Ativistas digitais prestam homenagem a Aaron Swartz, o guerrilheiro da internet livre

No primeiro dia de Arena NETmundial, um documentário sobre o legado do ativista, morto em 2013, foi exibido como forma de pautar o evento sobre os preceitos pelos quais lutou: a liberdade e a democracia na rede

401 0

No primeiro dia de Arena NETmundial, um documentário sobre o legado do ativista, morto em 2013, foi exibido como forma de pautar o evento sobre os preceitos pelos quais lutou: a liberdade e a democracia na rede 

Por Ivan Longo

Começou nesta terça-feira (22), no Centro Cultural São Paulo, o Arena NETmundial, um evento de três dias que trará discussões fundamentais para a garantia de uma internet livre, colaborativa, plural e democrática. Por meio de debates e oficinas, o encontro acontece como forma de incluir a sociedade civil nos debates que serão feitos no Encontro Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet (NETmundial), que será realizado em São Paulo nos dias 23 e 24 deste mês, e reunirá líderes mundiais para debater a governança na rede.

Como uma das primeiras atividades do Arena NETmundial, foi realizada uma homenagem a Aaron Swartz, programador americano e ativista da internet que tornou-se símbolo da luta pela liberdade de acesso à rede. Morto aos 26 anos, Swartz foi rememorado no evento através da exibição de trechos do documentário “The Internet’s Own Boy”, de Brian Knappenberger, que relata a luta e o ativismo do programador. Participaram da homenagem Neville Roy Singham (da Thoughtworks), Jacob Appelbaum (estudioso de segurança em computadores, hacker e um dos responsáveis pelo sistema Tor) e Danny O’Brien (diretor internacional da Electronic Frontiers Foundation).

Antes da exibição do documentário, Neville Roy Singham pediu ao público presente que fizesse um minuto de silêncio em memória de Swartz. Chamada de “Inspirados por Aaron – Defendendo a Internet Livre”, a ideia da atividade foi a de dar início aos debates do Arena Net Mundial sob ótica da luta do jovem ativista, que durante toda a sua vida se dedicou à democratização das informações na internet.

Swartz foi preso em janeiro de 2011 por usar a rede do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) para descarregar grandes volumes de artigos da revista científica JSTOR, sendo acusado pelo crime de invasão de computadores. O ativista era contra a cobrança e a limitação ao acesso dos artigos. Dentre outras lutas que travou pela liberdade na rede, Swartz criou, em 2008, a Watchdog.net, um site para agregar e visualizar dados sobre políticos. Foi ele também o principal nome na luta contra a SOPA (Stop Online Piracy Act), a emenda que procurava combater a violação de direitos autorais na internet.

Extremamente emocionados, os três debatedores presentes, que eram próximos a Swartz, falaram sobre a convivência com o ativista e sua sede em mudar o mundo através da democracia na rede. “Apesar de toda a pressão, ele sempre tinha algo de positivo dentro de si que o fazia não querer parar de lutar”, afirmou nostálgico, Jacob Appelbaum.

Além de trazerem à tona o legado deixado pelo jovem ativista como inspiração para as lutas digitais, os convidados enalteceram a vanguarda do Brasil ao assumir o protagonismo de criar uma lei para regular e manter a democracia na rede. Para eles, a mobilização pela aprovação de uma legislação que garanta os princípios de liberdade, privacidade e neutralidade na rede, é uma grande conquista que, com certeza, Swartz estaria apoiando. “O Arena NETmundial e o NETmundial são uma oportunidade de mostrar aos governos de todo o mundo a necessidade de se garantir a liberdade na rede”, afirmou Danny O’Brien, que destacou que o discurso de Dilma na ONU em que defendia mecanismos que garantam a privacidade individual e a liberdade na internet serviu de exemplo para governos todo o planeta.

Dois anos após sua prisão, em janeiro de 2013, Swartz foi encontrado morto em seu apartamento e a principal suspeita é a de suicídio. Ativistas acreditam até hoje que foi a perseguição e a pressão do governo norte-americano que o matou. “Swartz está morto, mas eu não choro por isso, pois sua luta continua”, disse Neville Roy Singham.



No artigo

x