No Facebook, PT lança nota de apoio a Nicolás Maduro

"A Venezuela é um democracia e o presidente Nicolás Maduro, um líder eleito pelo voto popular. Qualquer tentativa de tirá-lo do poder, seja pela violência insuflada por fascistas, seja pelo terrorismo midiático, tem um nome só: golpe", diz o texto

1161 2

“A Venezuela é um democracia e o presidente Nicolás Maduro, um líder eleito pelo voto popular. Qualquer tentativa de tirá-lo do poder, seja pela violência insuflada por fascistas, seja pelo terrorismo midiático, tem um nome só: golpe”, diz o texto

Por Redação

Em sua página oficial no Facebook, o Partido dos Trabalhadores publicou nota reafirmando apoio ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. “A tentativa de transformar a Venezuela, aos olhos do público brasileiro, em uma ditadura sanguinária, não é um ato isolado”, diz o texto. “Desde a ascensão na América Latina de governos populares, há pouco mais de uma década, a demonização de suas lideranças de esquerda têm sido a única – e manjadíssima – reação possível à velha ordem neoliberal de direita que, até então, mandava e desmandava nesse espaço geopolítico.”

Imagem produzida pelo PT e publicada em sua página oficial no Facebook (Reprodução)
Imagem produzida pelo PT e publicada em sua página oficial no Facebook (Reprodução)

A nota cita Hugo Chávez e o compara a outro líderes regionais como Rafael Correa, Evo Morales, Cristina Kirchner, José Mujica, Fernando Lugo, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff que, na avaliação do partido, “passaram a ser alvos permanente dos agentes da reação por meio, sobretudo, da mídia”. “Agora, chegou a vez de Nicolás Maduro, presidente eleito da Venezuela, ser alvo dessa campanha infame e cruel movida pela direita local, mas apoiada ostensivamente por todos os grupos políticos reacionários latino-americanos – sem falar no governo dos Estados Unidos”, afirma.

A postagem lembra ainda a visita feita pelo presidente nacional da sigla, Rui Falcão, a Caracas, na semana passada. “Nós promovemos uma grande distribuição de renda no Brasil, assim como fez o presidente Chávez. E por isso, incomodamos tanta gente”, disse o dirigente na ocasião. “A grande imprensa, os meios de comunicação monopolizados, querem que nossa solidariedade não seja manifestada.”

O texto ainda ratifica que “a posição oficial do PT em relação à Venezuela não deixa dúvidas: o partido é contra ações com vistas a desestabilizar a ordem democrática no país vizinho; rechaça as ações criminosas de grupos violentos como instrumentos de luta política; e condena as ações midiáticas que ameaçam a democracia, suas instituições e a vontade popular expressa através do voto”.

Confira abaixo a íntegra da nota:

IRMÃ VENEZUELA

A tentativa de transformar a Venezuela, aos olhos do público brasileiro, em uma ditadura sanguinária, não é um ato isolado.

Desde a ascensão na América Latina de governos populares, há pouco mais de uma década, a demonização de suas lideranças de esquerda têm sido a única – e manjadíssima – reação possível à velha ordem neoliberal de direita que, até então, mandava e desmandava nesse espaço geopolítico.

Hugo Chávez, na Venezuela, tornou-se um alvo preferencial da direita ultra reacionária do continente por encarnar, ao mesmo tempo, o libertador e o democrata dentro de um quadro histórico onde sempre só couberam personagens autoritárias sustentadas pela força das baionetas e do grande capital.
Mesmo nos simulacros de democracia que se sucederam às ditaduras militares dos anos 1960 e 1970 na América Latina, os interesses das corporações, do latifúndio e da banca internacional sempre estiveram acima e além das necessidades do povo.

Assim como Chávez, outro líderes regionais como Rafael Correa, Evo Morales, Cristina Kirchner, José Mujica, Fernando Lugo, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff passaram a ser alvos permanente dos agentes da reação por meio, sobretudo, da mídia.

Essa mesma mídia que, diuturnamente, trabalha para convencer o mundo de que a Venezuela é uma ditadura, e não um país que desde 1998, na primeira gestão de Chávez, mantém intocável o jogo democrático, limpo e transparente, sob a vigilância permanente e implacável do mundo.

