Anistia Internacional pede desmilitarização e controle externo das atividades policiais

Em nota a respeito das mortes na favela do Pavão-Pavãozinho, entidade diz esperar que "seja reconhecida a necessidade urgente de mudanças estruturais na organização das polícias"

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Em nota a respeito das mortes na favela do Pavão-Pavãozinho, entidade diz esperar que “seja reconhecida a necessidade urgente de mudanças estruturais na organização das polícias”

Por Redação

A Anistia Internacional Brasil divulgou uma nota no fim da tarde desta quinta-feira (24) pedindo uma investigação “célere e independente” a respeito das mortes de Douglas Rafael da Silva Pereira e Edilson Silva dos Santos, ocorridas na última terça-feira (22) na comunidade Pavão-Pavãozinho.

O dançarino Douglas Rafael , de 26 anos, atuava no programa Esquenta, da Rede Globo, e foi encontrado morto em 22 de abril. Existem denúncias de que a cena do crime foi adulterada. No protesto ocorrido em função da morte de Douglas, no mesmo dia, Edilson, de 27 anos, foi morto com um tiro no rosto.

“Infelizmente, o índice de homicídios de jovens em territórios de favelas e periferias é alarmante. A polícia brasileira está entre aquelas que mais matam no mundo, segundo dados da ONU. Utilizando como exemplo o estado do Rio de Janeiro, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP/RJ) mostram que, de 2002 a 2011, foram registradas 10.134 mortes derivadas de intervenções policiais”, diz a nota.

Para a entidade , o contexto de violência do Rio de Janeiro e de todo o país exige que “seja reconhecida a necessidade urgente de mudanças estruturais na organização das polícias, que incluam a sua desmilitarização, o aumento da transparência e a implementação de um controle externo efetivo das atividades policiais”. Confira a íntegra da nota abaixo.

Mortes na favela do Pavão-Pavãozinho devem ser totalmente esclarecidas e autores responsabilizados

“As mortes de Douglas Rafael da Silva Pereira e Edilson Silva dos Santos devem ser devidamente investigadas e os autores responsabilizados”, afirmou hoje (24) a Anistia Internacional Brasil. Os jovens foram mortos na última terça-feira (22) na comunidade do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, Rio de Janeiro. A organização espera uma investigação célere e independente das duas mortes, considerando que há suspeitas de que foram cometidas por policiais militares.

O dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, de 26 anos, foi encontrado morto na comunidade, no início da tarde do dia 22. Embora a morte tenha acontecido de madrugada, policiais cercaram a creche onde estava o corpo durante todo o dia e há denúncias de que a cena do crime foi adulterada.

No protesto que se seguiu à morte de Douglas, Edilson Silva dos Santos, de 27 anos, foi morto com um tiro no rosto. Ele estava desarmado, junto com outros moradores, no protesto que estava sendo monitorado por policiais munidos de arma de fogo.

Infelizmente, o índice de homicídios de jovens em territórios de favelas e periferias é alarmante. A polícia brasileira está entre aquelas que mais matam no mundo, segundo dados da ONU. Utilizando como exemplo o estado do Rio de Janeiro, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP/RJ) mostram que, de 2002 a 2011, foram registradas 10.134 mortes derivadas de intervenções policiais.

A violência presente no Rio de Janeiro também pode ser identificada no restante do país. O Brasil apresenta uma das taxas de homicídio mais altas do mundo, com registro anual de 50.000 mortes por ano. Entre os jovens, a proporção de mortes é duas vezes maior se comparada com a idade adulta. E entre os jovens brasileiros que morrem, 78% são negros.

Diante desse contexto de violência, a Anistia Internacional Brasil pede não apenas que as mortes sejam devidamente investigadas, esclarecidas e responsabilizadas, mas que seja reconhecida a necessidade urgente de mudanças estruturais na organização das polícias, que incluam a sua desmilitarização, o aumento da transparência e a implementação de um controle externo efetivo das atividades policiais.

