Ex-delegado acusado de tortura é escrachado em São Paulo

Aparecido Laertes Calandra usava o codinome de capitão Ubirajara e estaria envolvido no desaparecimento do estudante Hiroaki Torigoe, sendo suspeito ainda de participar da construção do cenário da morte do jornalista Vladmir Herzog

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Aparecido Laertes Calandra usava o codinome de capitão Ubirajara e estaria envolvido no desaparecimento do estudante Hiroaki Torigoe, sendo suspeito ainda de participar da construção do cenário da morte do jornalista Vladmir Herzog

Texto e fotos por Igor Carvalho

Manifestantes grafitaram a faixa de pedestre próxima da casa de Calandra
Manifestantes grafitaram a faixa de pedestre próxima da casa de Calandra

Lembrando os 50 anos do golpe militar, o Levante Popular da Juventude escrachou, nesta terça-feira (1º), o delegado aposentado Aparecido Laertes Calandra, acusado de ter torturado, estuprado e assassinado opositores do regime militar. O escracho ocorreu às 7h, na frente da sua casa, em uma vila fechada no bairro do Ipiranga.

Os vizinhos receberam panfletos que contavam a história do ex-delegado, seus crimes e depoimentos de torturados por ele, como o deputado federal federal Nilmário Miranda (PT-MG) e o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP), além de Amelinha Teles. O documento também foi distribuído em uma escola que fica ao lado da residência. “Nós denunciamos Calandra porque acreditamos que ele não deve viver em paz depois de fazer a vida de tanta gente um inferno”, afirma o texto distribuído pelo Levante.
O ex-delegado usava o codinome de capitão Ubirajara e esteve envolvido, segundo o grupo, no desaparecimento do estudante Hiroaki Torigoe, além de ter participado da construção do cenário da morte do jornalista Vladmir Herzog. O Levante Popular da Juventude levou sua bateria e entoou músicas contra o tortura, entre elas uma paródia de “Beijinho no ombro”, da funkeira Valesca Popozuda.
Recado deixado pelos manifestantes no interfone do condomínio onde mora Calandra
Recado deixado pelos manifestantes no interfone do condomínio onde mora Calandra

Um dos vizinhos de Calandra abriu o portão do condomínio, permitindo a entrada dos manifestantes que chegaram na frente da casa do ex-delegado. Lá dentro, silêncio absoluto, e o escrachado não apareceu. Porém, moradores do residencial informaram que ele estava no local e que todo dia sai às 8h.

Vizinhos afirmam que o ex-delegado é reservado e nunca manteve diálogos. “Eu sempre desconfiei da postura dele. Até cinco anos atrás ele só saía e chegava em casa com seguranças, nunca falou com ninguém, nem ‘bom dia’ dava”, conta Gilberto, que preferiu ocultar o sobrenome e mora próximo do escrachado.
Confira o vídeo e a letra da paródia que o Levante Popular da Juventude fez da música “Beijinho no ombro”, da Valesca Popozuda:

Desejo a todos os Golpistas Vida longa

Pra que eles vejam cada dia mais democracia

Na ditadura é só tiro porrada e bomba

Lei da Anistia Tenta apagar nossa história

 

Confio na luta pra acabar com a impunidade

Povo na rua faz justiça de verdade

Lei da Anistia nós precisamos rever

A nossa história não é algo pra esquecer

 

Levante e lute pros golpistas passar longe

Levante e lute pela memória dessa nação

Levante e lute que os “torturador’ se esconde

Levante e lute pra fazer revolução



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3 comments

  1. Meester Marcelo Responder

    Isso é em Cuba ou Venezuela?


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