Agora, chegou a vez de Nicolás Maduro, presidente eleito da Venezuela, ser alvo dessa campanha infame e cruel movida pela direita local, mas apoiada ostensivamente por todos os grupos políticos reacionários latino-americanos – sem falar no governo dos Estados Unidos.

Na semana passada, o presidente nacional do #PT, Rui Falcão, foi a Caracas apoiar o presidente Maduro ciente de que, lá, como aqui, o que está em jogo são ações de fundo golpista com nenhuma ligação com interesses populares.

Falcão lembrou que a elite venezuelana, que até a era Chávez se fartava dos recursos petrolíferos do país, “foi despida de privilégios históricos que começaram a ser retirados” pelo ex-presidente, falecido em 2013.

“Nós promovemos uma grande distribuição de renda no Brasil, assim como fez o presidente Chávez. E por isso, incomodamos tanta gente”, disse Falcão.

Em seguida, tocou no ponto chave da questão: “A grande imprensa, os meios de comunicação monopolizados, querem que nossa solidariedade não seja manifestada”.

A posição oficial do PT em relação à Venezuela não deixa dúvidas: o partido é contra ações com vistas a desestabilizar a ordem democrática no país vizinho; rechaça as ações criminosas de grupos violentos como instrumentos de luta política; e condena as ações midiáticas que ameaçam a democracia, suas instituições e a vontade popular expressa através do voto.

A Venezuela é um democracia e o presidente Nicolás Maduro, um líder eleito pelo voto popular.

Qualquer tentativa de tirá-lo do poder, seja pela violência insuflada por fascistas, seja pelo terrorismo midiático, tem um nome só: golpe. — com Dante Comi.



No artigo

2 comments

  1. Geraldo Responder

    O maior roubo de dinheiro publico da America do Sul !!!

  2. Rômulo Carniek Responder

    Lindo isso! Quem sabe a escasses de alimentos e remédios na Venezuela também não é fruto de um complô das elites e da mídia golpista? Sim, porque govermos de esquerda não erram nunca em suas decisões políticas e econômicas! Quando algo dá errado, a culpa é sempre das “elites”.

    Vamos colocar os pingos nos is. As políticas inclusivas dos governos Lula e Chavez podem ter tirado muita gente da miséria – e isso é louvável, foi correto. Mas não tornou seus líderes automaticamente semideuses imunes a erros e a críticas. No caso brasileiro, a economia só se sustentou pela estabilidade conquistada antes e nantida durante os governos petistas. No caso venezuelano, nunca houve estabilidade, a não ser aquela sustentada artificialmente pelas políticas econômicas equivocadas do populismo chavista. Errar é humano, mas alinhar-se automaticamente a companheiros de ideologia, negando e ignorando seus equívocos, é burrice – no caso do simples militante petista – ou desonestidade intelectual – no caso da liderança que escreve uma carta de apoio destas. É um eco da defesa de seus próprios erros, um apelo perene às velhas fórmulas e clichês ideológicos para desviar o foco da autocrítica da qual há muito a nossa esquerda vem se esquivando.

    Autocrítica essa da qual o Mujica, por exemplo, não foge. Mirem-se na coragem dele e reconheçam o fracasso de muitas bandeiras. Só assim para salvar alguma dignidade. Aliás, Mujica e Bachelet são os únicos nomes da esquerda aqui desse hemisfério que ainda dá pra levar a sério. Maduro, Chavez e Cia. estão no extremo oposto, são resíduos da velha política latinoamericana e merem qualquer direita reacionária que a eles se oponha, são faces da mesma moeda defasada. E quem ainda se reporta a esta dicotomia ultrapassada, quem ainda recorre a velhas fórmulas retóricas caducas para camuflar suas faltas, quem ainda se alinha acriticamente é tão criminoso quanto. Ofende a inteligência alheia e colherá as consequências nas urnas. E, um dia, quando a educação neste país formar cidadãos mais críticos e esclarecidos, ou desistem de enrolar, fazem a autocrítica, corrigem is rumos e renovam o discurso, ou irão para a mesma lata do lixo da história onde certamente estarão Chavez, Maduro, Pinochet e todo e qualquer totalitário de esquerda ou direita que um dia contribuiu para o atraso destas terras.


x