As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

O Brasil tem registrado avanços nos últimos anos para diminuir sua desigualdade, mas o abismo entre os ricos e pobres ainda é gritante. Algumas cidades do país, todavia, contam com distribuição de renda mais equitativa do que as demais

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O Brasil tem registrado avanços nos últimos anos para diminuir sua desigualdade, mas o abismo entre os ricos e pobres ainda é gritante. Algumas cidades do país, todavia, contam com distribuição de renda mais equitativa do que as demais

Via Envolverde, por Redação do EcoD

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. A constatação é do índice de Gini, produzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o mais famoso indicador para medir distribuição de renda, no qual a Noruega.

No entanto, o Brasil tem registrado avanços nos últimos anos para diminuir sua desigualdade, mas o abismo entre os ricos e pobres ainda é gritante. Algumas cidades do país, todavia, contam com distribuição de renda mais equitativa do que as demais.

Por exemplo: entre os 4,5 mil moradores de São José do Hortêncio, no Rio Grande do Sul, não será possível encontrar nenhum bilionário ou multimilionário como aqueles que existem, em certa quantidade, em São Paulo. Mas tampouco será fácil localizar uma pessoa que não saiba ler e escrever: a taxa de analfabetismo, pouco maior que 1%, está entre as menores do Brasil.

E praticamente todos os cidadãos, com mais ou menos renda, estudam em escola pública até o ensino médio – trata-se da única opção disponível. Este cenário de pouca desigualdade garantiu à pacata cidade, junto com a também diminuta Botuverá, em Santa Catarina, o título de mais igualitária do país.

O ranking que pode ser visto a seguir é dominado por municípios do Sul e alguns poucos exemplares do Sudeste. “As cidades do Sul são menos desiguais em parte porque a população costuma ser mais educada, a desigualdade educacional costuma ser menor. São populações mais homogêneas”, afirma Rafael Osório, técnico do Ipea especialista em estudos de distribuição de renda.

A desigualdade de renda é tida como um elemento que atrapalha a coesão social, impedindo que indivíduos – sejam mais ricos ou mais pobres – sintam-se parte da mesma sociedade.

1) SÃO JOSÉ DO HORTÊNCIO (RS)

cidade1 saojose ECOD As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

 

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,28
Índice de Gini (Atlas 1991) – 0,36
População – 4.094
Em São José do Hortêncio, os 10% mais ricos ganham 4 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, são 22,7 vezes mais.

2) BOTUVERÁ (SC)

cidade2 botuvera ECOD As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

 

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,28
Índice de Gini (Atlas 1991) – 0,49
População – 4.468 habitantes
Em Botuverá, os 10% mais ricos ganham 4,1 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, são 22,7 vezes mais.

3) ALTO FELIZ (RS)

 

cidade3 altofeliz ECOD As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

 

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,29
Índice de Gini (Atlas 1991) – 0,41
População – 2.917 habitantes
Em Alto Feliz, os 10% mais ricos ganham 4,2 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, são 22,7 vezes mais.

4) SÃO VENDELINO (RS)

 

cidade4 saovendelino ECOD As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

 

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,29
Índice de Gini (Atlas 1991) – 0,50
População – 1.944 habitantes
Em São Vendelino, os 10% mais ricos ganham 4,3 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, são 22,7 vezes mais.

5) VALE REAL (RS)

 

cidade5 valereal ECOD As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

 

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,29
Índice de Gini (Atlas 1991) – 0,36
População – 5.118 habitantes
Em Vale Real, os 10% mais ricos ganham 4,1 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, são 22,7 vezes mais.

6) SANTA MARIA DO HERVAL (RS)

cidade6 santamariadoherval ECOD As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

 

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,30
Índice de Gini (Atlas 1991) – 0,39
População – 6.053 habitantes
Em Santa Maria do Herval, os 10% mais ricos ganham 4,4 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, são 22,7 vezes mais.

7) CAMPESTRE DA SERRA (RS)

cidade7 campestredaserra ECOD As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

 

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,31
Índice de Gini (Atlas 1991) – 0,39
População – 3.247 habitantes
Em Campestre da Serra, os 10% mais ricos ganham 4,5 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, são 22,7 vezes mais.

