o congelamento de bens e restrições de viagem contra o ex-presidente da Ucrânia Viktor Yanukovich, e assistentes do presidente Vladmir Putin.

Já na expectativa de uma reação às sanções por parte do Kremlin, Barack Obama afirmou na rede americana CNN, “Continuaremos a deixar claro para a Rússia que mais provocações não farão nada a não ser isolar a Rússia ainda mais, e diminuir seu lugar no mundo…A comunidade internacional continuará junta em sua oposição às violações da soberania, e integridade territorial da Ucrânia”.

A atual crise diplomática é uma das piores entre os poderes russos e americanos desde o fim da guerra fria.



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