Bob Dylan inocentado de acusações de injúria e incitação ao ódio

Acusado de promover o ódio contra os croatas em uma entrevista, juíza francesa decide absolver o artista por declarações feitas à edição local da revista Rolling Stone

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Juíza decide absolver o artista, que foi acusado de incitar o ódio contra os croatas durante uma entrevista

Por Redação

A Justiça francesa absolveu ontem (15) o músico Bob Dylan do crime de injúria e incitação ao ódio, acusações feitas pelo Conselho Representativo da Comunidade e Instituições Croatas na França (CRICFF) por conta de uma entrevista publicada na revista Rolling Stone local.

A denúncia foi feita por causa de uma declaração do músico na entrevista: “Se você tem em seu sangue o [Ku Klux] Klan ou de mestre de escravos, os negros podem ‘sentir’ ainda hoje em dia. Assim como os judeus ‘sentem’ o sangue nazista e os sérvios, o sangue croata”. No entanto, é importante contextualizar a frase de Dylan: na conversa com o repórter, eles estavam falando sobre a Guerra Civil norte-americana, disputada entre o Norte abolicionista e o Sul escravagista.

“Os Estados Unidos incendiaram e destruíram a si mesmos para a manutenção da escravidão. Os EUA não queriam largá-la. O sistema todo teve que ser ceifado à força. Muita matança. O que? 500 mil pessoas? Muita destruição para acabar com a escravidão e é a isso que aquilo tudo [a guerra] se resume. Esse país é simplesmente muito f*** a respeito da cor. É uma distração. As pessoas indo nos pescoços umas das outras apenas por terem cor diferente. É o ápice da insanidade e isso permanece dentro de qualquer país […] Os negros sabem que alguns brancos não queriam acabar com a escravidão e que, se dependesse deles, os negros ainda estariam sob seu jugo e os negros não podem fingir que não sabem disso. Se você tem  em seu sangue o Klan ou o de donos de escravos, os negros podem ‘sentir’ ainda hoje em dia. Assim com os judeus ‘sentem’ o sangue nazista e os sérvios, o sangue croata”.

Dylan faz referência ao genocídio praticado contra os sérvios pelo Movimento Revolucionário Croata, a Ustasha que, durante a 2° Guerra Mundial, montou campos de concentração e assassinou cerca de 300 mil sérvios. Uma atrocidade que, para o músico, pode ser comparada – se não em escala, em vilania – ao genocídio nazista contra os judeus e à escravidão de africanos por norte-americanos brancos.

O problema alegado na fala de Dylan é que ele não disse “brancos” nem “alemães”, mas mencionou “donos de escravos” e “nazistas”, enquanto, no caso dos croatas, a referência foi à nacionalidade, o que, no entendimento da organização que o processou, resultou em uma generalização equivocada. “[Dylan] não fala sobre os criminosos croatas, fala de todos os croatas”, apontou a entidade.

O CRICCF buscava uma retratação pública do músico e, com isso, retiraria as denúncias. Contudo, a juíza que estudou o caso decidiu inocentá-lo por considerar que Dylan não havia dado o seu consentimento para a publicação da entrevista na edição francesa da revista, apenas à edição norte-americana.



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