Angelina Jolie e a violência sexual em zonas de guerra

A violência sexual é considerada uma arma de guerra; na Bósnia, pelo menos 50 mil mulheres foram estupradas em 3 anos, e leste do Congo, foi considerada a capital mundial do estupro

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Junto com diplomata britânico, a atriz frisa que, entre os 50 mil casos de estupro durante a Guerra da Bósnia, houve apenas 30 condenações por violência sexual no país

Por Vinicius Gomes

Um novo tipo de preparação será incluído no treinamento militar das forças armadas da Bósnia e, em breve, deverá se tornar padrão para as futuras missões de manutenção da paz da ONU: prevenção de violência sexual.

A decisão foi anunciada nessa sexta (28), pelo secretário de relações exteriores do Reino Unido, William Hague, e a atriz e embaixadora da ONU, Angelina Jolie. “O estupro em zonas de guerra tem sido um assunto tabu em todos os países”, disse ela, em uma conferência sobre violência sexual durante conflitos, na capital da Bósnia, Sarajevo.

Angelina Jolie há dois anos faz campanha contra o estupro como arma de guerra (Reprodução)
Angelina Jolie há dois anos faz campanha contra o estupro como arma de guerra (Reprodução)

A atriz completou que o treinamento poderia significar que uma mulher em zona de guerra não precisava ser confrontada com a escolha entre ver seus filhos ficarem com fome ou adentrar em áreas isoladas para pegar madeira e água, correndo o risco de ser estuprada.

Por sua parte, o secretário Hague afirmou que o estupro tem um efeito devastador e é usado como arma de guerra para aterrorizar e desalojar populações inteiras. Os três principais países atualmente onde, segundo ele, tal prática vem ocorrendo são Síria, República Centro-Africana e Sudão do Sul.

Espera-se que a campanha seja colocada na pauta da reunião do G7, em Bruxelas. Fazer tal anúncio em Sarajevo, também é simbólico: estima-se que durante os três anos da Guerra da Bósnia, 50 mil mulheres foram estupradas.

A campanha da dupla foi lançada cerca de dois anos atrás e nos últimos quatro dias, ambos visitaram campos de refugiados em situações catastróficas próximas à cidade de Goma, no leste da República Democrática do Congo – uma região de conflito que já foi classificada como a capital mundial do estupro, onde ser uma mulher era mais perigoso que ser um soldado.

Abaixo, um vídeo sobre a situação alarmante da região oriental da República Democrática do Congo:


Foto: Anthony LLoyd



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