Foto de capa: Protesto de moradores após enterro de Douglas (Mídia Ninja)



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6 comments

  1. Paulino Braz Responder

    Para desabafar,às 16:09 do dia 24/04/2014,minha casa foi invadida por policiais militares=PMMG,dizendo que tinha duas pessoas escondidas fugitivas da Cidade de sete lagoas.bom eu não tenho parentes nessa dita cidade,ao perguntar se tinham mandatos os policiais começaram a nos dizer que estávamos ocultando essas ditas pessoas.eles ficaram muito bravos,e um cabo tirava e colocava a arma no coldre.bem se nós da favela não temos os mesmos direitos do resto da cidade,não vivemos numa democracia…..Paulino Braz,brasileiro,negro e sem dinheiro.

  2. Marlene Responder

    Como sabem que foi a polícia se a perícia, as investigações apenas começaram? Não há nada de conclusivo ainda. Ainda é preciso ir buscar as armas dos bandido envolvidos na confusão. Até agora só pegaram as armas dos policiais, E se o tiro não foi da polícia? Como vai faicar a situação?

  3. Fabio Responder

    Sinceramente, é um pesar qq perda humana… Mas primeiro nada está garantido que foi com o tiro da PM que o dançarino morreu… segundo, o problema da violência não está só referenciado na polícia… mas na força estatal (brizola, déc 1980), que deixou de atuar nas comunidades e se deixou criar verdadeiros territórios paralelos ao Estado Democrático de Direito… A militarização ou hierarquização de uma polícia não é exclusividade do Brasil… Mas o fundamental é se permitir que ONG ou qq outra organização externa em dar o pitaco em assuntos internos… Q a sociedade brasileira deve encontrar uma solução… Mas sinceramente, mundialmente, há sempre dois tipos de polícia uma investigativa e outra ostensiva… Até no espelhados irmãos do Norte da América é assim… Logo, a estrutura talvez não seja a questão… mas primeiro a educação da população, formação de melhores cidadãos, e depois uma polícia melhor preparada e melhor remunerada… Mas com todos os defeitos do programa da UPP é uma iniciativa para buscar uma solução, polícia comunitária, tal técnica é tb mundialmente utilizada…

  4. PG Responder

    SERIA PEDIR MUITO QUE ESTA ANISTIA VOLTASSE PARA A TOCA IRLANDESA DE ONDE SAIU E NOS DEIXASSE RESOLVER OS NOSSOS PROBLEMAS DE ACORDO COM A NOSSA CAPACIDADE, SEM ESTA INTERFERÊNCIA “EUROPÉIA” NEM SEMPRE BOA CONSELHEIRA

  5. Valquíria Responder

    É imprescindível solicitar a intervenção de organismos internacionais , a começar pela Corte Interamericana de Direitos Humanos , depois , para os demais órgãos .

  6. Joaquim Moura Responder

    Tudo bem, mas se não for a Policia Militar, quem terá força para entrar nas favelas ou para remover invasões? Ou não ocorrerão mais crimes em favelas nem invasões? Ou devemos ficar indiferentes aos crimes em favelas e às invasões? Teria então que ser a polícia civil, pois não? Mas então seria preciso “militarizá-la” igualmente, pois vão precisar de armamento e treinamento militares, usando fuzil, capacete, combat-boot e até blindado. A outra opção é recorrer ao Exército, mas eles precisam é se preparar para as guerras previstas para o médio prazo (daqui a 5 ou 10 anos, no dizer do presidente do Banco Mundial). A solução é reverter a cultura popular para a sustentabilidade, para enfrentar “o pior está por vir” (conforme o informe do IPCC da ONU). Vocês acham que uma favela é sustentável, tanto ambiental quanto socialmente? Não são, como as megalópoles também não são. Então é uma loucura total querer integrar as favelas nas megalópoles, pois não? Só a reruralização organizada e ambientalmente sustentável de imensas parcelas populacionais hoje urbanizadas poderá garantir um futuro viável para nossos descendentes.


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