Morre Rubin Carter, símbolo da desigualdade do sistema judicial dos EUA

"Hurricane", como era conhecido, faleceu por consequência de um câncer; ele ficou preso injustamente por 19 anos e inspirou um dos maiores sucessos da carreira do cantor Bob Dylan

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“Hurricane”, como era conhecido, faleceu por consequência de um câncer; ele ficou preso injustamente por 19 anos e inspirou um dos maiores sucessos da carreira do cantor Bob Dylan

Por Opera Mundi 

Rubin Hurricane Carter, estrela do boxe que ficou preso por 19 anos após ser condenado injustamente por homicídio, morreu na manhã deste domingo (20/04) em Toronto, no Canadá. Hurricane faleceu por consequência de um câncer na próstata. Ele fundou a Innocence International, ONG que trabalha para libertar prisioneiros considerados injustamente condenados. Carter lecionou sobre as desigualdades no sistema de Justiça criminal dos EUA.

Hurricane foi condenado duas vezes pelo mesmo motivo, acusado de atirar fatalmente em dois homens e uma mulher, em uma taberna de Nova Jersey em 1966. As batalhas judiciais envolveram dezenas de audiências, e denúncias sobre preconceito racial foram feitas contra o Ministério Público. Hurricane era negro, e as supostas vítimas eram brancas. Na ocasião, foi feito um apelo ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos, entretanto a apelação foi negada.

No início da carreira, Carter ficou famoso pelo seu carisma, que agradava as plateias. Atraiu atenção mundial durante uma campanha que tentava provar sua inocência. A Anistia Internacional classificou o boxeador como “um prisioneiro consciente”, cujos direitos humanos foram violados.

O ex-boxeador sobreviveu à prisão e a confinamentos solitários frequentes. Enquanto estava preso, se tornou um ávido leitor de livros jurídicos, filosofia, história, metafísica e de religião. Em uma entrevista ao New York Times, em 1977, pouco depois de sua segunda condenação, disse: “Eles podem prender meu corpo, mas nunca minha mente”.

Durante sua prisão, um comitê de defesa foi organizado, e envolveu pessoas ligadas aos esportes, direitos-civis e figuras políticas. O cantor Bob Dylan escreveu e gravou a canção Hurricane, em 1976, onde defende a inocência de Carter e difama as testemunhas da polícia e do Ministério Público.

Sua vida também foi retratada em um filme de 1990, intitulado The Hurricane, dirigido por Norman Jewison, e seu personagem é interpretado por Denzel Washington. O filme foi amplamente criticado pela simplicidade com que tratou o caso.

Em suas últimas semanas de vida, fez campanha para a libertação de David McCallum, homem que está preso desde 1985 sob a acusação de assassinato. “Assim como meu próprio veredito foi baseado no racismo em vez de razão, e de ocultação em vez de divulgação”, o mesmo aconteceu com McCallum.

Carter também escreveu: “Se eu encontrar um céu depois desta vida, vou ficar bastante surpreso. Durante meus anos neste planeta, eu vivi no inferno por 49 anos, e passei a viver no paraíso pelos últimos 28 anos”. E acrescentou que “para viver em um mundo onde as questões de verdade e justiça, mesmo que tarde, realmente aconteçam, esse mundo seria um paraiso suficiente para todos nós”.

Em 1974, enquanto estava na prisão, escreveu uma autobiografia com colaboração de parentes e simpatizantes, intitulada The 16th Round (A 16ª Rodada). Em 2011, publicou outra autobiografia, chamada Eye of the Hurricane: My Path From Darkness to Freedom (Olho do Furacão: Meu Caminho da Escuridão para a Liberdade”), escrita em conjunto com Ken Klonsky, e prefácio de Nelson Mandela.

Foto de capa: Wikicommons 



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1 comment

  1. pauloribeirojunior Responder

    Vcs que adoram tudo que vem dos estados unidos, vejam o exemplo herói nomeio de uma justiça racista, preconceituosa, MPs e juizes endeusados, e policiais mentirosos e forjadores de provas….Vcs já se perguntaram quantos desses já morreram na cadeira elétrica?…..Vcs sabem quantos presos existem por lá e qual a percentagem de negros, pobres e latinos? Deem valor à sua terra e lutem por ela e não pela a do vizinho primeiramente!!!!


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