8) TUPANDI (RS)

cidade8 tupandi ECOD As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

 

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,31
Índice de Gini (Atlas 1991) – 0,41
População – 3.924 habitantes
Em Tupandi, os 10% mais ricos ganham 4,6 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, são 22,7 vezes mais.

9) CÓRREGO FUNDO (MG)

 

cidade9 corregofundo ECOD As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,32
Índice de Gini (Atlas 1991) – 0,50
População – 5.790 habitantes
Em Córrego Fundo, os 10% mais ricos ganham 4,9 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, são 22,7 vezes mais.

10) MORRO REUTER (RS)

morro reuter ecod As 10 cidades mais igualitárias do Brasil

morro-reuter-ecod.jpg

 

Índice de Gini (Atlas 2013) – 0,32
Índice de Gini (Atlas 1991) – 0,38
População – 5.676 habitantes
Em Morro Reuter, os 10% mais ricos ganham 4,9 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, são 22,7 vezes mais.

Obs: O índice varia de 0 a 1. Só alcançaria zero se todo mundo em um local pesquisado tivesse exatamente a mesma renda. E exatamente um, apenas se uma pessoa concentrasse todo o dinheiro.

Na prática, portanto, o índice nunca encosta nesses extremos, só que quanto mais perto de zero, melhor. O da Noruega, por exemplo, é de 0,25. Já o do Brasil é de 0,50.

* Publicado originalmente no site EcoD.



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29 comments

  1. Wilk Feitosa Responder

    É uma pena em pais,tão belo e tão propício a evolução,existir tanta discrepância na distribuição de renda. Sou do Estado do Pará e moro em Santa Catarina,apesar de amar minha terra natal eu jamais irei morar lá novamente! Por quê?
    Pq é um absurdo você não ter as condições mínimas de sobrevivência em um Estado tão parecido com o Brasil: riquíssimo e ao mesmo tempo paupérrimo!!!!

  2. depauster Responder

    Até nisso as cidades do Sul do país são europeizadas. Precisaremos de quantos séculos e quantas lutas no resto do país para termos, pelo menos, um índice menor de desigualdade?

  3. Filipe Vargas Responder

    São cidades que possuem como características: a valorização (em todos os sentidos) do trabalho, busca incessante por fazer o melhor possível sempre, intensa vida comunitária, religiosidade, base agrícola diversificada e comunidades de pequeno porte.

  4. Elias Responder

    MG, RS não sei porque, sempre esses estados conservadores são melhores, vai entender.

  5. AMiller Responder

    Kkk, Desculpa o riso Elias. É que enquanto eu lia o artigo, passava pela minha cabeça exatamente o preconceito que sofremos (sou gaúcha).Não deu outra, desci e me deparei com seu comentario, rsrsrs…

    1. Nivaldo Ávila Responder

      Sou Sulmatogrossense e sei que na era vargas, vieram muitos gauchos para o Mato Grosso do Sul(então Mato Grosso, pois o estado ainda não havia sido dividido, e o MS ainda não havia sido criado). Antes da chegada dos gauchos aqui, a agricultura era a da subsistência, era manual e com a chegada dos gaúchos houve a mecanização da agricultura e a produção em larga escala e consequentemente o desenvolvimento do Estado do MS. Estive em uma grande festa em uma cidade de Santa Catarina recentemente e não vi sequer um pedaço de papel ou lata de refrigerante no chão, já festas em outras regiões do Brasil, ficam lotadas de lixos espalhados pelo chão. Os gauchos e catarinenses são um povo educado e ordeiro. Conheci um outro Brasil, quando estive na regiao sul do Brasil. É este Brasil que quero pra mim. Parabéns Gauchos e catarinenses.

      1. lmonteiro Responder

        É contraditório, pois catarinenses, gaúchos e paranaenses são os maiores desmatadores do Brasil. No arco-de-fogo sul amazônico é comum o mesmo processo: grilagem, expulsão das populacões vulneráveis, externínio de índios e ribeirinhos, expansão das monoculturas e pecuária, envenenamento dos rios com agrotóxicos e destruição ambiental. Não são exemplos tão bons assim.

  6. rosaasa Responder

    cidade composta na maioria por brancos, outras etnias ñ são muito bem vindas

    1. hugo Responder

      para com isso!!!!!

    2. deivs Responder

      Você está falando isso pq não conhece Córrego Fundo!

    3. main Responder

      Esse comentário é preconceituoso e racista.sem fundamento e conhecimento dos locais

    4. Sandra Responder

      É importante destacar que estamos falando de municípios pontuais…essa generalização, desvirtua o foco da matéria.

  7. Wagner Responder

    População dessas cidades não passa de5000 habitantes. A explicação deve estar ai.

  8. gabriel Responder

    desde quando o RS é um estado conservador? republicanismo, trabalhismo e administrações do PT em Porto Alegre. os 3 movimentos progressistas na política brasileira do século XX.

    1. Francisco Saldanha Responder

      O Rio grande do sul não mas as pessoas sim!

    2. lmonteiro Responder

      Tá cheio de gaúcho, paranaense e catarinense destruindo o Pantanal, o Cerrado e Amazônia. A Mata Atlântica já era e agora eles querem mais. Isso é ser conservador também.

    3. Elias Responder

      A população é conservadora, os políticos brasileiros são todos de esquerda por isso que 90% dos políticos são literalmente odiados pelo povo brasileiro, todos desejam redução da maioridade penal, leis severas contra crimes hediondos, se necessários até uma mudança para uma constituição atualizada para o que o Brasil se tornou, o que vemos na politica? Oposição fraca, dezenas de partidos de esquerda, “direitos humanos”, e por ai vai.

  9. MDOGLAS Responder

    VOCES VIRAM A POPULAÇAO DESSAS CIDADES? ESSE ESTUDO NAO SERVE DE REFERENCIA, SE QUIZER VER A SITUAÇAO DE MINHA FAMILIA É 100% IGUALITARIA.

  10. Jose LUIZ RIBEIRO DA SILVA Responder

    ALGUMAS CIDADES DO SUL DO PAÍS – TALVEZ SEJA O CASO DESSAS – SÃO VERDADEIROS “CONDOMÍNIOS FECHADOS” DE IMIGRANTES ESTRANGEIROS, ONDE ATÉ O BRASILEIRO NATO NÃO É BEM VINDO. DEVERIAM FAZER UMA MATÉRIA SOBRE ISSO. DUVIDO QUE CONSIGAM ALUGAR UMA CASA LÁ NÃO SENDO DESCENDENTE.

    1. Eduardo B Responder

      Essas cidades foram fundadas sobre a reforma agrária e com a proibição da escravidão.
      Todo mundo trabalha e ninguém é patrão de ninguém, todo mundo tem seu cantinho para cultivar.
      Em 1830 Dona Leopoldina esposa de Dom Pedro sabia disso, convenceu a corte brasileira a fazer isso sabendo que ia dar certo.
      Nada impede de vc. fazer o mesmo na sua terra e inclusive se indagar do porque não fizeram isso nesses 150 anos desde que começou a imigração europeia no sul.
      Imagine-se um dono de estancia que em um rebanho vc. aplica técnicas que deixa o gado gorno e saudável e no outro rebanho (que é o resto do Brasil) vc deixa o gado passando fome e pegando bicheira.
      Esse é o Brasil.
      Fez certo em um pedacinho para experimentar e não copiou o que deu certo no resto.

    2. Jackson Responder

      kkk
      Sou do sul e moro no sul. Nunca passei por um destes “condominios”… Poderias me dar o endereco de um deles para que eu possa visitar? hehe
      Esta é a tipica visao preconceituosa. Melhor nao falar nada se desconhece ;)

    3. Giselle Responder

      Concordo, vide Pomerode, eles simplesmente NÃO aceitam BRASILEIROS (pasmem!) de fora da cidade para trabalhar lá, são comunidades fechadas, resistentes à pluralidade, miscigenação, tudo que caracteriza o brasileiro. Tem aspectos positivos? Muito provavelmente. Mas, mascarar o preço dessas conquistas de “cidade modelo” é subtrair informações necessárias ao desenho amplo desse contexto, dando uma falsa ideia aos leitores(as).

  11. André Anlub Responder

    A desigualdade social muitas vezes está diretamente ligada a oferta ampla de trabalho e moradia. Sem querer brincar (mas já brincando) a desigualdade e a criminalidade na Groenlândia é quase zero!

  12. Eduardo Londero Responder

    A questão não é homogeneidade como parece hoje em dia, mas a origem da economia local: terra para todos e proibição de escravidão.
    O que funciona é terra e liberdade.
    Nesse ambiente a população se forma com uma cultura de trabalho desde sua fundação e ninguém precisa ser empregado de ninguém.
    Foi ideia de Dona Leopoldina, esposa de Dom Pedro, inspirada nos filósofos do iluminismo.
    Deu certo, todo mundo soube que deu certo, mas ninguém teve coragem de imitar no resto do Brasil.

  13. Uilian Responder

    Santa Catarina é a única foto que são mulheres e não da cidade.

  14. Gilberto Responder

    Creio que as pessoas estão reduzindo conquistas humanas na direção de melhor distribuição de renda, e menor desigualdade social em apenas um ou dois fatores, isso é realmente uma visão reducionista. Eu acredito que cidades pequenas tem mais condições de serem melhores que as grandes, mas isso não é regra, depende muito da história de cada município; eu também acredito que a visão política não influenciou muito pois até hoje as pessoas pouco se importaram com a visão “politicamente correta”, mudam os que governam e os seus partidos constantemente e apesar disso as pessoas continuam acreditando em um futuro melhor, tb as questões étnicas não devem ser as causas principais, pq existem municípios preponderantemente de qualquer etnia em nosso país… Talvez seja necessário estudar mais Max Weber para percebermos pq em certas cidades o capitalismo ses que em outras, talvez precisássemos estudar mais Michael de Certeau para ver como funcionam as coisas em nível mais local, nas pequenas coisas; talvez precisássemos estudar mais Clifford Geertz para entendermos as questões culturais de cada povo e em suas relações com os demais; só para citar alguns…

  15. Lucas Responder

    Realmente!!!Aqui no RS o povo trabalha bem, todos se cumprimentam na rua, as escolas tem cooperativas, e é investido bastante da educação, apesar de as vezes ocorrerem alguns problemas, os pobres ganham mais atenção e na maioria das cidades ocorre as tradicionais festas e com esse lucro são comprados equipamentos para escola, hospitais…carros de saúde para melhor atender a população. As pessoas não esperam a prefeitura fazer o trabalho, mas sim pegam inchada e pá e vão limpar e tirar os matos dos calçamentos. Mas muitos não vem esse lado, acham preconceituoso isso, mas se realmente nos esforçamos para mudar merecemos reconhecimento. Sou da cidade de Santa Maria do Herval e achei ótimo isso uma das nossas escolas publicas já está entre as 10 melhores do país, e está melhorando cada vez mais, as vezes num ritmo mais lento e as vezes mais rápido!

  16. wenderson Responder

    Será que somente eu percebi que todas estas cidades tem população menor que 10.000 habitantes. Não será a complexidade social das cidades maiores um multiplicador da desigualdade social.

  17. Mariana Responder

    Acho ridícula essa mania que o povo brasileiro tem de ficar “discutindo” e “denegrindo” os estados uns dos outros. Deveríamos pegar o que tem de bom em cada um como exemplo e seguir em frente, tentar mudar. Essas cidades deveriam servir de modelo para outras. Esse tipo de pensamento me revolta e me faz pensar que não estamos nem perto de melhorar, fazemos o caminho inverso, infelizmente. Sou gaúcha, amo meu estado, mas também adoro SC, MS e GO, passei por vários lugares desse país dos quais gostei e no qual eu moraria tranquilamente, deveriam visitar o sul antes de falar tanta besteira e ter um conceito pré concebido sem o devido conhecimento, sem nunca ter posto os pés por aqui. As pessoas esquecem que antes de sermos gaúchos, catarinenses, paulistas, cariocas, baianos, mato-grossenses, amazonenses, somos BRASILEIROS, e o que afeta um, afeta a TODOS, portanto ou pensamos em agimos coletivamente ou continuaremos nessa grande “porcaria” que é esse país.


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